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terça-feira, agosto 09, 2011

Evangélicos sem espetáculo



Pessoas religiosas e seculares fazem um grande trabalho humanitário, mas às vezes não trabalham juntas por suspeitas mútuas.

Nicholas D. Kristof, The New York Times - O Estado de S.Paulo

Nesta época de polarizações, poucas palavras provocam tanta aversão nos ambientes liberais quanto "cristão evangélico".

Em parte, isto se explica porque, nos últimos 25 anos, os evangélicos foram associados a personagens rabugentos e fanfarrões. Quando os reverendos Jerry Falwell e Pat Robertson debateram na televisão se os ataques de 11 de Setembro foram uma punição de Deus contra as feministas, os gays e os secularistas, Deus deveria tê-los processado por difamação.

Anteriormente, Falwell defendera que a aids é "o julgamento de Deus sobre a promiscuidade". Esta presunção religiosa permitiu que o vírus da aids se espalhasse, constituindo uma imoralidade maior do que tudo o que poderia acontecer nas saunas gays.

Em parte, por causa desta postura bem-pensante, todo o movimento evangélico frequentemente foi condenado pelos progressistas como reacionário, míope, irracional e até mesmo imoral.

Entretanto, esse menosprezo casual é profundamente injusto, se considerarmos o movimento como um todo. Ele reflete um tipo de intolerância às avessas, às vezes um fanatismo às avessas, dirigido contra dezenas de milhões de pessoas que na realidade se envolveram cada vez mais na luta contra a pobreza e na defesa da justiça global.

Essa linha compassiva da corrente evangélica foi dotada de bases extremamente sólidas pelo reverendo John Stott, um moderado estudioso inglês que influiu de maneira muito mais importante no cristianismo do que astros da mídia como Robertson ou Falwell. Stott, que morreu há alguns dias aos 90 anos, foi incluído na lista das cem pessoas mais influentes do globo da revista Time. Em termos de estatura, às vezes foi considerado o equivalente do papa entre os evangélicos de todo o mundo.

Stott não pregou acenando com a ameaça das penas do inferno numa rede cristã de televisão. Ele foi um humilde estudioso cujos 50 livros aconselham os cristãos a emular a vida de Jesus - principalmente sua preocupação com os pobres e os oprimidos - e a se opor a mazelas sociais como a opressão racial e a poluição ambiental.

"Os bons samaritanos sempre serão necessários para socorrer os que foram assaltados e roubados; entretanto, seria melhor acabar com os bandoleiros na estrada de Jerusalém a Jericó", escreveu Stott em seu livro A Cruz de Cristo. "Por isso, a filantropia cristã em termos de alívio e ajuda é necessária, mas muito melhor seria um aprimoramento a longo prazo, e nós não podemos fugir da nossa responsabilidade política e da necessidade de participar da transformação das estruturas que inibem este aprimoramento. Os cristãos não podem olhar com tranquilidade as injustiças que arruínam o mundo de Deus e degradam suas criaturas".

Stott deu exemplos das injustiças contra as quais os cristãos precisam lutar: "os traumas da pobreza e do desemprego", "a opressão das mulheres", e na educação, "a negação de iguais oportunidades a todos".

Para muitos evangélicos que sempre se retraíam quando um "televangélico" ganhava as manchetes, Stott era um guru intelectual e uma inspiração. Richard Cizik, presidente da Nova Igreja Evangélica Parceria para o Bem Comum, que trabalhou heroicamente para combater desde o genocídio até a mudança climática, me disse: "Contra a charlatanice e a irracionalidade no nosso movimento, Stott permitiu afirmar que você é "evangélico" e não deve se arrepender".

O reverendo Jim Wallis, diretor de uma organização cristã chamada Sojourners (Os visitantes), que trabalha em prol da justiça social, acrescentou: "John Stott foi o primeiro líder evangélico importante que defendeu o nosso trabalho na Sojourners". Stott, que foi um aluno brilhante em Cambridge, também ressaltou que a fé e o intelecto não precisam ser conflitantes.

Há muitos séculos, o estudo profundo da religião era extraordinariamente exigente e rigoroso; por outro lado, qualquer um podia declarar-se cientista e passar a exercer a alquimia, por exemplo. Hoje, é o contrário. Um título de doutor em química exige uma formação rigorosa, enquanto um pregador pode explicar a Bíblia pela televisão sem dominar o hebraico ou o grego - ou mesmo sem mostrar interesse pelas nuances dos textos originais.

Os que se denominam líderes evangélicos revelam-se hipócritas, transformando Jesus em lucro em lugar de emulá-lo. Alguns parecem inclusive homofóbicos, e muitos que se declaram "a favor da vida" parecem pouco preocupados com a vida humana depois que ela sai do útero. São os pregadores que aparecem nas manchetes e são menosprezados.

Escrevendo sobre a pobreza, as doenças e a opressão, encontrei outros ainda. Os evangélicos estão desproporcionalmente dispostos a doar o dízimo do que ganham a obras de caridade, em geral ligadas à igreja. O mais importante é que se procuramos nas linhas de frente, nos EUA ou no exterior, nas batalhas contra a fome, a malária, as violações nas prisões, a fístula obstétrica, o tráfico de pessoas ou o genocídio, alguns dos mais corajosos que encontramos são cristãos evangélicos (ou católicos conservadores, que a eles se assemelham de muitas maneiras) que vivem verdadeiramente a sua fé.

Não sou particularmente religioso, mas reverencio os que vi arriscando sua vida dessa maneira - e me enoja ver esta fé ridicularizada em coquetéis em Nova York.

Por que tudo isto é importante?

Porque tanto as pessoas religiosas quanto as seculares fazem um trabalho fantástico em questões humanitárias - mas elas frequentemente não trabalham juntas em razão das suspeitas mútuas. Se pudermos superar este "abismo divino", poderemos progredir muito mais no combate às mazelas do mundo.

E esta seria, realmente, uma dádiva divina. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É COLUNISTA

Fonte Estadão

terça-feira, julho 26, 2011

Morte trágica de menina gera campanha



A morte trágica de uma menina de 9 anos em Seattle, nos Estados Unidos, gerou uma campanha por doações que já arrecadou mais de US$ 165 mil para levar água a comunidades carentes na África.

Rachel Beckwith havia pedido no mês passado, para seu nono aniversário, que familiares e amigos fizessem doações para uma organização não governamental em vez de lhe dar presentes. Seu objetivo era arrecadar US$ 300.

Na semana passada, porém, Rachel ficou gravemente ferida em um engavetamento envolvendo 13 carros numa estrada próxima à sua casa. No último fim de semana, sua família decidiu permitir o desligamento dos aparelhos que a mantinham viva artificialmente e doaram seus órgãos.

A notícia da tragédia chamou a atenção para a página que a menina havia criado no site da ONG charity:water para arrecadar doações. Em poucos dias, as contribuições superaram mais de 500 vezes sua meta inicial.

Celebração diferente
Em sua mensagem colocada no site no início de sua campanha, Rachel pedia doações em lugar de presentes em seu aniversário.

"No dia 12 de junho de 2011, vou fazer 9 anos. Descobri que milhões de pessoas não vivem até seu quinto aniversário. E por que? Porque elas não têm acesso à água limpa e segura", diz a mensagem.

"Por isso estou celebrando meu aniversário de maneira diferente. Estou pedindo para todo mundo que eu conheço que doem à minha campanha em vez de me dar presentes no meu aniversário", afirma.

Na segunda-feira, dois dias após a morte da menina, sua mãe, Samantha, postou uma mensagem para agradecer pelas doações à campanha da filha.

"Estou impressionada com o imenso amor para transformar o sonho de minha filha em realidade. Diante da dor inexplicável, vocês forneceram uma esperança inegável", disse ela.

"Obrigado por sua generosidade. Eu sei que Rachel está sorrindo!", escreveu.

Segundo a ONG charity:water, as doações recebidas por meio da página de Rachel Beckwith já haviam ajudado até a manhã desta terça-feira a fornecer fontes de água potável para 8.290 pessoas.

Fonte UOL

quarta-feira, junho 01, 2011

Réplica em tamanho real da Arca de Noé pode navegar com animais de verdade até o rio Tâmisa, em Londres, para os Jogos de 2012




A arca, construída pelo holandês Johan Huibers, pode atracar no rio Tâmisa em 2012

Quero ser Noé

  • Vincent Jannink/EFE
    O holandês Johan Huibers, que idealizou e construiu a Arca
Uma réplica moderna da Arca de Noé finalmente foi concluída e pretende fazer sua viagem inaugural em 2012 até o rio Tâmisa, a tempo de prestigiar os Jogos Olímpicos de Londres, no Reino Unido.
O dono dessa ideia digna de roteiro de filme, o rico construtor Johan Huibers, ainda vai pintar o colossal navio com três demãos de verniz à prova de fogo - medida de segurança que Noé não tomou quando construiu o original. Atualmente a Arca flutua sobre um rio em Dordrecht, na Holanda
"Em 1992 eu vi num sonho a Holanda desaparecer debaixo de uma enorme massa de água, comparada com o tsunami da Ásia. No dia seguinte encontrei um livro sobre a Arca de Noé na livraria local, e desde então meu sonho tem sido construir a Arca", contou Johan ao Daily Mail Reporter.
Ele iniciou a construção em 2008 com um projeto baseado nas medidas descritas na Bíblia. Até utilizou madeira de pinho sueco, já que algumas versões da Bíblia apontam que esse foi o material que Deus ordenou que Noé usasse na construção.
Quando for aberta formalmente à visitação do público, em julho, terá animais de verdade e irá narrar a história de Noé, como é contada na Bíblia. Dois auditórios vão receber um total de 1.500 pessoas.
Huibers enviou esta semana uma carta ao prefeito de Londres, Boris Johnson, solicitando permissão para atracar a Arca na cidade para os Jogos Olímpicos no próximo verão. "Estou indo com a Arca até o Tâmisa. Vai ser bom para alunos britânicos para visitá-lo", disse.
Fonte UOL

quinta-feira, maio 12, 2011

Adolescente inglesa morre de complicações relacionadas à pílula anticoncepcional




KENT, Inglaterra, 10 de maio de 2011 (Notícias Pró-Família) — A pílula anticoncepcional Dianette fez outra vítima no fim de março quando a adolescente Charlotte Porter, de 17 anos, morreu de trombose que ao que tudo indica foi causada pela droga.

Charlotte Porter e a pílula anticoncepcional que a matou

Porter recebeu a droga como prescrição para tratamento de acne, uma utilização comum para a pílula que é também elogiada como um método conveniente e eficaz de contracepção.

A droga suprime a ovulação e altera o endométrio (a parede uterina) para impedir a implantação de um óvulo fertilizado.

Duas semanas depois de receber a prescrição, a adolescente de dezessete anos sucumbiu a um embolismo pulmonar causado por uma formação de coagulo sanguíneo numa veia profunda, um mal conhecido como trombose de veia profunda (TVP).

De acordo com o jornal inglês Telegraph, Porter foi levada ao hospital depois de se queixar de dores e inchamento em sua perna esquerda. Ela desmaiou num corredor de hospital enquanto estava aguardando os resultados de um teste de sangue.

O caso de Porter é semelhante ao de outra mulher britânica, Helen Schofield, de 33 anos, que também morreu de TVP depois de tomar o anticoncepcional Dianette por dois meses. Ela havia recebido a prescrição da droga contraceptiva para regular seu ciclo menstrual.

Um inquérito da morte de Schofield revelou que a morte estava ligada à droga, de acordo com uma reportagem de junho de 2009 do Telegraph.

Respondendo acerca da morte de Schofield, um porta-voz da Bayer, o fabricante da droga, havia dito aoTelegraph que havia um risco "levemente elevado" de trombose ligada a qualquer forma de pílula anticoncepcional.

Um estudo de 2009 publicado pela Revista Médica Britânica revelou que o maior risco de trombose está ligado às pílulas anticoncepcionais que contêm desogestrel, acetato de ciproterone ou drospirenona. O Acetato de Ciproterone é um ingrediente ativo da Dianette.

Beverly Porter, a mãe de Charlotte, disse aos jornalistas que os pais precisam estar cientes dos perigos da droga, de acordo com uma reportagem no Parent Dish.

"Não é necessário dizer que a morte de Charlotte devastou minha família e a mim", disse ela. "Gostaríamos de exortar todos os pais de moças adolescentes que receberam uma prescrição de Dianette a se conscientizar dos riscos ligados a ela, principalmente o risco de TVP".

Artigos relacionados:
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

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Artigo relacionado no Blog Julio Severo:

quarta-feira, abril 27, 2011

Deus não nos livre de um Brasil evangélico



por Robinson Cavalcanti

Uma primeira constatação é que estamos ainda distantes de ser um "país evangélico": quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de Igreja. Uma grande distância da ética e da "vida abundante" apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho.

Percebemos sinais do sagrado cristão em nossa História e em nossa Cultura, mas, no geral, ficando na superfície. Se os símbolos importassem tanto, o Rio de Janeiro, com aquela imensa estátua do Cristo Redentor, deveria ser uma antecâmara do Paraíso.

Como cidadão responsável, e como cristão, como eu gostaria que o meu País fosse marcado pela justiça, pela segurança, pela paz, fruto do impacto das Boas Novas, do Evangelho. Sinceramente, gostaria muito que tivéssemos um Brasil mais evangélico.

Fico feliz que Deus não tenha nos livrado da imigração dos protestantes alemães, suíços, japoneses, coreanos, e tantos outros. Fico feliz pelo seu trabalho e por sua fé.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado do escocês Robert R. Kalley, médico, filantropo e pastor escocês, fugindo do cacete na Ilha da Madeira (Portugal), pioneiro da pregação do Evangelho entre nós, nos deixando as igrejas congregacionais. Ele nem era norte-americano, nem fundamentalista, pois esse movimento somente surgiria meio século depois. Eram norte-americanos, e também não-fundamentalistas os pioneiros das igrejas presbiteriana, batista, metodista e episcopal anglicana que vieram ao Brasil na segunda metade do século XIX.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado desses teimosos colportores que varavam os nossos sertões sendo apedrejados, vendendo aquelas Bíblias "falsas", cuja leitura, ao longo do tempo, foi tirando gente da cachaça e dos prostíbulos, reduzindo os seus riscos de câncer de pulmão, cuidando melhor de sua família, como trabalhadores e cidadãos exemplares.

Fico feliz por Deus não ter nos livrado desses colégios mistos, desses colégios técnicos (agrícolas, comerciais e industriais), trazidos por esses missionários estrangeiros, em cujo espaço confessei a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. E, é claro, tem muita gente agradecendo a Deus por não nos ter livrado do voleibol e do basquetebol introduzido pioneiramente nesses colégios… nem pelo fato do apoio à Abolição da Escravatura, à República ou ao Estado Laico.

Por essas e outras razões, é que vou comemorar (com uma avaliação crítica) com gratidão, dentro de seis anos, os 500 anos da Reforma Protestante do Século XVI, corrente da Cristandade da qual sou militante de carteirinha desde os meus dezenove anos.

Essa gratidão ao Deus que não nos livrou dos protestantes de imigração e dos protestantes de missão, inclui, sinceramente, os protestantes pentecostais, herdeiros daquela igreja original, dirigida por um negro caolho (afro-descendente portador de deficiência visual parcial, na linguagem do puritanismo de esquerda, conhecido por "politicamente correto")…, mas que abalaria os alicerces religiosos do mundo. Eu mesmo sou um velho mestiço brasileiro e nordestino, e não me vejo como um ítalo-luso-afro-ameríndio de terceira idade…

Olhando para o termo "evangélico", usado sistematicamente na Inglaterra, a partir de meados do século XIX, como uma confluência da Reforma e de alguns dos seus desdobramentos, como o Confessionalismo, o Puritanismo, o Pietismo, o Avivalismo e o Movimento Missionário, com paixão missionária pelo Evangelho que transforma, dou graças a Deus que Ele não nos tenha livrado da presença dos seus seguidores e propagadores. Até porque, por muito tempo, não tivemos presença fundamentalista (no sentido posterior) e nem do liberalismo, pois esses últimos são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados…

Minha avó é quem dizia que "toda família grande vira mundiça", se referindo ao fato de que quando qualquer instituição, grupo ou movimento social cresce, é inevitável que ao lado do crescimento do trigo haja um aumento significativo do joio. Nesse sentido, o protestantismo e o evangelicalismo brasileiro são normais (com desvios e esquisitices), mas, garanto que temos muitíssimo mais trigo (às vezes armazenados nos celeiros, quando deveriam estar sendo usados nas padarias). No meu tempo só tinha crente militante e desviado; depois apareceram os descendentes, os nominais, os de IBGE, os bissextos e os ocasionais.

No sentido histórico dou graças a Deus pelo localizado movimento fundamentalista nos Estados Unidos, em reação ao racionalismo liberal, pois também afirmo a autoridade das Sagradas Escrituras, o nascimento virginal, a cruz expiatória, o túmulo vazio e a volta do Senhor. Depois o termo foi distorcido por um movimento sectário, antiintelectual, racista, e hoje é aplicado até ao Talibã, em injustiça à proposta original

Quanto ao Tio Sam, nem todo republicano é evangélico, nem todo evangélico é republicano, embora, de época para época, haja deslocamentos religiosos-políticos naquele país. Eu mesmo não tenho muita simpatia (inclusive aqui) pelo Partido do Chá (Tea Party), pois tenho longa militância no Partido do Café e no Partido do Caldo de Cana com Pão Doce.

A Queda do Muro de Berlim assinalou o ocaso da modernidade e o início de uma ainda confusa pós-modernidade, com a mundialização da cultura anglo-saxã, no que tem de bom e no que tem de mau, mas, como nos ensina Phillip Jenkins, a Cristandade está se deslocando do hemisfério Norte para o hemisfério Sul, e, inevitavelmente, revelamos nossas imaturidades, que devem e podem ser superadas.

Agora, todo teólogo, historiador ou sociólogo da religião sérios, perceberá a inadequação do termo "protestante" ou "evangélico" (por absoluta falta de identificação caracterizadora) com o impropriamente chamado "neo-pentecostalismo", na verdade seitas para-protestantes pseudo-pentecostais (universais, internacionais, mundiais, galáxicas ou cósmicas), e que é algo perverso e desonesto interpretar e generalizar o protestantismo, e, mais ainda, o evangelicalismo brasileiro, a partir das mesmas.

O avanço do Islã e a repressão aos cristãos onde eles dominam é um "óbvio ululante", a defesa da vida em relação ao aborto, à eutanásia, aos casais que não querem ter filhos, ao homossexualismo, o atentado ao meio ambiente ("cultura da morte") é coerente com o princípio da Missão Integral da Igreja na "defesa da vida e da integridade da criação".

A identidade evangélica se faz por um rico conteúdo e não por antagonismo ou relação reativa a conjunturas.

Sabemos que o mundo jaz do maligno, que o evangelho será pregado a todo ele, mas não que todos venham a se converter, e que descendentes de cristãos nem sempre continuam nessa fé. Assim, o Brasil nunca será um País totalmente cristão, protestante ou evangélico, mas creio que será bem melhor com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa "salgar" e "iluminar" com os valores do Reino.

Para isso necessitamos (na lícita diversidade protestante quanto a aspectos secundários e periféricos) de líderes sólidos e firmes, vestindo a camisa do nosso time com entusiasmo e garra para o jogo, sem se perderem em elucubrações estéreis, de quem já perdeu a fé na Palavra, não acredita mais na Queda, nem na Redenção, nem na singularidade de Cristo, deixando uma geração órfã de heróis.

Assim, espero que Deus não nos livre dessa presença cultural transformadora; que Deus não nos livre de ser, cada vez mais, um País evangélico.

A Ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, Senhor do Universo e da História, com os anjos e arcanjos, coma Igreja Triunfante e a Igreja Militante, intercedendo por todos que atravessam crises espirituais, seja toda a honra e toda a glória!


Fonte Pavablog (Uma clara resposta ao texto de Ricardo Gondim "Deus nos livre de um Brasil evangélico")

Imagem retirada do blog MP Vida

sábado, abril 09, 2011

Homenagem Fausto Rocha



Diretor da Alesp traz detalhes da trajetória de Fausto Rocha




 Ex deputado Fausto Rocha faleceu na última quinta-feira, 7, em São Paulo
    Foi pubiclado, na última sexta-feira, 8, no site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), um artigo em homenagem ao ex deputado e  comunicador evangélico Fausto Rocha, falecido na última quinta-feira, de parada cardíaca, no centro médico da Universidade de Campinas, onde se recuperava de uma cirurgia.
    Assinado pelo diretor do departamento de documentação e informação da Alesp,a dvogado e pesquisador, Antônio Sérgio Ribeiro, o texto traz uma biografia detalhada e destaca os feitos conquistados na vida política e no empreendedorismo como comunicador.
Confira na íntegra:

Morre deputado Fausto Rocha
 Antônio Sérgio Ribeiro*
    Faleceu nesta quinta-feira, 7, no centro médico da Universidade de Campinas, às 7h, de parada cardíaca, o ex-deputado Fausto Rocha. Fausto Auromir Lopes Rocha nasceu na cidade de São Paulo, em 4 de novembro de 1938, filho de Fausto Martins Rocha e de Odete Lopes dos Santos Rocha. Depois de cursar o ensino regulamentar, estudou Direito na Faculdade Vale Paraibano, em São José dos Campos, bacharelando-se na turma de 1966. Iniciou carreira profissional na televisão Tupi, canal 4, como apresentador do telejornal Imagens do Dia, ainda nos anos 60. Durante a gestão do governador Paulo Egydio Martins, 1975-1979, foi nomeado locutor oficial do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
    A popularização de sua imagem o levou a entrar em carreira política, quando concorreu em 15 de novembro de 1978, ao cargo de deputado estadual pela Aliança Renovadora Nacional - Arena, partido de apoio ao governo instalado no Brasil pelo movimento revolucionário de 1964, obtendo 61.691 votos, sendo o mais votado de seu partido. Assumiu seu mandato na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em 15 de março de 1979, para a 9ª legislatura (1979-1983). Integrou como membro efetivo as comissões permanentes de Constituição e Justiça, Finanças e Orçamento, e Esportes e Turismo, e como suplente a de Promoção Social. Fez parte também da comissão especial que investigou a situação dos menores abandonados.
   Com o fim do bipartidarismo em 1978, se filiou ao Partido Democrático Social - PDS, sucessor da Arena, e também de apoio ao governo federal. Na administração de Paulo Maluf no governo paulista, 1979-1982, licenciou-se do mandato parlamentar para ocupar o cargo de secretário extraordinário da Desburocratização, entre 22 de junho de 1981 e 12 de maio de 1982.
    Nas eleições de 15 de novembro de 1982, foi reeleito deputado estadual, para a 10ª Legislatura com 71.721 votos, pelo PDS. Empossado em 15 de março de 1983, fez parte das comissões permanentes da Alesp, no período de 1983/1987: Relações do Trabalho; Cultura, Ciência e Tecnologia; e como suplente, das comissões de Assuntos Metropolitanos; Economia e Planejamento; e de Serviços e Obras Públicas.
    Pelo PDS foi eleito em 15 de novembro de 1986, a uma cadeira na Câmara dos Deputados, com 90.850 votos. Tendo assumido sua cadeira em 1º fevereiro de 1987, para a Assembleia Nacional Constituinte, sendo integrante titular da Subcomissão da Ciência e Tecnologia e da Comunicação, e da Comissão de Família, da Educação, Cultura e Esportes. Foi suplente da Subcomissão do Poder Judiciário e Ministério Público, da Comissão de Poderes e Sistema de Governo. Filiado ao Partido da Frente Liberal, PFL, fez parte do denominado Centrão, e integrou o bloco parlamentar evangélico, que era constituído de 33 parlamentares. Nas principais votações pronunciou-se favoravelmente à concessão da licença paternidade e da licença gestante, à continuidade do presidencialismo, ao mandato de cinco anos ao presidente José Sarney, e à anistia aos pequenos e médios empresários.
    Na Constituinte defendeu a criação de um conselho de ética para fiscalizar a programação de rádio e TV. O então ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, foi favorável a sua criação, entendendo ser útil, mas que esse conselho deveria funcionar junto ao Ministério da Justiça.
    Após a promulgação da nova Carta Constitucional, em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários na Câmara dos Deputados, como membro titular das Comissões de Finanças, Seguridade Social e Família.
    Filiado ao Partido da Reconstrução Nacional - PRN, agremiação que elegeu em 1989 o presidente da República Fernando Collor de Mello, no pleito de 3 outubro de 1990, foi reeleito novamente deputado federal, obtendo 60.280 votos. Foi o candidato evangélico à Câmara dos Deputados mais votado no país.
   Assumindo sua cadeira na Câmara dos Deputados, em 1º de fevereiro de 1991, tornou-se presidente do grupo parlamentar cristão do Congresso Nacional, e participou dos trabalhos legislativos integrando as comissões de Ciência e Tecnologia, e de Comunicação e Informática.
   Na sessão de 29 de setembro de 1992, votou a favor do impeachment do presidente Collor, acusado de crime de responsabilidade por ligações com o esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo Cesar Farias. No ano de 1993, transferiu-se para o Partido Social Democrático - PSD.
    Não de candidatou à reeleição no pleito de outubro de 1994, e ao término de seu mandato parlamentar em janeiro de 1995, passou a dedicar-se à iniciativa privada, como empresário, na área jornalística, como proprietário de uma emissora de televisão no interior de São Paulo, e no setor automobilístico, como dono de duas revendas em Campinas.
    Exerceu também as atividades de jornalista, radialista, apresentador de programas populares, e noticiários no Sistema Brasileiro de Televisão - SBT. Foi ainda professor universitário.
    Filho de evangélicos, foi líder da Igreja Batista, sendo diretor da Associação Evangélica Beneficente. Como pastor da Igreja do Nazareno Central, em Campinas, três vezes por semana ministrava os cultos. Era presidente emérito da Academia Paulista Evangélica de Letras. Foi casado com Juliana Teles Rocha, com quem teve três filhos.
    O corpo do deputado Fausto Rocha, velado no Salão dos Espelhos, da Assembleia Legislativa São Paulo, tem sepultamento marcado para esta sexta-feira, 8 de abril, às 11h, no Cemitério do Araçá.
    *Antônio Sérgio Ribeiro é advogado e pesquisador. Diretor do Departamento de Documentação e Informação da Alesp. 


Data: 9/4/2011 00:11:46
Fonte: Alesp

terça-feira, março 29, 2011

Na Costa do Marfim, 30 mil se refugiam em igreja contra conflito



Foto: Reuters

Estrangeiros esperam para voltar a seus países em Abidjan, Costa do Marfim

Até 30 mil pessoas estão refugiadas em um complexo de uma igreja católica na Costa do Marfim para tentar escapar dos confrontos no país, um missionário disse à BBC.

Um padre na missão católica da cidade de Duékoué disse à BBC que os combates entre o Exército do país e forças leais a Alassane Ouattara, o vencedor das eleições de 2010 reconhecido internacionalmente, estão ocorrendo em volta da igreja.

O padre, que não quis se identificar, disse que muitos dos que buscaram refúgio na missão são imigrantes de outros países do oeste da África que estavam trabalhando nas plantações de cacau da região e que muitos chegam com ferimentos a bala.

Quando falou com a BBC na manhã desta terça-feira, o padre afirmou que estava escondido embaixo de uma mesa e que ainda podia ouvir o tiroteio na cidade. Segundo ele, alguns disparos eram feitos perto da igreja.

"Estamos ouvindo o combate... em frente da igreja, e as pessoas estão dentro da igreja, correndo aqui dentro", disse.

O padre pediu que a missão seja considerada um refúgio pelas facções que estão em confronto no país e acrescentou que as condições de higiene no local estão ruins.

A crise na Costa do Marfim teve início em novembro, após as eleições presidenciais. Apesar de Alassane Ouattara ser considerado o vencedor pela comunidade internacional, seu rival, Laurent Gbagbo, que tentava a reeleição, se recusa a deixar a Presidência.

Três frentes

Um porta-voz da ONU na Costa do Marfim, Hamadoun Touré, informou que os combates agora estão ocorrendo em três frentes, entre as forças leais a Ouattara e as forças do governo de Gbagbo.

A ONU ainda acusa as forças partidárias de Gbagbo de disparar contra civis na maior cidade do país, Abidjan, na segunda-feira, matando pelo menos dez pessoas. Segundo a organização, outro grupo de partidários de Gbagbo queimaram um homem vivo na cidade.

Cerca de um milhão de pessoas já fugiram da violência no país, a maioria de Abidjan, segundo dados da ONU.

O porta-voz da organização também acusou as forças leais a Ouattara de derrubar um helicóptero da ONU perto de Duékoué.

No oeste, partidários de Ouattara atacaram a cidade de Duékoué e outra cidade, Daloa. No leste, eles afirmam que tomaram a cidade de Bondoukou.

O repórter da BBC na cidde de Bouake, região central do país, afirmou que as forças de Ouattara fecharam a fronteira com a Libéria para impedir que os partidários de Gbagbo recrutem mercenários daquele país.

As forças de Ouattara controlam o norte do país desde a guerra civil de 2002.

Fonte UOL e iG

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Em ato pacífico, dezenas de milhares rezam em praça no Cairo



Dezenas de milhares de egípcios participaram nesta sexta-feira da oração do meio-dia na praça Tahrir, no centro do Cairo, onde se concentram os manifestantes antigoverno no dia da Marcha da Partida, esforço máximo pela renúncia do ditador Hosni Mubarak.

"É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos como cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderou a oração, identificado como Khaled al Marakbi pelos fiéis reunidos na praça.

Sebastian Scheiner/AP
Manifestantes antigoverno se reúnem aos dezenas de milhares na praça Tahrir para a oração tradicional do meio-dia
Manifestantes antigoverno se reúnem aos dezenas de milhares na praça Tahrir para a oração tradicional do meio-dia

A oração ocorreu sob os olhares atentos dos militares, mas de maneira pacífica após dois dias de violentos confrontos entre manifestantes da oposição e apoiadores de Mubarak, no poder há 30 anos.

O ritual, dirigido por um imame, foi seguido com grande fervor por manifestantes da oposição que estão chegando maciçamente ao local.

Em seu sermão, o imame solicitou orações pelos mortos da revolta popular um pedido que foi seguido com lágrimas por muitos dos participantes do ato.

"Os protestos dos jovens se transformaram em um movimento nacional", afirmou.

"Não temos um partido que nos represente e expresse nossas reivindicações. Aquele que quiser negociar, que venha aqui para falar", afirmou o irmã. "Estamos livres e queremos viver livres. Peço que tenham paciência até a vitória", completou.

O imã chorou durante a oração na qual se lembrou dos mortos. Números não oficiais falam em mais de 140 mortos, mas a ONU (Organização das Nações Unidas) diz ter recebido relatos de cerca de 300 mortos desde 25 de janeiro. O último número oficial do governo, divulgado nesta quinta-feira, indica oito mortos e mais de 900 feridos na última semana.

Hannibal Hanschke/Efe
Manifestantes começam a chegar na praça Tahrir para Marcha da Partida, contra Mubarak
Manifestantes começam a chegar na praça Tahrir para Marcha da Partida, contra Mubarak

O imame também disse que cristãos e muçulmanos estão participando do protesto juntos. Nas orações deste meio-dia, acompanhada por uma imensa maioria de muçulmanos, também se viam cristãos seguindo suas próprias rezas.

"É um momento crucial", afirmou à agência de notícias Efe Adam Molyneuh, um dos manifestantes.

A imagem de milhares reunidos na oração em Tahrir é rara, já que o momento religioso mais importante da semana para o Islã costuma se limitar à intimidade das mesquitas.

Tão logo acabou a cerimônia, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia de Mubarak, 82.

MARCHA

Mais cedo, milhares de egípcios seguiam nesta sexta-feira para a praça Tahrir para se unir aos milhares de manifestantes que passaram a noite no local, com a expectativa de dar um golpe decisivo em Mubarak após 11 dias de protestos.

Os egípcios faziam fila diante de uma barreira, na qual os soldados revistavam sistematicamente os manifestantes. Muitas pessoas pediam a abertura de outra entrada pelo temor de ficar de fora do início da prece muçulmana. A ideia é seguir depois em marcha de cerca de 15km até o Palácio Presidencial.

Patrick Baz/AFP
Manifestantes antigoverno aguardam perto de barricada improvisada na praça Tahrir, no Cairo
Manifestantes antigoverno aguardam perto de barricada improvisada na praça Tahrir, no Cairo

Um jornalista do canal de TV Al Jazeera afirmou que cerca de 65 soldados estão perto da Ponte 6 de Outubro e do museu, usando equipamento antidistúrbios. Eles também limitam acesso dos egípcios ao Corniche.

A situação no Cairo, especialmente no centro da cidade, parece ser tranquila até o momento e não há registros de novos tiroteios.

Fonte Folha.com

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Igreja recua e Fusca cheio de cerveja é rifado com refrigerante em Ribeirão Preto



HÉLIA ARAUJO
DE RIBEIRÃO PRETO

Depois da polêmica envolvendo rifas para concorrer a um Fusca lotado de cerveja, a catedral de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) decidiu colocar apenas refrigerantes dentro do carro anteontem --dia do sorteio.


Segundo uma das vendedoras das rifas, isso foi feito porque a iniciativa atraiu a atenção de emissoras de TV e jornais após a divulgação do sorteio feito pela Folha.

Os organizadores avisaram, no entanto, que o vencedor poderia levar o Fusca com cerveja --como foi anunciado desde que as rifas começaram a ser vendidas, em setembro-- ou refrigerantes.

Nem uma coisa nem outra. A analista Ana Cláudia Queiroz, 31, foi sorteada, levou o carro, mas doou as bebidas para venda na própria quermesse, que voltou a ocorrer ontem de manhã.

Cerca de 25 mil cupons foram vendidos, a R$ 2 cada um. O dinheiro será usado na obra de um centro social.
Márcia Ribeiro/ Folhapress
Pessoas olham o Fusca, agora cheio de refrigerantes,em frente à Catedral de Ribeirão Preto; sorteada doou as bebidas
Pessoas olham o Fusca, agora cheio de refrigerantes,em frente à Catedral de Ribeirão Preto; sorteada doou as bebidas


Fonte Folha.com

domingo, janeiro 23, 2011

Nível das escolas no Brasil passa ‘de desastroso a muito ruim‘, diz ‘Economist’



Escola na floresta Amazônica
Brasil ficou em 53º lugar entre 65 países no último ranking do Pisa
Em edição publicada nesta quinta-feira, a revista britânica The Economist diz que dados recém-divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a educação brasileira teve “ganhos sólidos” na última década.
Ainda assim, a revista afirma que “o progresso recente meramente elevou o nível das escolas de desastroso para muito ruim”.
A Economist se referia à divulgação, na última terça-feira, do 4º Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mediu o nível da educação em 65 países. O Brasil ficou na 53º colocação, tendo obtido 412 pontos em leitura, 386 em matemática e 405 pontos em ciência.
O desempenho do país em cada uma das três áreas foi, em média, 20 pontos superior ao registrado no último teste, em 2006. O resultado fez com que a OCDE considerasse que o caso brasileiro revelava “lições encorajadoras”.
Em entrevista à Economist, a pesquisadora Barbara Bruns, do Banco Mundial, cita entre os motivos para a melhoria o sistema brasileiro de avaliação escolar, criado há 15 anos.
“De um ponto de partida em que não havia nenhuma informação sobre o aprendizado do estudante, as duas (últimas) presidências construíram um dos sistemas de medição de resultados educacionais mais impressionantes do mundo”, disse ela.
Apesar do avanço, a revista diz que dois terços dos jovens de 15 anos são incapazes de fazer qualquer coisa além de aritmética básica.
“Mesmo escolas privadas e pagas são medíocres. Seus pupilos vêm das casas mais ricas, mas eles se tornam jovens de 15 anos que não se saem melhor que um adolescente médio da OCDE”, afirma a publicação.
Segundo a Economist, uma das razões para a má qualidade do ensino é o desperdício de dinheiro. “Como os professores se aposentam com salários integrais após 25 anos para mulheres e 30 para homens, até a metade dos orçamentos da escola vai para as aposentadorias”, diz a revista.
A publicação afirma ainda que, exceto em poucos locais, professores podem faltar em 40 dos 200 dias escolares sem ter o salário descontado.
A Economist diz que o país estabeleceu a meta de alcançar a média da OCDE na próxima década, mas alerta que, “no ritmo atual, chegará só até a metade do caminho”.
A solução, aponta a revista, é propagar iniciativas como a da cidade do Rio (que combate a falta de professores dando pagando bônus às escolas que atingirem metas) e a do Estado de São Paulo (que criou plano de carreira a professores que vão bem em testes de conhecimento).
“Se o Brasil alcançar a nota, será porque conseguiu espalhar essas práticas inovadoras por todos os cantos”, conclui a revista.
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