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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Sobre igrejas e McDonald's



A semana tem 168 horas, na média passamos 4 horas por semana nos cultos, isso representa – pasmem - aproximadamente 2% da nossa semana. Se formos cristãos mais assíduos, passaremos umas 8/10 horas por semana na igreja, mas ainda assim a porcentagem continua mínima.

 

É por isso que existe um grande desafio para os pastores, para os músicos e para os pregadores, e esse desafio consiste em levar o povo a uma espiritualidade elevada nesse pouco tempo em que estão na igreja. Muitos se perdem nesses esforços, acabam acreditando que devem levar as pessoas à emoção em todos os cultos, tentam de muitas formas que todos adorem de forma igual, que todos estejam com o mesmo humor ou que todos queiram fazer tudo o que se propõe.

 

Mas a cerne do problema não está apenas nos cultos, está sim nos cristãos, que querem um Deus fast-food, onde eles não precisam se dedicar a nada durante a semana, mas buscam a solução de todos os seus problemas no culto, ou buscam sentir algo diferente durante a ministração,  querem a "Presença de Deus" nas suas reuniões solenes. Como disse João Alexandre em uma música "Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens.", portanto, não adianta que os ministros de louvor fiquem chamando a presença do Espírito Santo, ou dizendo que Ele é bem-vindo se o povo não buscá-Lo em seus corações. As pessoas não querem esforçar-se para ter essa presença, mal lêem a bíblia durante a semana, pouco oram, pouco exercitam o amor ao próximo, mas praticamente exigem o "mover de Deus" em suas reuniões.

 

Deus não é aquele palhaço Ronald, mas é o Senhor da glória e do universo. Ele não é bobo, antes conhece nossos corações muito mais do que nós mesmos. O Senhor abomina a hipocrisia daqueles que cantam que o amam, mas o coração está cheio da corrupção do mundo, Ele detesta a mentira daqueles que buscam sua presença, que pedem águas e rios profundos, mas estão longe da purificação e da santificação que permitem vê-Lo. Ele não mandou seu filho para que fiquemos emocionados ou comovidos, mas para que sejamos salvos da condenação do pecado.

 

Que nossa espiritualidade seja regada dia-a-dia com os preceitos da Palavra de Deus, que nossos cultos sejam a expressão das verdades que já vivemos em nossas vidas cotidianas, que as pregações sejam apenas baseadas na Palavra de Deus, não um monte ilustrações e historinhas, mas o poder que é capaz de separar juntas e medulas.

 

Que sejamos servos e não clientes.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Não existe amor maior que este...



"Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos" (Jo 15, 13).

 

Quando Jesus falava de amor, ele sabia quais as implicações que o ato de amar trazia. Ele não falava de um sentimento transcedental, ou de uma paixão ardente e muito menos fazia uma declaração vazia às multidões.

 

Jesus tinha a plena consciência de que seu amor pela humanidade teria que ser traduzido em entregar sua própria vida em favor daqueles que o ofenderam, daqueles que o desprezaram e de todos aqueles que o rejeitariam.

 

Podemos ver o drama desse amor no Getsêmani, quando Ele pede ao Pai que esse sacrifício não seja necessário, mas pelo amor prefere cumprir a vontade do Pai em detrimento de aliviar o sofrimento de sua carne.

 

Infelizmente vivemos em tempos onde o amor é tudo aquilo que Jesus não acreditava. Amor é sentir e sentir-se bem. As nossas relações geralmente estão temperadas por esse sentimento egoísta, de levar alguma vantagem, de satisfazer nossos desejos ou apenas de nos alegrarmos por um tempo.

 

É por isso que só temos colegas de trabalho ou escola, porque nossas relações duram apenas o tempo em que existe um interesse mútuo num objetivo.

 

Parece que todas as relações andam infectadas por esse mal, amizades, namoros, casamentos, pois enquanto está tudo bem e enquanto não existe a necessidade de sacrificar o nosso eu, a relação dura, mas na primeira adversidade, no primeiro deslize, tudo cai por terra. Daí vemos casamentos que duram meses, um ou dois anos.

 

Não, definitivamente não foi assim que Jesus nos ensinou. Ele nos ensinou que o Deus Todo-Poderoso, desceu de sua glória em forma de homem, sem aparência e sem formosura, sem nenhuma glória, sem nenhuma regalia, sem reino nessa terra, lavando os pés de seus discípulos, sendo humilde e ensinando humildade.

 

Enquanto não houver em nós a disposição pelo sacrifício, primeiro a Deus, crucificando nossa carne, resistindo até o sangue contra o pecado, lutando diariamente contra o diabo e não nos conformando a esse mundo, e depois colocando nossa vida a disposição daqueles que nos relacionamos, deixando nossa vontade de lado e sendo luz na vida dessas pessoas, não estaremos aptos a nos tornarmos cidadãos do Reino e continuaremos nossa existência medíocre nessa sociedade medíocre.

 

Que o Espírito Santo de Deus nos ajude, pois não é por força ou vontade humana que seremos transformados, mas é pelo poder de Deus operando em nós.

segunda-feira, novembro 03, 2008

31 de outubro comemoramos 491 anos da Reforma Protestante.



Há exatos 491 anos atrás o monge Martinho Lutero afixa suas 95 teses contra as indulgências da Igreja Católica na porta da Igreja do Castelo em Wittemberg na Alemanha.

É claro que Lutero não foi o único responsável pela Reforma, devemos lembrar de Jan Huss, John Wycliffe, Pedro Valdo, Felipe Melanchton, Calvino, Zuínglio e tantos outros, que se enquadram muito bem no texto de Hebreus como homens dos quais o mundo não era digno.
É com lágrimas nos olhos que penso em como homens comuns, cheios de medos, neuras, sujeitos as mesmas paixões que nós, deixando-se serem usados pelo Espírito Santo trouxeram a liberdade que temos em cultuar a Deus e ler as Sagradas Escrituras.

Sinto tristeza porque nas nossas igrejas essa data está esquecida, sinto tristeza quando valorizamos tantas pessoas em nosso meio por suas belas vozes ou pelos sermões divertidos e deixamos de lado os escritos de homens como esses citados acima, homens que de fato trabalharam pelo Reino de Deus, sinto tristeza quando vejo que estamos pensando tanto em nossos templos, nossas estruturas, nossos ministérios, e deixamos de lado a pregação do evangelho puro e simples. Sinto tristeza porque ser evangélico é algo comum hoje, afinal, qualquer religião é boa para o mundo.

Por fim, sinto tristeza porque não temos coragem de afixar as teses do evangelho no coração das pessoas. Transformamos o dízimo, a presença nos cultos, a participação nos ministérios como indulgências para que possamos entrar no Reino dos céus.

Ainda continuo sonhando com uma nova Reforma, que talvez nem seja como a de 1517, mas que Reforme nossos pensamentos para que se amoldem a Palavra de Deus, que reforme nossos atos, para que demonstremos amor ao próximo, que Reforme o nosso coração para que possamos nos compadecer dos que estão doentes no corpo e na alma.

Mas enquanto houverem homens dos quais o mundo não é digno, e creia, ainda existem tais, ainda há esperança! Enquanto o cálice da ira de Deus ainda não encher-se contra a humanidade ainda há tempo! Enquanto Cristo estiver diante do Pai intercendo por nós (e Ele sempre estará) ainda há salvação!

Celebremos essa data, lembremos de nossos mártires, nos preparemos para a batalha, saiamos pelo mundo levando a mensagem do arrependimento!

quarta-feira, julho 23, 2008

"O perfeito amor lança fora todo o medo."



Matheus Soares.

Esta é uma verdade profunda das Escrituras. Nosso medo de nos relacionarmos é oriundo de uma sociedade que não conhece o amor. São dias em que amor é um simples sinônimo para relação sexual.

Deus disse que seríamos reconhecidos como seus discípulos pelo amor, e o amor bíblico é o amor que envolve sacrifício... sacrificar o ser e o querer pelo outro. Quem está disposto? Sabemos, por exemplo, definir exatamente qual é o nosso temperamento, mas incapazes de mudá-lo 1 milímetro para satisfazer aqueles que amamos, a gente fala que "tudo posso naquele que me fortalece" pra conseguir um emprego, ou uma namorada, ou uma casa, mas a gente não fala que podemos mudar nosso caráter. Preferimos continuar assim, amoldados ao mundo das aparências, mas de interior podre.

Jesus se desprendeu das tradições judaicas não por mera rebeldia, mas porque o amor se coloca acima dos rituais religiosos, acima do dia de descanso, acima da classe social, acima da diferença racial.

Amor é coisa que não se sente apenas, é coisa que se vive, coisa de quem vive! E vive não só pra si mesmo, mas vive pra si e pro outro! Porque amar, é amar a si mesmo... é agradar a si mesmo... é sonhar e realizar pra si mesmo, porque não dá pra amar o outro como a si mesmo se você não está confortável com o que você é.

A gente sonha, divaga, pensa e repensa numa sociedade que seria a perfeita. Quer governantes mais honestos, quer salários justos, quer relações sinceras... Mas a gente pára por aí. Na prática cada um vive do jeito que acha melhor, como se fosse uma ilhazinha no meio do oceano.

O bom samaritano não era bom porque era samaritano, ele era bom porque era bom! Porque se compadecia da situação do próximo, não andava com o nariz empinado, andava olhando pras pessoas.

Relacionar-se é ser feliz sabendo que faz o outro feliz.

Mas enquanto o mundo não muda, é cada um por si e Deus por todos.

sexta-feira, julho 18, 2008

O Espírito já foi derramado.



“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” Joel 2:28-29

O profeta Joel tem uma revelação esplendorosa do grande e terrível Dia do Senhor, o caráter apocalíptico das profecias é latente em todo o livro, e é difícil lê-lo sem pensar nas coisas vindouras. Porém, é digno de nota lembrar que Israel passava por uma grande assolação – em grande parte por seus próprios pecados – e que o Senhor, mais uma vez demonstrando amor e compaixão pelo seu povo deixa maravilhosas promessas.

Fico pensando sobre o texto supra-citado, e penso que esta profecia já se cumpriu! O Espírito já foi derramado no pentecostes, os dons já estão à nossa disposição, mas a Igreja de Cristo parece apática, esperando não-sei-o-que.

Precisamos trazer essa palavra de Deus à tona! É chegado o momento da Igreja sair de trás das cortinas, encarar as portas do inferno frente a frente, usar das armas providas por Deus para essa batalha.

Profetas, levantai-vos! Sonhadores e visionários, apareçam!

Como disse o profeta Joel “Promulgai um santo jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, todos os moradores desta terra, para a Casa do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor.” (1:14).

Amém!

quinta-feira, julho 17, 2008

Prostituta ou virgem?



“Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta.” Oséias 11:7

O profeta Oséias, segundo ordem do próprio Deus, casa-se com uma prostituta, sendo esta a representação do povo de Deus, que constantemente volta os olhos para os benefícios materiais terrenos, e trai o Senhor.

A história de Israel é marcada por ciclos, e extremamente marcada pela graça e misericórdia de Deus.

Os ciclos da história de Israel basicamente são: Deus faz uma aliança com o povo, o povo é abençoado e prospera, no meio da prosperidade o povo esquece-se de Deus e passa a servir outros deuses, Deus então castiga o povo, reivindica sua glória – a qual Ele não divide com ninguém, o povo se arrepende, Deus aceita o arrependimento do povo e restaura a sua aliança. A graça e misericórdia de Deus é marcante na história de Israel pois Ele sempre aceita o arrependimento do povo e dá uma nova chance.

Mesmo não sendo o Israel de Deus, somos o povo Dele, os ramos enxertados. E como o povo de Israel temos a inclinação de nos desviarmos do Senhor e ainda assim continuar chamando-o sem exaltá-lo.

O apóstolo Paulo fala disso em sua epístola aos Romanos, da luta entre a vontade carnal e a vontade do Espírito.

É por isso que temos uma vantagem com relação ao povo de Israel, desfrutamos de uma relação pessoal com o próprio Deus através do Espírito Santo que habita em nós. Por isso precisamos mortificar a nossa carne, nos consagrando a Deus, pelas orações, pelas súplicas, pela leitura da Palavra, pelo jejum, pelas obras de justiça, para que assim, possamos pelo poder do Espírito nos tornarmos testemunhas do Senhor, sabendo que a exigência é alta “Sede santos porque Eu sou santo.”, mas que é possível por Jesus Cristo veio como homem, foi tentado em todas as coisas, mas resistiu, mostrando que é possível viver reta e justamente.

Não podemos deixar que nossa mente se amolde aos padrões desse mundo, mas precisamos ser transformados através do Espírito Santo, para que vivamos uma vida que exalte ao Senhor.

Não podemos ser a prostituta com a qual o profeta Oséias se casou, mas como as cinco virgens que aguardavam ao Senhor com azeite em suas lâmpadas.

quarta-feira, julho 16, 2008

O verdadeiro poder da oração.



Matheus Soares.

“Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã castigado.” Salmo 73:12-14

Uma frase comum em nossos dias é “a oração tem poder”, e mesmo fora dos meios cristãos vários autores tem mencionado e exaltado esse “poder”. Vejamos então uma oração descrita na bíblia e seus efeitos.

O Salmo 73 narra a oração de desabafo de Asafe, e tem um começo altamente deprimente, onde o salmista reconhece que quase caiu da presença do Senhor ao observar as conquistas dos ímpios, chegando a invejá-los. Enquanto estes gozavam do melhor da terra, Asafe diz que a cada manhã era afligido e castigado.

É interessante observar que a partir do verso 17 “até que entrei no santuário de Deus...” acontece uma virada na oração de Asafe, e o salmista começa a enxergar que o fim dos ímpios é a destruição, que não há vantagem alguma em ter os bens dessa terra quando o coração está longe do Senhor e mesmo quando esteve angustiado disse “estou sempre contigo” (v. 23).

No final do salmo, Asafe passa do desabafo ao louvor: “Quanto a mim, bom é estar junto de Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.” (v. 28).

Observemos que a oração de Asafe não o fez prosperar mais, nem o colocou em posições melhores que os ímpios, a oração de Asafe transformou o próprio salmista, que das lamúrias e desabafos passou a exaltação e louvor ao Deus Altíssimo.

A oração não tem poder algum, o poder todo está em Deus, e se a oração tem algum poder é o de transformar a nós mesmos, como Asafe, que reconheceu a grandeza de Deus, a sua dependência de Deus e que vale a pena continuar com o coração puro perante o Senhor, pois “Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (v. 26).

Podemos concluir então que desabafar perante Deus não é errado, assim como Jó e Jeremias também o fizeram, chegando até a amaldiçoar o próprio nascimento, mas que o Senhor espera mesmo é que sejamos sinceros em nossas preces, entrando na presença de Deus, como Asafe fez a nossa vida é transformada, nossos pensamentos são mudados, a paz e alegria que somente Deus pode dar invadem nossa afadigada alma e passamos a louvá-lo e glorificá-lo pelas suas maravilhas.

quinta-feira, junho 26, 2008

Do que a vida é feita.



Ricardo Gondim. (http://www.ricardogondim.com.br)

A vida é um caldo de dores e de alegrias – tem dias que o lamento excede a felicidade. Vivemos no aguardo do "dia mal", aquele, quando não sobram forças para soluçar – ninguém se engane, o "dia mal " é inexorável.

A vida é uma tensão constante entre bons e maus desempenhos – tem dias que nos envergonhamos dos nossos impulsos, da nossa ingenuidade e da nossa paixão desenfreada. Não passamos de “palhaços das perdidas ilusões, cheios dos guizos falsos da alegria andamos cantando a nossa fantasia entre as palmas febris dos corações”.

A vida é uma gangorra entre desejo e decepção – tem dias que as decepções revelam a ilusão dos nossos sonhos. Acordamos e a realidade nos esbofeteia.

A vida é uma guerra entre verdade e mentira – tem dias que nos encantamos com a mentira; depois choramos a nossa ingenuidade. Não contabilizamos a dor da utopia e somos angustiados com a perdição.

A vida é uma corrida entre o presente fugaz e o futuro incerto – tem dias que apostamos no porvir e perdemos. A ampulheta não pára e acabamos atropelados pelo pião do dia-a-dia, que esparrama o restinho da nossa dignidade.

A vida é uma negociação entre coração e razão – tem dias que o coração deixa a razão para trás e atola no areal da solidão. A pouca razão do amor é infantil; suas cartas, ridículas; seus apelos, inconseqüentes.

A vida é um equilíbrio entre céu e inferno – tem dias que incandescemos o hades porque desvalorizamos a inquietação alheia. Com vontade de encontrar a felicidade, desdenhamos a melancolia alheia e o pôr-do-sol da amada. O frio da madrugada egoísta gela toda a paixão.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, junho 24, 2008

O porque do meu pranto.



Pranteio pelas milhares de pessoas que passam fome todos os dias, pelas incontáveis crianças que tem a inocência devastada por mortes e guerras, desabo em lágrimas todas as vezes que penso nos pequeninos maltratados e violentados por homens vis. Não posso conter as lágrimas quando vejo a dor do mundo.

Pranteio por causa de todos os desastres naturais, pelas vidas ceifadas de repente, por causa do agricultor que perdeu sua colheita, por causa do pequeno empresário que perdeu seu ganha-pão. Pranteio ainda por todas as atrocidades do homem com relação à natureza. Pela destruição da camada de ozônio, pela devastação da amazônia, pela extinção de animais que meus filhos nunca poderão conhecer.

Pranteio também pelas milhares de mães e crianças abandonadas por homens irresponsáveis, pelos milhões de órfãos que nascem todos os dias, por todos aqueles abandonados nas sarjetas e lixões, por todos aqueles que foram abortados antes de ver a luz do dia. Pranteio por todos os que nascem ou se tornam deficientes, levarão uma vida difícil.

Pranteio por todos os escravos e quase escravos, que se afadigam de um labor exagerado, são explorados até o limite de suas forças enquanto seus patrões andam de jatinhos e jet-skis. E depois de tanto trabalho ainda encaram filas e mais filas para receber um miserável sustento no fim da vida. É triste ver que os que mais trabalham ganham menos, e os atletas ganham fortunas - e todo mundo aplaude.

Pranteio porque os políticos são ladrões e insensíveis, veêm o povo sofrendo mas apenas importam-se com as suas necessidades. Gastam milhares consigo mesmos, com familiares, com amigos, e o povo passa fome e sofre. Pranteio porque esses vilões acham-se donos do mundo e porque estão acima da justiça.

Pranteio devido a igreja inerte e enfadonha que encheu esse mundo de si mesmo. Pastores e bispos que apascentam a si mesmos, pregam mentiras para o povo, animam os palcos, fazem mega-eventos e mega-shows, falam de evangelismo, falam de amor, mas são todos sepulcro caiado, mortos em si mesmos. Hipócritas, inventam regras e leis para controlar o povo, mas vivem acobertando seus pecados. Choro vendo que a missão da igreja de Cristo é esquecida.

Pranteio ainda porque enfiaram na nossa cabeça que ninguém é insubstituível, que todos somos iguais - igualmente medíocres. É de doer a alma ver que ninguém valoriza ninguém, que o objetivo de todo mundo é usar uns aos outros, seja para alcançar seus objetivos, seja para satisfazer suas necessidades. Usados e descartados somos todos os dias. Todo mundo é comum e igual, quando na verdade todos são especiais.

Pranteio mais ainda quando vejo que estou dentro desse sistema imundo, me despero quando vejo que estou me importando mais comigo do que com os outros, vejo meus problemas e dificuldades e esqueço dos milhões que estão sofrendo. O peso da responsabilidade deveria ser grande sobre nós.

O amor de todos está se esfriando.

Deus! Me ajuda a prantear! Me ajuda a clamar pelos teus pequeninos! Não deixe que eu me torne indiferente!

Pois eu bem sei que a tristeza pode durar uma noite, ou muitas noites, mas mesmo que seja apenas naquele Dia a alegria virá e ficará para sempre.

segunda-feira, junho 09, 2008

Lendo sem ler e escrevendo sem escrever.



Persevero na esperança do verso,
numa vida vivida em prosa,
tentando sempre ser um soneto.

Sufocado, às vezes, pela inerrante gramática,
debruço-me na melodiosa literatura,
e nela encontro o afago para a afadigada alma.

Consoantes e vogais, nem sempre sei usá-las.
Felizes são os que não usam palavras para ferir,
mas constróem frases que tocam o coração.

quinta-feira, junho 05, 2008

Destino



Quisera eu caminhar pelas ruas sem nome,
lá, onde não terei mais preocupações.
Aqui, preso a este corpo, penso:
Porque as simplicidades são tão complicadas?

Regras, leis, não e sim. Faça e não faça.
Canso-me de toda a hipocrisia.
Gostaria de viver... Ah meu Deus,
dá-me essa dádiva.

Não quero apenas os sonhos futuros,
quero o aqui e o agora.
Tão difícil é ser compreendido.
Nesse mundo, pareço estar destinado a carência.

segunda-feira, maio 19, 2008

Não



Álvaro de Campos

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

terça-feira, abril 15, 2008



Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

As misericórdias do SENHOR são a
causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em
silêncio.
Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus
pôs sobre ele;
ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança. Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra, perverter
o direito do homem perante o Altíssimo
, subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor? Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo
tanto o mal como o bem
? Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.

Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR.

Lamentações de Jeremias 3:21-40

terça-feira, abril 01, 2008

1º de Abril, O dia da mentira ??



Heloísa Medina Dias

Não há sentido em se comemorar 1º de Abril como o dia da mentira, uma vez que ela é celebrada e aplaudida por todos, todos os diias. Mas não há problema não é mesmo?! Afinal, caráter e sinceridade nem são levados em conta atualmente !! Prá que dizer a verdade, se posso "distorcê-la" e me sair melhor? É assim que a grande maioria pensa ...Ah, mas é uma brincadeira! muitos diriam. Mas digo que infelizmente é uma "brincadeira" que espelha a realidade, não sei se somente do povo brasileiro, mas enfim, eu realmente gostaria de viver em um mundo onde todos os dias celebrassem a verdade e a justiça. Onde o caráter e a personalidade das pessoas valesse mais do que qualquer outra coisa. Num mundo onde a mentira fosse punida e não festejada. Mas enquanto esse mundo meu, idealizado, não existe ... Celebremos, junto com todos a mentira e a falsidade, o primeiro de abril que acontece todos os dias a todos os indtantes. A falta de caráter e o engano, comemoremos o mundo onde falta além de tudo, um único dia em que só falem a verdade !

Desabamento, dengue e corrupção.



Quem poderia imaginar a atual situação da capital financeira de nosso país? Como se não bastasse o recente desabamento do metrô, mais uma vez os cidadão vêem-se indefesos perante tamanha incompetência, que parece esperar uma tragédia maior para tomar providências. O absurdo é tanto que tem gente sentindo falta do Maluf...

E o que dizer da situação triste do Rio de Janeiro? Em pleno século XXI a população vê-se refém de uma epidemia sem controle, com ações atrasadas e fracas do governo. E o que é mais chocante é que uma doença relativamente fácil de se diagnosticar, com tratamentos amplamente divulgados ainda faça vítimas fatais numa cidade grande. É lastimável.

Enquanto isso governo e oposição batem de frente, discutindo o grande absurdo: quem é mais (ou menos) corrupto. Esse melindre sobre os cartões é só uma desculpa para as brigas políticas de um ano eleitoral. Em nenhum momento há verdadeiro interesse na verdade ou no bem estar da população.

É difícil ter esperanças mediante essas situações. Cercados estamos por governantes corruptos, que preocupam-se única e exclusivamente com seus interesses, desviam verbas de obras, nutrem o descaso pela saúde pública. Nunca interessados em investir na educação do povo, para que, obviamente, os mesmos continuem ignorantes e votando neles. Temos essa herança maldita da exploração portuguesa, a herança de tirar vantagem de toda e qualquer situação em benefício próprio. E isso não está só nos governantes, está no povo, que acomodou-se com isso, dando seu “jeitinho” pra tudo, mesmo que esse jeitinho não seja assim tão “legal”.

Esperamos que os governantes sejam honestos, sinceros, verdadeiros, mas como? Nós mesmos não o somos. Estamos cada vez mais atentos para nossos interesses.

Até mesmo os argentinos, que tantos brasileiros odeiam, saem em defesa de seu próximo. Como não ficar empolgado com o panelaço promovido em frente à Casa Rosada?

Mas nós continuamos aqui, sentados, inertes, querendo apenas saber quem vai ganhar 1 milhão no Big Brother.

quinta-feira, março 27, 2008

Olhai os lírios do campo



Como diria Salomão, tudo é vaidade. Cada vez mais tornamo-nos pessoas vaidosas, os valores estéticos falam cada vez mais alto. Somos consumidos pelo consumismo. Tornou-se tarefa difícil encontrar pessoas satisfeitas com aquilo que são, porque, de fato, são poucas as que tem consciência do que são. A grande maioria tem consciência do que tem, mesmo tendo pouco ou muito, sempre infelizes porque não alcançam tudo que querem, mesmo os que tem muito.

Meninas, moças e mulheres passam horas todos os dias diante de um espelho procurando a aparência ideal. Cada vez mais cedo procuram médicos para corrigir suas supostas imperfeiçoes. Os homens cada vez mais entram nesse mundo. Quem não precisa fazer academia hoje em dia?

A vaidade da aparência caiu como uma luva no capitalismo, não só pelos nichos de mercado, mas porque também criou a vaidade intelectual. Estudar a vida inteira, graduação, pós, mestrado, doutorado, cursos de inglês, espanhol, chinês, cursos de especialização. O que dizer dos meios de comunicação? TV, celular, internet, recebemos uma enxurrada de informações todos os dias. Estamos no ponto de que uma criança tem mais informações do que um idoso a 30 anos atrás. Será que isso tudo é realmente bom?

Nem a fé e a religião são mais alicerces para uma vida sadia, transformaram-se em meros instrumentos para aqueles que galgam o sucesso.

Acabamos ficando neuróticos quando falta-nos atividades. Não conseguimos mais aproveitar tardes e noites preguiçosas, se cochilamos estamos perdendo tempo que deveríamos investir em nossas outras valorosas tarefas.

Tornamo-nos escravos, não amigos, uns dos outros. Sempre preocupados no que pensarão, no que dirão, se estamos agradando, se não estamos. Nos frustramos porque é impossível agradar a todos sempre.

Não é de se espantar que nossos dias parecem tão curtos.

Fico pensativo sobre as palavras de Jesus, "olhai os lírios do campo", ou "não andeis ansiosos por coisa alguma" ou "basta a cada dia o seu próprio mal".

Diante disso quero tomar algumas resoluções, que visam manter minha saúde mental:

- NÃO vou me vestir conforme os seus padrões;
- NÃO vou viver conforme seu estilo de vida;
- NÃO vou me preocupar com todas as suas opiniões;
- NÃO vou me guiar somento por aquilo que você pensa;
- NÃO vou engolir tudo quanto é informação;
- NÃO vou ser seu escravo, quero ser seu amigo;
- NÃO vou usar a fé como ferramenta, mas como base pra vida.

e

- VOU olhar os lírios do campo, a beleza da criação;
- VOU me vestir da maneira que achar mais confortável;
- VOU me preocupar com as coisas de amanhã, amanhã;
- VOU esperar o tempo para todas as coisas;
- VOU me dedicar às pessoas, não às coisas;
- VOU descansar;
- VOU amar.

Eu poderia enumerar muitas outras coisas nessa lista, mas seria imensa, e acredito que o importante é tentar procurar o equilibrio em cada uma das nossas atitudes.

Quer olhar os lírios do campo comigo?

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Adeus Fidel. Será que sentiremos sua falta?



Começo dizendo que o Sr. Castro ainda não morreu, mas aos poucos sua figura no cenário político mundial perderá força, por isso o adeus pode ser algo prematuro, tendo em vista que suas opiniões e possíveis discursos ainda continuarão tendo um peso para o mundo enquanto estiver vivo.

Porém, sua força política, com a recente renúncia ao poder, foi bastante reduzida, o companheiro Fidel deixa de ser um articulador para apenas ser mais um influenciador nesse vasto mundo de ideais e idealizadores.

Eu nào sei dizer se o mundo sentirá a falta de sua força política, nem ao menos se isso será bom ou ruim, para Cuba e para o globo terrestre. O que sei é que poucos realmente conhecem a Revolução idealizada por Fidel, poucos conhecem de fato sua história, poucos tentam compreender a mente de um homem que por vezes pode soar como um gênio e tantas outras vezes como um louco.

O que posso imaginar é que Cuba, talvez, torne-se um país mais livre, menos totalitário e até mesmo capaz de abandonar o socialismo (isso, obviamente, daqui um bom tempo e também não sei se isso é bom). Também imagino que para o presidente Bush e para os EUA, uma pedra no sapato foi removida, pois são poucas as vozes de peso que tem coragem de afrontar os interesses do império norte-americano como a de Fidel. Já imagino os banquetes e festas que a Casa Branca tem vivido desde o anúncio de sua saída.

Seguindo os passos de quase todas as grandes figuras históricas, Fidel Castro não deixa um líder à sua altura, tendo em vista que seu irmão Raúl Castro parece-me tímido e acanhando em assumir o poder, e isso me parece um grande precedente para uma mudança nas próximas eleições.

O companheiro Lula deve estar-se sentindo um tanto quanto desamparado pois desde meados dos anos 80 mantém boas relações com o ex-presidente cubano. E isso também sentirão Chavez e Morales da vida.

Talvez a saída de Fidel signifique a possibilidade de uma maior abertura para o turismo cubano, um precedente para uma liberdade religiosa maior. Com relação a isso temos motivos para estarmos felizes com a possível situação.

Pode parecer ridículo, considerando as loucuras do ex-chefe cubano, mas sentirei falta de sua influência. Sentirei falta de alguém apontando os erros norte-americanos e afrontando, sem medo, seu domínio. Mas fico feliz em imaginar que os irmãos de Cuba terão mais liberdade.

O mundo sentirá falta de Fidel? Eu não sei, sei que eu sentirei. E isso não quer dizer que achei ruim sua saída.

Viva La Revolución!

domingo, dezembro 23, 2007

Nós e a manjedoura



Quando pensamos na cena do nascimento de Jesus a nossa mente é povoada pelas representações natalinas, peças teatrais, cantatas, filmes, desenhos e ilustrações. Os presépios são lindos, e eu sou um dos admiradores de tais obras de arte. Porém, se deixarmos de lado essa arte e pararmos para pensar na situação real, nos fatos daquele acontecimento, passaremos a ver a grandeza de nosso Deus.

Imagine você, sendo um pai ou uma mãe, com seu filho prestes a nascer, mas tendo a vida dele ameaçada por um governante maluco, numa época de barbáries sem tamanho, e ainda não achando um lugar adequado para que a criança nasça, nem uma maternidade como estamos acostumados, muito menos um lugar limpo. Imagine ainda que seu filho é a promessa máxima do Todo-poderoso para a humanidade, a única esperança de um povo assolado pela falta de esperança. O único lugar disponível foi uma estrebaria, isto é, um estábulo, em meio aos animais, em meio à sujeira. Não havia cama, mas apenas uma manjedoura, e a manjedoura nada mais era do que o local onde serve-se a comida para os animais, com certeza não é um lugar propício para um recém nascido.

Foi assim que o Rei do Universo habitou esse corpo mortal. Para o mundo isso é loucura, mas para nós esperança. Um rei que nasceu num curral, teve pais humildes, cresceu como carpinteiro, teve por amigos pescadores, prostitutas, mentirosos, traidores, violentos, cegos, coxos, leprosos, cobradores de impostos. Por várias vezes ele não tinha onde repousar. Viveu sendo perseguido e acusado. Sempre submeteu-se a vontade do Pai, nunca usurpou um posto que não era seu. Foi fiel até o fim, e mesmo sem pecados morreu pendurado num madeiro.

Como o Apóstolo Paulo disse, essa mensagem é loucura para o mundo, mas é preciosa para nós. Deus confundiu a sabedoria do mundo, usou as coisas loucas para mostrar seu poder e derrubou de vez todos os preconceitos da humanidade.

A imagem da manjedoura acompanhou toda a vida de Jesus, sendo este o lugar que ele ESCOLHEU nascer, para que assim mostrasse ao homem que Ele não se importa com a aparência, que Ele não liga para o conforto e que mesmo a mais inóspita manjedoura pode vir a ser o lugar onde o Salvador nasce, bem como os nossos corações, manchados e infectados pelo pecado, não tem bem próprio algum, sendo nós totalmente indignos do nascimento do Rei dos Reis, mas Ele, com seu infinito amor nos diz que nada disso importa, pois Ele mesmo escolheu habitar em nós. Através do Espírito Santo somos feitos iguais àquela manjedoura.

Deus poderia ter escolhido qualquer beleza para habitar, mas Ele nos escolheu. E quando o recebemos somos feitos semelhantes à sua imagem, e a vida devassa que vivíamos é agora uma bonita obra de arte, como as manjedouras dos presépios. Somos agora filhos de Deus, amigos Dele, irmãos do Senhor.

Que nesse natal nosso coração seja como aquela singela manjedoura de Belém. Humilde, mas aberta para acolher nosso Salvador.

Tenham um natal coberto pela maravilhosa graça de Deus.

domingo, dezembro 16, 2007

Salmo 23



O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.

Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O credo que creio



1. Creio em um único Deus. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Este Deus age através de três pessoas, compartilhando da mesma essência divina de forma tão miraculosa que minha mente humana é incapaz de compreender em sua plenitude.

2. Creio na bíblia como única regra de fé e prática - sem exceções. Repudio doutrinas estranhas a elas, mesmo que um anjo do céu as apresente. Quem prega algo além deste livro para mim é anátema.

3. Creio em Jesus Cristo, como o Filho de Deus, como pessoa da Trindade, como sendo o próprio Deus. Creio na totalidade de sua natureza divina assim como creio na totalidade da sua natureza terrena. Creio ser este um mistério também ininteligível para mim. Creio no seu nascimento de uma virgem, creio nos seus milagres, creio no seu sacrifício em meu lugar, creio na sua ressurreição, creio no seu reinado.

4. Creio na proteção divina. Enquanto estou em Cristo, sou Dele. O maligno não me toca de nenhuma forma, a não ser que o próprio Deus assim o permita como o fez com seu servo Jó. Nada pode me separar do amor de Deus. Creio que mesmo quando peco continuo sendo filho de Deus e esta condição só pode ser quebrada caso eu apostate da fé - seja por vontade própria, seja por levar uma vida pecaminosa distante da vontade de Deus.

5. Creio na provisão divina. Tudo o que tenho provém do Pai. Tendo o que comer e com o que me vestir estou contente. Não barganho com Deus. O que dou para sua obra faço de coração, não com desejo ganancioso de "colher frutos" terrenos desse ato.

6. Creio no poder e ação do Espírito Santo. Creio nos dons, sejam miraculosos ou naturais. Tudo provém da boa mão de Deus. Creio que os crentes em Cristo Jesus são os templos onde o Deus Espírito Santo habita, não em templos feitos por mãos de homens.

7. Creio na Santa Igreja Universal, que não é nenhuma denominação, mas sim constituída por todos os santos de Deus na terra, que fazem da sua vida uma oferta de louvor agradável ao Senhor, amando-O e amando seu próximo como a si mesmo. Esta Igreja é o instrumento da expansão do Reino de Deus na terra.

8. Creio, ainda, que nenhuma nação é superior a outra, isto é, Deus não considera uma ou outra melhor para fazer sua obra. Não posso conceber moveres especiais de Deus aqui e acolá. Isso é apenas soberdade de pessoas que supões que números expressam a ação divina.

9. Creio que é tarefa do cristão amar sua nação, acolher seu povo, lutar pelos que sofrem, buscar a paz.

10. Creio na vida eterna em Cristo Jesus, creio na Nova Jerusalém que descerá do céu, creio na purificação do nosso corpo e creio no julgamento divino.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Credo da Santa Igreja Evangélica Brasileira



1. Cremos na bíblia como única regra de fé e prática, desde que esta não conflite com as grandes revelações divinas dadas a nossos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, ministros de louvor e todos quantos afirmarem que receberam revelações do Senhor.

2. Cremos no grande e maravilhoso poder da oração, cremos que aquilo que determinarmos Deus torna-se obrigado a cumprir, cremos que nossa sabedoria é altamente suficiente para julgar e saber daquilo que precisamos.

3. Cremos que todo dinheiro ofertado e dizimado serve como moeda de troca para as bençãos de Deus, pois Ele é obrigado a nos abençoar em muito mais aquilo que damos. Não devemos simplesmente ofertar com o coração, mas esperando o retorno - que é certo.

4. Cremos que todo aquele que autodenomina-se evangélico faz parte da Igreja de Cristo, portanto proibimos qualquer palavra, crítica ou julgamento contra estes, mesmo que estejam errados e levando muitas pessoas ao erro - somos todos filhos de Deus.

5. Declaramos que todo apóstolo, pastor e ministro de louvor evangélico é intocável, são ungidos do Senhor, e isto significa que aquele que ousar criticá-los é amaldiçoado por Deus. Cuidado com o que fala.

6. Cremos que somos a igreja do avivamento, que há um mover profético sobre a nossa nação, apesar das práticas aparentemente estranhas àquelas ensinadas por Jesus - lembre do primeiro ponto desta declaração. Não precisamos de arrependimento, somos praticamente perfeitos.

7. Cremos que Deus cada vez mais se agrada com nossos templos suntuosos, portanto todo esforço para arrecadar verbas nesses sentido é válida. As práticas marqueteiras devem ser incentivadas. Afinal, os templos são as casas de Deus, somente lá ele se revela para nós, santos evangélicos brasileiros. As reuniões em casas ou células são apenas um instrumento para que as pessoas cheguem aos templos, afinal, isso é a igreja.

8. Cremos no poder dos atos proféticos, mesmo que pareçam estranhos em relação à Bíblia. Não tenham medo de profetizar (não importa se você tem o dom de profecia ou não). Assim como alguns parcos exemplos bíblicos do que chamamos de atos proféticos podemos fazer o mesmo. Não se preocupe em saber a vontade de Deus, lembre-se, você é quem determina.

9. Cremos nas mais variadas manifestações do Espírito Santo: falar em línguas, profetizar, cair, subir nas paredes, rastejar, estribuchar, andar em quatro patas como um leão, rir descontroladamente. O importante é o que você sente.

10. Cremos que somos a verdadeira igreja de Cristo sobre a terra. Vamos escarnecer sobre qualquer outra religião (espíritas, católicos, budistas, etc) pois estes são filhos do diabo, porém nós, em todas as nossas ramificações somos filhos de Deus.



Lembramos a todos que perseguiremos os críticos, hereges e inconformados. Proibimos que deêm voz a estes em nossos templos. É melhor que os afastem de todas atividades que exerçam. Estes só sabem nos julgar e suas discussões são infrutíferas para nossos objetivos.

Oremos para que Deus pese sua mão sobre estes que são contra nós. E como nossas orações são determinantes cremos que serão humilhados e esmagadados. Somos mais que vencedores.


É em nome daquele que deseja que sejamos reis nessa terra que proferimos estas palavras.

Amém!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Credo Apostólico



Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.

Aprendendo a pedir



"Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." João 5:7-14

É normal que almejemos as bençãos de Deus, mas será que temos sido dignos de tais graças?

Esse discurso de Jesus nos ensina alguns bons princípios para isso.

- Primordialmente precisamos estar em Cristo, como ramos da Videira Verdadeira.
- Permanecer em Cristo significa conhecer e praticar suas palavras.
- Estar em Cristo glorifica ao Pai, e para glorificar ao Pai é tarefa nossa produzir bons frutos (Frutos dignos de arrependimento, frutos de justiça, fruto do Espírito e frutos da nossa evangelização).
- Em Cristo, gozamos do seu amor por nós, e para estarmos continuamente nessa condição é preciso guardar seu mandamento e seu mandamento é tão somente amá-Lo e amar ao nosso próximo. O mandamento é simples mas vivê-lo é tão difícil a ponto de ter de abrir mão da própria vida em favor de nosso próximo.
- Estando em Cristo tornamo-nos seus amigos. Quão grande dádiva podemos desfrutar! Entretanto a amizade com Deus exige que o obedeçamos.

Até que ponto nossa fé em termos nossos pedidos atendidos por Deus nos leva a viver uma vida frutífera, amorosa, obediente e transformada pelo poder do Espírito Santo?

Oremos para que o Senhor transforme o nosso querer e impulsione o nosso realizar, assim seremos a cada dia mais parecidos com Sua imagem.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Salmo 1



Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.

Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.

Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha.

Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos;
porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à ruína.

Como tudo seria mais fácil...



É quase inevitável imaginar como tudo seria mais fácil se eu fizesse as coisas de forma diferente...

Se eu fosse conformado com a mediocredade...

Se eu fosse uma pessoa política...

Se eu fosse menos exigente...

Se eu fosse mais maleável...

Se eu escrevesse textos de auto-ajuda...

Se eu promovesse as coisas boas que faço (se é que as faço)...

Se eu seguisse a multidão...

Se eu falasse sempre pensando em agradar as pessoas...

Se eu fizesse joguinhos emocionais....

Se eu usasse minha influência para meu próprio benefício...

Se eu me calasse...

Se eu me amoldasse...

Porém, opera em mim algo maior, algo que me impele a ser diferente. Como alguém já disse, os maus dominam quando os justos se calam. Não posso escolher o caminho mais fácil. Isso não quer dizer que eu não erre, mas erro procurando o bem, erro justamente porque procuro evitar o erro e o engano daqueles que amo.

Pago com isso alguns preços. O preço de não agradar todo mundo, talvez até agrade apenas uma minoria, pago com noites pessimamente dormidas, pago com enfermidades oriundas de stress. Tristemente as pessoas são quase incapazes de ver isso.

Mas minha esperança e fé, miraculosamente, são fortalecidas a cada dia. Cada momento é uma experiência nova de êxtase em Deus. Suas maravilhas e seu cuidado me cercam, a ponto de ter paz no meio da guerra.

Hoje, basta-me ter a mente tranquila guardada em Cristo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Os monges de Myanmar



"Nós não somos de nós mesmos; portanto, não façamos nosso alvo a busca daquelas coisas que nos sejam agradáveis; nós não somos de nós mesmos: portanto, até onde nos é possível, esqueçamo-nos, e as coisas que são nossas. Por outro lado, somos de Deus: portanto, que a sua sabedoria e vontade presidam sobre tudo que é nosso. Nós somos de Deus: a Ele, como único legítimo alvo, sejam dirigidas nossas vidas em todos os seus aspectos." João Calvino

Myanmar é um país pobre do Sudeste da Ásia, país este marcado em toda a sua história por guerras e banhos de sangue. A violência parece ser algo comum a história de tão sofrido país. Já enfrentaram do temido Gêngis Khan ao poderoso império britânico. Hoje é um país dominado pela amarga ditadura.

O atrativo a Myanmar foram sempre suas riquezas naturais, e por fim o cobiçado petróleo.

Nesse interim é que novamente na história os monges budistas se levantam contra o dominío totalitário e autoritário de seus governantes, incorporando em si mesmos a frase "sê como o sândalo que perfuma o machado que o fere", pois suas manifestações são pacíficas, mas mesmo assim tornam-se como ovelhas num matadouro, sendo torturados, mortos e presos.

É tempo de deixarmos de lado nossos recalques religiosos, que nos levam a desprezar tudo que é feito em outras religiões, e passarmos a olhar os seres humanos que sofrem. Se não estamos fisicamente lá, precisamos clamar para que Deus intervenha na história dessa gente sofrida, clamar para que haja paz e justiça social, clamar para que seu amor seja derramado sobre tantas vidas que diariamente convivem com o terror.

Sabemos que esse povo precisa mais do que a libertação política, a libertação que Cristo proporciona. Oremos para que Deus abra as portas à pregação do Evangelho, oremos para que Deus use seus servos nesse país, fazendo assim Seu glorioso nome conhecido. Busquemos o favor Daquele que pode todas as coisas.

Esses monges budistas parecem como pedras que clamam, num mundo depravado e corrompido, eles se levantam, com a imagem residual de Deus que resta sobre todo homem, possibilitando, que mesmo mortos em seus pecados, pessoas ainda sejam capazes de obras de justiça.

Que o Deus da paz seja o Deus do povo de Myanmar.

"Deus se compadeça de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós, para que se conheça na terra o seu caminho e entre todas as nações a sua salvação." Salmo 67:1-2

Que sejamos revestidos pelo amor, que é o vínculo da perfeição.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Não quero ser da "Geração que dança"



Tudo bem, sou um ranzinza precoce, chato, etc. Isto é fato, e não me importo com esse rótulo. :)

Mas não posso me calar quando vejo tantas e sucessivas imbecilidades em nome de Deus. Parece que vivemos num meio evangélico anestesiado, conformado e estagnado. Todo mundo aceita tudo e ninguém, ao menos, questiona o meio gospel. Vemos que tudo está no mesmo balaio, coisas boas, ruins, coisas que fazem sentido, coisas que não tem sentido nenhum.

A nova coqueluche é essa música "Geração que dança". Música gostosa para ouvir e boa para o propósito dela, dançar, balançar o esqueleto, pular. Para os jovens e adolescentes é um prato cheio, pois estes são continuamente reprimidos com regras tolas de que somente devem ouvir e apreciar coisas do mundo gospel. Tudo que é feito com o nome de Deus, por evangélicos, é bom, o resto é lixo e obra do diabo. Diante dessa repressão abriu-se um nicho de mercado, focado em criar músicas que fazem o povo pular e dançar sem culpa, sem precisar recorrer para as coisas mundanas.

E qual é o grande problema disso? Simplesmente o fato de que para encaixar essa necessidade nas músicas, a Palavra de Deus é barganhada por um mísero prato de lentilhas. Analisando o caso dessa música, gostaria de saber onde a bíblia diz que seremos a geração que dança, ou de que existe uma geração que dança... Ah, mas Davi dançou perante a Arca, Miriã dançou, fulano dançou. Tudo bem, são fatos bíblicos, o que não quer dizer que sejam regras de culto, mas que simplesmente demonstram a alegria dessas pessoas, além é claro da bagagem cultural judaica, que inclui a dança.

Meu problema não é com a dança, mas com a letra sem sentido da música. Jesus nunca disse que marcaremos uma geração com danças, nem que nossas músicas farão alguma diferença, mas que seríamos conhecidos pelo nosso amor, pela nossa misericórdia, pela nossa fidelidade, pela nossa fé. Que devíamos ser sal da terra e luz do mundo, porque através de nós seria levada a revelação de Deus aos homens. Através da igreja o mundo deveria ser guiado em justiça e retidão. Pregaríamos as palavras de arrependimento e vida eterna - isso marca uma geração.

Porém, o que vemos é que mais temos músicas parecidas com as ivetes sangalos da vida, que os "ministros de louvor" tem mais jeito de gugus e faustões do que de servos de Deus. O que vale é animar o bando.

O povo evangélico, a cada dia que passa, cria mais comichão nos ouvidos para ouvir "mestres" que falam aquilo que eles gostam, que os fazem dançar e cantar, mas que não ousam criticar o seu estilo de vida, que não falem de pecado, que não toquem na palavra arrependimento. Mas querem ser tocados em seus sentimentos, querem achar que sua euforia ou lágrimas são a presença do Espírito Santo. Não devemos nos enganar, no fim, é tudo meramente carnal.

Com tudo isso a verdadeira espiritualidade - expressa através do Fruto do Espírito, das obras de justiça, dos sinais, do testemunho cristão - vai para o ralo, escondida e acuada, não tem espaço perante a mídia evangélica que está focada nos grandes preletores e artistas musicais.

Não, eu não quero ser dessa geração que dança, pois é uma geração que está dançando perante os conglomerados comerciais do meio gospel, dança perante a omissão da Igreja nas causas sociais, dança enquanto em cada esquina uma pessoa pede esmolas, dança enquanto nos becos as mulheres se prostituem, dança ao mesmo tempo em que meninos e meninas entram para o mundo das drogas. Eles dançam para satisfazer suas vontades carnais, para divertir-se, não para servir a Deus.

Eu quero ser da geração que dá a vida pelos seus amigos - não há amor maior - da geração que alimenta os famintos, da geração que visita os enfermos e presos, da geração que demonstra o amor a Deus cuidando de seu rebanho, da geração que combate o pecado, o mundo e o diabo, não com danças e triunfalismo barato, mas com atos de amor.

Infelizmente é muito mais fácil dançar e pular dentro dos templos evangélicos do que fazer diferença num mundo caído e contaminado pelo pecado.

Este é meu apelo: Pregadores, pastores, bispos, padres, cléricos, obreiros, apóstolos, missionários, ministros de louvor, líderes, servos, parem de enganar as ovelhas de Deus! Preguem a Palavra, a tempo e fora de tempo! Preguem o arrependimento! Preguem a fé! Preguem a santidade! Componham músicas que expressem os atributos de Deus e sua imutável Palavra! Levem a mensagem do Evangelho, que é Graça sobre Graça, não leis caducas de homens! Amem a Deus, amem a si mesmos, amem ao próximo.

Jovens e adolescentes, dancem, cantem, pulem, vibrem, mas saibam que isso é bom como entretenimento, não tenham medo de apreciar a arte, seja ela evangélica ou não, mas observem tudo e retenham o que é bom. Porém, saibam que isso não é algo que vai nutrir o seu relacionamento com Deus, o que nutre esse relacionamento é jejum, oração, leitura e meditação da Palavra, fé, esperança, amor.

No lugar de "tirar os pés do chão e dançar" deveríamos nos ajoelhar e clamar pelo mundo que jaz no maligno. Deveríamos nos calçar com a preparação do Evangelho, anunciando o arrependimento e a chegada do Reino.

Que Deus nos ajude.

terça-feira, setembro 25, 2007

O porque do amor



Deus criou tudo, do nada. E criou de forma progressiva. Criou observando que o que era criado era bom, bom não para Ele, mas bom para a coroa da criação, bom para o homem. Toda a criação foi destinada às mãos do objeto do amor de Deus, o homem. Deus entrega o universo nas mãos do homem, porque Ele amou o homem. Deus não ama a criação, Deus ama o homem e porque Ele ama o homem a criação expressa o seu amor, para com o homem. A revelação de Deus passa, obrigatoriamente, pela criação, porque ela foi justamente criada com esse propósito.

A lei, os profetas, o Cristo, a Palavra, o Espírito, tudo demonstra o grande amor de Deus para conosco, a ponto de que até mesmo Seu único filho ter sido entregue por nós. A história da humanidade demonstra que desde o princípio Deus quer apenas relacionar-se de forma sadia com o homem, quer que o homem veja o seu cuidado em todas as coisas, quer que o homem confie Nele.

E porque Deus é amor, e porque ele ama o homem, tão somente ele pede a seus filhos que também amem o objeto de Seu amor, o homem. Se dissermos que O amamos devemos amar aqueles a quem ele ama. E porque para com Deus não há acepção de pessoas, devemos amar os pecadores, os soberbos, os altivos, os homicidas, os roubadores, os estupradores, os homossexuais, os bêbados, os humildes, os bons, os maus, os justos, os injustos. Porque Ele mesmo nos mandou seu filho, ainda quando éramos injustos, e Ele mesmo nos justificou. Nos mandou seu filho, quando éramos naturalmente contrários a Ele, nos tornando filhos. Nos deu o Cristo quando éramos desgraçados, mas agora alcançamos graça.

Por isso o relacionamento com Deus nada tem a ver com um sistema religioso, mas com amor. Paulo diz que podemos fazer coisas grandiosas, ter dons maravilhosos, mas se a essência não for o amor é tudo sem sentido.

Então, resta-nos a fé, a esperança e o amor, porém o maior dos três é o amor.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Deus tem grandes coisas para ti...



Nuno Barreto

Estou um bocado cansado desta frase. É um dos chavões que é lançado ao ar sem se pensar se é verdade ou não. Suspeito que tenha origem nas modernas doutrinas da prosperidade. Na minha opinião, a frase não tem qualquer fundamento bíblico. E se Deus não tiver grandes coisas para mim? Porque não podem ser pequenas? Temos de ser todos grandes? Qual é o mal se tiver pequenas coisas para mim? Tenho menos valor por causa disso?

Depois vêm logo as respostas: Olha a vida de Moisés, Abraão, ou de David. Eles não eram nada, mas Deus tinha grandes planos para eles. OK, isso até é verdade. Mas e os outros milhões que existiram na altura de Moisés e de David? A verdade é que Moisés só havia um, para os outros não havia nenhuma expectativa de serem como Moisés. E por outro lado, se o povo judeu chegou onde chegou, não foi só por causa de Moisés, mas de todas as pessoas que compunham o povo, os que estavam em grande plano, e os que não estavam.

O problema deste tipo de bufas teológicas, é que são criadas falsas expectativas na mente das pessoas, e ainda por cima damos a imagem que a pessoa só tem valor se for como Moisés, ou David, ou outro da família deles.

Deus ama toda a criação (incluíndo animais, plantas, e até calhaus), e isso é suficiente para todos termos valor. Ninguém é menos que o outro só porque os planos de Deus para ele são diferentes dos planos para o outro. Temos de acabar de uma vez por todas com essa ilusão de que só algumas tarefas são importantes. No fim, tudo contribui para o reino de Deus.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento!



"Já por carta vos escrevi que não vos comunicásseis com os que se prostituem; com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem sequer comais. Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós." I Coríntios 5:9-13

Palavras deveras fortes do Apóstolo Paulo, que continuamente são renegadas pela Igreja. Somos, a cada dia mais, complacentes com os lobos que se infiltram no meio das ovelhas, que são cheios de palavras bonitas, cheios de dons e cheios de si mesmos. Esses que entram na casa de mulherezinhas carregadas de pecados para aumentar ainda mais sua desgraça. Os mesmos que são cheios de religiosidade, moralismo, legalismo e toda sorte de leis humanas, que sobrecarregam o povo com um peso que eles mesmos não suportam.

Cristãos medrosos que aceitam tudo porque "não devemos julgar", e dizendo que um exército não pode lutar contra ele mesmo. Esquecem-se de advertências duras e severas quanto àqueles que dissimuladamente procuram fonte de lucro na fé.

Paulo não fala para que os coríntios apenas esperem e orem, mas que tirem estes de seu meio, que nem ao mesmo assentem-se na mesma mesa.

Infelizmente chegamos a um ponto onde é dificílimo até mesmo separar os verdadeiros dos falsos, visto que as igrejas cada dia mais especializam-se em formar crentes estereotipados e não mais pessoas que sejam reconhecidas como cristãs por sua piedade, por sua fé e por sua misericórdia.

Vivemos a época das belas músicas e da hipocrisia.

Ninguém mais quer ser santo como Ele é santo, ninguém mais tem coragem de dizer "sede meus imitadores como eu sou de Cristo", ninguém mais quer ser exemplo de procedimento e se tornar padrão para os fiéis.

Tenho por certo que o amor de Deus e sua maravilhosa graça é capaz de transformar o mais pobre pecador. Sou consciente de que devo amar até mesmo os inimigos. Mas não posso fazer estas coisas e deixar as outras de lado. Tudo faz parte da palavra de Deus e eu simplesmente quero ser simples como a pomba e prudente como a serpente.

Luto contra a mentira, por amor àqueles que não merecem ser enganados.

Senhor, tenha misericórdia tanto de minha vida, quanto da vida de meus amados irmãos. Vivemos tempos difíceis. Somos assolados por todos os lados, até mesmo por perturbadores da tua santa Igreja, mas cremos na tua palavra - as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dá-me continuamente o dom de discernir os espíritos, a sabedoria e acima de tudo o amor. Que meus irmãos me imitem assim como eu imito a Cristo. Em nome de Jesus. Amém.

Teus altares



João Alexandre

Quão amáveis são os Teus tabernáculos,
Senhor dos Exércitos!
A minh'alma suspira e desfalece pelos Teus átrios!

O pardal encontrou casa,
a andorinha ninho para si...
Eu encontrei Teus altares,
Senhor Rei meu e Deus meu...

Bem-aventurados aqueles que habitam em Tua casa...
Pois um só dia, Senhor, nos Teus átrios, vale mais que mil...

Pois o Senhor é sol e escudo, dá graça e glória!
Não negará bem algum aos que vivem corretamente...

domingo, setembro 09, 2007

Santo lugar



Há de ter um lugar, onde o tempo há de parar.
Onde a paz se faz real e o irreal amor não há não.
Sei que há, pois Deus diz e eu não posso duvidar.
Mesmo que eu não possa imaginar,
Espero em ti, assim espero.

Aleluia, Aleluia, no céu eu vou morar...
Aleluia, Aleluia, pois Cristo vem me buscar.

Há de ter um lugar, onde lágrimas não rolarão,
Fracassados os dias maus da vida em caos
Jamais terei, pois.
Num lugar, santo lugar onde o inimigo ausente estará,
Face a face a Cristo verei
e muitos verão por isso eu canto.

Aleluia, Aleluia, no céu eu vou morar...
Aleluia, Aleluia, pois Cristo vem me buscar.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Religiosidade sufocante



Domingo à noite fui religiosamente ao nosso culto, porém, senti-me estranho, demasiadamente afastado daquilo tudo. Lutei para que meus olhos não olhassem mera religiosidade. O som alto demais incomodava minha alma. A grande sequência de músicas emudeceu meu canto. As obrigações de tesoureiro consumiram boa parte de meu tempo - e paciência. Após o culto tivemos uma pequena reunião de jovens em casa, tratamos de assuntos relacionados à juventude da igreja. Me expressei, mas não me sentia no clima. Segunda-feira mais uma reunião, desta vez com líderes da igreja, algumas resoluções, mais palavras, e até que falei bastante. O restante da semana foi mórbido, muito trabalho e muito cansaço.

Deixo claro que meu compromisso com Deus e minha experiência de Deus continuam ótimas, sinto-me descobrindo os mistérios de meu Pai, e Sua alegria tem me fortalecido. O fato é que a vida religiosa tem me consumido, os compromissos, o ambiente, as pessoas, os títulos, os cargos, sinto que tudo isso desvia as pessoas da Verdade, e a mim próprio.

Aquilo que tenho visto na Palavra de Deus como vida cristã soa como uma aberração para o meio evangélico que vivo, e a cada dia que passa sinto-me mais fraco nessa luta por mudanças. Pareço um menino que sonha em ser astronauta, mas que quando cresce e enxerga a realidade cai em si. Alguns teimam em me dizer que luto por coisas que não são importantes, que minhas discussões são vãs, mas o que farei se é isto que vejo quando penso em Deus? O que farei quando a bíblia me revela coisas tão lindas e maravilhosas que não posso mais engolir a falsa espiritualidade de hoje? O que farei se meu desejo é pastorear as ovelhas de Deus, sem me preocupar com os rituais que denominações ou religiões exigem?

Tão somente almejo transmitir uma espiritualidade verdadeira, mostrar que podemos ser sinceros sobre o que somos e como vivemos nossa religião. Porém estou cercado por grades religiosas, onde os bons são aqueles que tem maravilhosos dons e chamados, que gostam de ocupar os primeiros lugares, mas que não tem idéia do que é amar. Estou cansado da soberba espiritual, da falsa modéstia, da ganância. Estou cansado das estruturas religiosas, das justificativas para baixar o padrão de evangelho.

Minha frustração é passageira, como já veio e foi outras vezes. Mas a dor é real.

Senhor, têm misericórdia de mim, pecador. Mantenha minha mente sã perante as frustrações. Minha fé está em ti, e porque o Senhor nunca se abala, ela permanece e permanecerá. Mostra-me o caminho do amor. Que eu possa te amar cuidando das Tuas ovelhas. Amém.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Amor ao próximo ou ao ministério?



É imprescindível que um verdadeiro cristão participe dos ministérios da igreja.

Quem disse isso, o homem ou Deus?

Embora seja algo comum, e consideremos coisas louváveis dentro das nossas comunidades evangélicas, o amor aos ministérios tem se tornado o veneno da espiritualidade cristã.

Calma, explico.

As ocupações nos ministérios, muitas vezes, tem servido como alívio de consciência das pessoas em relação ao seu "compromisso" com Deus. Comparecer a uma ou duas reuniões na igreja durante a semana, participar de um ou dois ministérios, e... é isso. As justificativas são, às vezes, até louváveis. "Deus me chamou para isso", "Esse ministério leva as pessoas à presença de Deus" ou "Estamos alcançando as pessoas com esse ministério". Porém como diz o ditado, "nem tudo que reluz é ouro" e contrariando o pensamento maquiavélico de que "os fins justificam os meios" é necessário alertar a igreja sobre esse ativismo, que nada tem a ver com espiritualidade genuína, mas com um modelo de igreja que não é bíblico e está gradativamente levando as pessoas a uma robotização de comportamento.

O evangelho do Reino de Deus nunca foi relacionado a uma instituição física, mas tinha - e tem - a sua base no amor. Amor a quem? A Deus e ao próximo. Alguns afirmarão que os vários ministérios de nossas comunidades estão demonstrando o amor das pessoas. De fato, demonstram isso mesmo, mas a cada dia que passa estão mais longe do amor a Deus e ao próximo. As pessoas tem amado seus ministérios, tem amado seus dons, talentos e chamados, tem amado o sucesso que alcançam.

A constatação de que isso tem se tornado um veneno para a espiritualidade é que cada vez menos as pessoas tem dado importância para suas práticas - que deveriam ser diárias - como ler a bíblia, orar, meditar na Palavra, jejuar, mas em compensação são fiéis com seus compromissos igrejísticos. Não são poucas as pessoas, que tem atividades na igreja e com as quais já conversei, que lamentam-se de que tem encontrado dificuldade nas suas práticas devocionais. Mas apesar disso precisam mostrar-se sólidos como rocha perante os outros, acabando por exprimir uma espiritualidade que não vivem e colocando um jugo sobre as pessoas para que busquem o mesmo "brilho".

Esse amor aos ministérios tem envenenado de tal forma o cristianismo, que muitas vezes pessoas ocupam cargos e tarefas nas igrejas mas de forma alguma relacionam-se com seus irmãos. E isso acontece desde as maiores igrejas até as menores. Acabamos tornando-nos profissionais da fé. Pastores, professores, obreiros, tesoureiros, secretários, ministros, cada um com seu título, mas poucos alegrando-se com os que se alegram e chorando com os que choram. São poucos os que visitam seus irmãos informalmente, são poucos os que "perdem" horas conversando com pessoas que compartilham a mesma fé e que adoram a Deus no mesmo lugar, são pouquíssimos os que estendem a mão quando alguém está precisando. Enfim, são poucos os que verdadeiramente amam.

Não foi assim que Cristo nos ensinou, ao contrário, ele quebrou o sistema religioso caduco e arcaico dos judeus, quebrou paradigmas e preconceitos para estar próximo dos doentes, reprimiu e esbravejou contra os religiosos, anunciou a mensagem do arrependimento e do Reino. Desgastou-se ensinando num monte, na beira de um poço, num barco, nas sinagogas, nas casas, nas catacumbas. Ele verdadeiramente amou.

E esse mesmo Cristo nos ensina que não há amor maior do que dar a vida pelos seus amigos.

Precisamos acabar com o pensamento de carreira ministerial passarmos a enxergar as pessoas com a compaixão do Mestre.

sábado, agosto 25, 2007

Enquanto isso os idiotas marcham



O que uma marcha pode representar de bom? Se considerarmos a história houveram marchas pelos motivos mais absurdos possíveis. Basta lembrarmos de Hitler e a grande mobilização da Alemanha em favor do movimento nazista. O que dizer das marchas religiosas? Desde que o mundo é mundo as pessoas marcham pelos seus ideais religiosos, porém nem sempre racionalmente. As marchas religiosas muitas vezes envolveram guerra e sangue, mortes e ódio. A bíblia descreve algumas marchas, aquela feita contra o sacerdócio de Arão - quando seu bordão floresce e os que se levantaram contra são exterminados por Deus, a que foi feita pelos mesmos descendentes de Arão contra Jesus, o Cristo, as sucessivas marchas feitas contra os cristãos até o século IV, as marchas contra o domínio do catolicismo, que com a Reforma levou muitos à morte, e hoje ainda vemos marchas, algumas que servem ao propósito de dividir igrejas, como recentemente fizeram na igreja Betesda no nordeste, que externamente tinha aparência de santidade por uma sã doutrina, mas que sem dúvida ocorreu por motivos excusos de interesse político e conquista de poder, e as marchas que são ditas em nome de Jesus patrocinadas pela igreja do apóstolo e da bispa contraventores.

Isso nos leva a pensar... qual a marcha que Jesus esperaria de nós? A resposta, obviamente está na bíblia. "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois Meus discípulos" (Jo 13, 34-35) e "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me." Mateus 25:34-36.

Certamente Jesus não espera que saiamos as ruas com faixas na cabeça, nem com gritos de ordem, nem com shows, mas sim demonstrando o amor de Deus para com todos. A fé que Deus espera do homem nunca foi apenas de aparência, mas de atos de amor. Tiago em sua epístola deixa muito clara a mensagem da fé através das obras.

A verdade é que as marchas, com objetivos distorcidos ou legítimos, sempre tem seus orquestradores, e na maioria das vezes são apenas baderneiros que querem mostrar um certo grau de poder e domínio sobre o povo, assim como o apóstolo contraventor tenta demonstrar com essas sucessivas marchas.

O mundo está sofrendo, a nação é assolada por escândalos - até mesmo dos ditos evangélicos - fome, violência, morte, corrupção.

Enquanto isso os idiotas marcham.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Buscas



A loucura da pregação me atingiu, me afetou,
percebi que meu pensamento é mutante.
Tento definir o indefinível, tento falar o que não sei.

Corro contra a marcha,
nado contra a maré.

Deus me fez filho, abri mão dos privilégios.
Quero viver como todos vivem, nada mais.
Único privilégio que não abro mão é o da Graça.

Estou buscando a humildade,
isso é alcançável?

Sujeito-me as coisas que já não acredito, nem valorizo.
Justifico isso com o amor, acho bem justificado.
Mas daqui pra frente buscarei coisas mais superiores.

Apesar do que sinto, e penso, e vivo,
devo cumprir o objetivo da minha cruz.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 4



Do castigo

“Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bençãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.”
Malaquias 2:1-2

Como vimos anteriormente, Deus, começa o tratamento com a nação de Israel a partir dos sacerdotes. Vimos que as ofertas e sacrifícios dos sacerdotes haviam transformado-se em atos desprezíveis perante Deus, visto que não respeitaram os estatutos e normas do Senhor com relação a aliança estabelecida com os descendentes de Levi.

Deus dá uma ordem expressa agora aos sacerdotes, que passem a honrá-Lo com seus sacrifícios e que parem de desviar o povo dos caminhos do Eterno. No verso 8 do mesmo capítulo o Senhor mostra que o pecado dos sacerdotes acaba refletindo no povo, que seguem seu mal exemplo e acabam desviando-se do Seu caminho.

Vemos no verso 7 como a tarefa de um sacerdote é de enorme responsabilidade, pois diz assim “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos”. Que tamanha tarefa os sacerdotes tinham em mãos! Ser mensageiro do Senhor. Observamos que os sacerdotes estavam tratando esta função com desleixo perante o povo, daí a fúria do Senhor contra eles.

O castigo desses sacerdotes, caso não arrependam-se dos maus caminhos que tem trilhado, é a vergonha. Tanto eles quanto seus sacrifícios, e até mesmo sua descendência seriam feitos como excremento perante o Senhor. É, para nós, até difícil imaginar quão irado o Senhor estava com essa situação a ponto de considerar tudo quanto os sacerdotes porventura fizessem como excremento.

Porém, por amor ao seu servo Levi, que foi reto em todos os seus caminhos, o Senhor dá ainda uma chance de arrependimento aos sacerdotes. Nisso o Senhor como no princípio da profecia de Malaquias mostra o seu amor para com o povo.

Para nós, como igreja, tiramos algumas lições importantes desse castigo que o Senhor promete aos sacerdotes. Como vimos no texto anterior, o Senhor nos fez sacerdotes, todos os salvos, e o sacrifício a ser oferecido somos nós mesmos. Obviamente não vivemos a aliança de Israel, nem a aliança feita com Levi, mas os preceitos do Senhor continuam os mesmos. Precisamos oferecer sacrifícios santos ao Senhor, nossa vida entregue em seu altar todos os dias, carregando nossa cruz – isso é agradável ao Senhor. Ainda sobre nós, sacerdotes, existe o peso de sermos mensageiros do Senhor, que é ao mesmo tempo uma dádiva e uma grande responsabilidade. Dádiva pois os próprios anjos desejam anunciar a Cristo, mas esse presente foi dado a nós, exclusivamente, por Deus. E temos a responsabilidade de ensinar a verdade, para que não nos tornemos indignos e desprezíveis perante os homens.

Atualmente vemos que muitos estão caminhando para esse terrível castigo do Senhor, seus sacrifícios no altar Dele tem sido imundos, porque tem ensinado mentiras como a mensagem de Deus. É claro que o trato é diferente, o próprio julgamento será de outra forma, mas ele vem. Pois naquele grande e terrível dia muitos virão até o Senhor dizendo que profetizaram e fizeram maravilhas em Seu nome, mas serão apartados da presença Dele pois continuamente praticaram a iniquidade sem arrependimento.

Como sacerdotes do Altíssimo necessitamos purificar as nossas vestes, santificar nossos altares, se necessário nos vestirmos com pano-de-saco, jogarmos pó de cinza na cabeça, para que sejamos encontrados santos na presença do Autor e Consumador da nossa fé. Precisamos harmonizar nossos belos discursos com nossos atos. Precisamos ensinar e viver a verdade.

Graças a Deus pela sua maravilhosa graça, pela sua eterna misericórdia, pelo sangue de Cristo que nos purifica e pela justificação que nos torna dignos de entrarmos no Santo dos Santos!

quarta-feira, agosto 15, 2007

A religião de Deus e a religião dos homens




Estou em crise. Confesso a minha neurose em busca da verdadeira religião. Já não suporto a forma que vivo. Já não suporto diariamente ver valores distorcidos sendo pregados como a religião de Deus. Meus ouvidos doem quando ouço músicas que exaltam as necessidades dos homens e não a Soberania de Deus. Não consigo ficar indiferente às atrocidades cometidas em nome de Deus. Não posso mais conviver com a hipocrisia. Me entrego, não consigo mais dissimular meus sentimentos. Quando estou triste, choro. Quando estou alegre, sorrio. Quando meu irmão chora, eu choro com ele. Quando o mundo pranteia, lá estou derramando lágrimas. Quando se alegram em minha volta, faço desse o meu sorriso. Quando vejo a beleza da criação, meu coração enche-se de gozo.

Mas a religião dos homens proibe tudo isso. Ela demanda um relacionamento desumano com Deus, e ao mesmo tempo é condescendente com os hipócritas e mentirosos. A religião dos homens exalta os soberbos, eleva os altivos, congratula os eloqüentes e carismáticos, dá voz aos mentirosos. A religião dos homens é cercada de regras e leis, criadas pelos próprios homens, e isso transforma-se na religião, ela tem seus templos suntuosos, tem seus sacerdotes, tem seus músicos e seus pregadores. A religião dos homens faz sucesso porque ela promove o sucesso. Os tesouros da religião do homens são acumulados aqui mesmo na terra. Até mesmo suas atividades piedosas são apenas por princípios devassos de causa e efeito em si própria. A religião dos homens elimina Deus.

A religião de Deus é totalmente diferente. Ela dá voz aos Barnabés, que são filhos da consolação, ela exalta os humildes, condena e censura os hipócritas e mentirosos, A religião de Deus nos ensina a controlar nossa língua, pequeno instrumento que contamina todo o corpo. A religião de Deus não é feita de aparências, ela transforma o mais íntimo do ser humano. Ela não tem regras e leis por si só, mas tem a graça de Cristo, ela nos conduz ao leve e suave fardo de Jesus. A religião de Deus não é baseada em construções e organizações humanas, mas tem o Cabeça, que é Cristo, é a religião que não está restrita a um edifício, mas se alastra pelo mundo até as portas do inferno. A religião de Deus não é voltada em nenhum momento para o sucesso terreno, mas acumula tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não chegam. A religião de Deus ensina obras piedosas, onde a motivação é única e simplesmente o amor, e amor sacrificial. A religião de Deus conduz o homem de volta ao Criador.

Anseio estar, o tempo todo, re-ligado a Deus, não viver a falsa ilusão da religião dos homens.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Eu sei, mas não devia.



Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima é mais uma colaboração de Francisco Panizo Beceiro, extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Salmo 139



Senhor, tu me sondas, e me conheces.

Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.

Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.

Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?

Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.

Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!

Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim, homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal.

Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam? e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?

Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Estou do lado.



Estou do lado dos que defendem a verdade, e que estão dispostos a pagar qualquer preço por ela.
Estou do lado dos que não se contaminam com a própria língua, mas usam-na para verter águas cristalinas.
Estou do lado dos honestos, daqueles que mesmo num mundo caído preferem o que é correto.
Estou do lado dos sinceros, porque o mundo é cheio de hipócritas e são poucos os que vivem de forma coerente com o que falam.
Estou do lado dos arrependidos, pois estes sabem quem são, quais são os seus defeitos e sabem que precisam melhorar.
Estou do lado dos justos, que agem conforme o proceder de cada um e não são movidos por falsos testemunhos.
Estou do lado dos que jogam limpo, pois estes tem coragem de dizer o que pensam olhando nos meus olhos.
Estou do lado servos, que aprenderam seu humilde lugar e não criam estratégias pra chegar ao topo.
Estou do lado dos que se alegram, porque a sua alegria também é a minha.
Estou do lado dos que choram, porque sinto a sua tristeza.
Estou do lado dos maduros, pois já deixaram o leite de lado e procuram comportar-se de forma digna.
Estou do lado das crianças, porque a sua ingenuidade me ensina - mas não me leva a agir irresponsavelmente.
Estou do lado dos que me amam, pois estes foram os dispostos a pagar um preço pra estar comigo, não são interesseiros.
Estou do lado dos que amam, porque aprenderam a entregar-se de corpo e alma naquilo que devem fazer e possuem o olhar terno com o seu próximo.
Estou do lado dos que são de Deus, assim aprenderei a ter todas as qualdades acima e também ensinarei o que já sei delas.
Estou do lado dos doentes, porque precisam do conforto de Deus.

terça-feira, agosto 07, 2007

Como lidamos com a teologia




Calvino, Arminio, Wesley, Zwinglio, Spurgeon, Agostinho, homens claramente inspirados por Deus que desenvolveram pensamentos teológicos complexos e que hoje ainda nos ajudam a entender as Escrituras. Durante muito tempo do meu cristianismo somente a teologia desses homens me tocava profundamente, e ainda tocam - ainda bebo dessas maravilhosas águas. Porém hoje estou convencido de que, como meros seres humanos, batemos a cabeça na parede tentando entender a Bíblia e a vida com os olhos de Deus. Nos colocamos num patamar deveras alto, supostamente entendedores da ciência divina. Conseguimos chegar a conclusões sobre questões bíblicas complicadas, como se nossa mente fosse exatamente a mesma do Criador. Temos nossas linhas teologicas e acabamos por defendê-las com unhas e dentes. Calvinistas, Arminianos, Wesleyanos, Pré-milenaristas, Pós-milenaristas, dispensacionalistas... e por aí vai.

Hoje tenho aprendido a enxergar a teologia com meus olhos humanos. Não mais me coloco na posição de Deus, sinceramente, cansei de tentar explicar o inexplicável. Não mais explico porque Deus mandava matar mulheres e crianças no Antigo Testamento, nem desejo formatar a cabeça de alguém com um livre-arbítrio que é superior a Soberania de Deus, muito menos digo que Deus já predestinou toda a história da humanidade. Definitivamente não sei como Deus enxerga seu relacionamento com o homem, mas sei plenamente como deve ser meu relacionamento para com Ele - é disso que as Escrituras se encarregam de informar. Sei que sou pecador, carente da graça e misericórdia de Deus, sei que Jesus Cristo pagou por meus pecados na cruz, sei que vou para o céu.

Confesso que depois desse aprendizado a leitura bíblica até me parece mais leve. As pregações e textos fluem com mais naturalidade e meu relacionamento com Deus é mais honesto.

Aqui, publicamente, agradeço aos homens que me tem influenciado para isso: Ricardo Gondim, Caio Fábio, Philip Yancey, Ed René Kivitz e vários outros.

Colocar-me no meu humilde lugar me ajudou a ver a grandeza de Deus.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:33-36

sexta-feira, agosto 03, 2007

Salmo 23



O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.
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