Assine a
Newsletter
Semanal

Nome
Email

Receba
Atualizações
Diárias

Email
Inscreva-se

terça-feira, agosto 07, 2007

Como lidamos com a teologia




Calvino, Arminio, Wesley, Zwinglio, Spurgeon, Agostinho, homens claramente inspirados por Deus que desenvolveram pensamentos teológicos complexos e que hoje ainda nos ajudam a entender as Escrituras. Durante muito tempo do meu cristianismo somente a teologia desses homens me tocava profundamente, e ainda tocam - ainda bebo dessas maravilhosas águas. Porém hoje estou convencido de que, como meros seres humanos, batemos a cabeça na parede tentando entender a Bíblia e a vida com os olhos de Deus. Nos colocamos num patamar deveras alto, supostamente entendedores da ciência divina. Conseguimos chegar a conclusões sobre questões bíblicas complicadas, como se nossa mente fosse exatamente a mesma do Criador. Temos nossas linhas teologicas e acabamos por defendê-las com unhas e dentes. Calvinistas, Arminianos, Wesleyanos, Pré-milenaristas, Pós-milenaristas, dispensacionalistas... e por aí vai.

Hoje tenho aprendido a enxergar a teologia com meus olhos humanos. Não mais me coloco na posição de Deus, sinceramente, cansei de tentar explicar o inexplicável. Não mais explico porque Deus mandava matar mulheres e crianças no Antigo Testamento, nem desejo formatar a cabeça de alguém com um livre-arbítrio que é superior a Soberania de Deus, muito menos digo que Deus já predestinou toda a história da humanidade. Definitivamente não sei como Deus enxerga seu relacionamento com o homem, mas sei plenamente como deve ser meu relacionamento para com Ele - é disso que as Escrituras se encarregam de informar. Sei que sou pecador, carente da graça e misericórdia de Deus, sei que Jesus Cristo pagou por meus pecados na cruz, sei que vou para o céu.

Confesso que depois desse aprendizado a leitura bíblica até me parece mais leve. As pregações e textos fluem com mais naturalidade e meu relacionamento com Deus é mais honesto.

Aqui, publicamente, agradeço aos homens que me tem influenciado para isso: Ricardo Gondim, Caio Fábio, Philip Yancey, Ed René Kivitz e vários outros.

Colocar-me no meu humilde lugar me ajudou a ver a grandeza de Deus.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:33-36

sexta-feira, agosto 03, 2007

Salmo 23



O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.

Escrevo




Já menti dizendo que escrever é um exercício devocional, embora não seja de todo mentira, também escrevo para isso. Não escrevo pensando em popularidade. Não escrevo pensando em ser escritor. Não escrevo porque suponho ter algo novo para dizer ao mundo. Não escrevo para que saibam como estou. Não escrevo simplesmente porque gosto. Não escrevo por escrever. Embora sejam elementos válidos quando escrevo.

Escrevo porque sou só. Escrevo porque muitas angústias da minha alma não se calam. Escrevo porque perco noites em claro. Escrevo porque o mundo me é incompreensível. Escrevo porque não vejo outra saída. Escrevo, enfim, para aliviar a dor. Algum poeta já disse que escrever abrandava sua loucura. Sim, escrever também abranda a minha. Escrever dá a sensação de um ouvido amigo. Escrever dá a sensação de não ser reprovado por se expor. Escrever trás liberdade.

Não tenho mais os lampejos poéticos de outrora, nem ao menos consigo fazer rimas que não soem ridículas. Os escritos tornaram-se técnicos. Porém não desejo voltar atrás em nenhuma palavra escrita, nem ao menos me arrependo delas. Todas saíram diretamente da minha alma. Não me envergonho dos escritos antigos e bobos, nem dos novos e tolos. Tudo expressa o que senti, sinto e sentirei.

Deus não me privilegiou com criatividade, nem mesmo com grande eloquência - falada e escrita - mas me deu uma grande compreensão de mundo. Ouso dizer que às vezes sinto como Ele sente. Sinto o mundo que geme à minha porta, sinto a tristeza dos aflitos e deprimidos, sinto a exclusão dos excluídos, sinto a dor da perda de alguém.

Meu coração não consegue olhar pra injustiça e não se entristecer... Também não pode presenciar a dor e permanecer apático, nem ao menos consegue olhar os acusadores sem ternura.

Quem me vê nunca imagina uma vida sofrida. Órfão de pai vivo, distante de mãe presente. Criado nos moldes religiosos opressivos e distantes de Cristo. Família humilde. Cheio de exemplos a não serem imitados. Arrastado de um lado para outro como peregrino.

Hoje só posso atribuir o que tenho e o que sou a Deus. Nada provêm de esforço próprio, nada foi herdado. Simplesmente não compreendo como Ele olhou e me escolheu.

Tento retribuir com o mínimo requerido, mas até o mínimo é doloroso. Ser tantas vezes incompreendido, ser julgado, ser menosprezado.

Não sei se deveria, mas continuo escrevendo. Terrível vício que me acompanha desde a infância. Talvez seja reflexo de uma necessidade de exilar-se, sim escrever é meu exílio.

Aprendi a lidar com as decepções. Ter decepções já não me abalam. Faço o máximo e exijo nada. Menos que nada. Posso ser desprezado e perseguido por aqueles que ajudei, isso não influencia na minha fé. Fico triste, sou humano. Mas ainda consigo orar em favor dos que me decepcionam.

Em contrapartida existem aqueles que permanecem fiéis e amigos - são poucos - mas permanecem.

Escrever é uma boa terapia para mim, não gosto de sobrecarregar os fiéis amigos com tanta ladainha.

Depois de tantas palavras, sinto-me melhor. O efeito é curto, mas talvez consiga tempo para dormir.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Réquiem.



Ricardo Gondim.

Meu sol, envergonhado, sujeitou-se às sombras; minhas nuvens, tristes, encolheram-se no horizonte; meu dia, em posição fetal, chorou sangue.

Rasgo minhas vestes, espalho cinzas sobre minha calva e peço às carpideiras que chorem por mim. Sou molambo de sangue menstrual, um lixo infectado, mero fósforo riscado.

Tenho um lamento que sufoca o riso, um pranto que vira grito e uma angústia que estreita as paredes de meu caminho. Sou uma orquestra que só toca Réquiens, um beco úmido de tristezas, um prado esburacado pelas decepções.

Convenci-me de que a trapaça prevaleceu no jogo e eu perdi a partida. Mesmo peregrino, já abandonei todos os sonhos juvenis na beira da estrada. Fui soldado, mas perdi a baioneta e resta-me agachar na trincheira. Sonhei em ser artista, mas despedaçaram o piano que agora acende a fogueira que me devora. Vi-me profeta, mas só desejo uma caverna para me esconder.

Minha cidade cospe em meu rosto, meus conterrâneos conspiram contra mim, meus patrícios me tratam como estrangeiro. Condenei-me a ser um seixo que a vaga despreza, um garrancho estorricado da caatinga, um triste coveiro que volta para casa depois de sua labuta inglória.

Minha aldeia está deserta. Rapinaram minha casa, saquearam meu claustro, invadiram minha alcova. Tento amealhar qualquer rescaldo e só encontro tições frios. Procuro recompor o cenário de paz e me perco na bagunça que se espalhou por todos os cômodos.

Minha escrita perdeu o ritmo. Solaparam minha poesia. Meu texto parece um amontoado de tábuas no quintal da serraria. Percebo um franzir de sobrolhos por detrás de meus ombros e, tímido, escrevo platitude. Sou um Galileu Galilei sempre retrocedendo no que acredito, nervoso com a patrulha inclemente da religião.

Sou tentado como Jonas a embarcar rumo a Tarsis -perdi o medo do grande peixe. Parceiro de Davi, tenho vontade de afundar minha cama no Hades e de fazer das trevas um lençol. À semelhança de Elias, fujo sem receio de parecer covarde diante das ameaças vazias de uma rainha doida.

Caia eu em tuas mãos, ó Misericordioso Deus. Mas poupa-me do inferno que me rodeia, pois minha esperança é o Senhor.

Soli Deo Gloria.

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela igreja - Parte 3



Do sacerdócio

“O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? - diz o Senhor dos exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador, acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? - diz o Senhor dos exércitos. Agora pois suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? - diz o Senhor dos exércitos.” Malaquias 1:6-9

A profecia dada por intermédio de Malaquias à nação de Israel começa a tomar a forma de uma severa repreensão do Senhor. Como vimos no artigo anterior Deus mostra o desprezo do povo ao Seu terno amor, e agora parece começar a abrir o leque de iniquidades da nação.

Interessante notarmos como Deus começa as suas repreensões pelo “clero” dos judeus, Ele bate de frente com os sacerdotes, os que deveriam ser exemplo de devoção e dedicação ao Senhor, visto que só tinham essa tarefa no meio do povo, são os mais desleixados com as ordenanças dadas por Deus. Veremos que até a metade do capítulo 2, o Senhor ainda dedica seu tratamento aos sacerdotes, claramente contrariado por um comportamento vil e mesquinho dos seus obreiros.

As ordens de Deus com relação aos sacrifícios e ofertas foram totalmente claras, e podemos vê-las no Pentateuco, em especial Levítico, que trata minuciosamente das leis cerimoniais exigidas por Deus. Todo sacrifício deveria ser perfeito, com alimentos e animais perfeitos, sem defeito e sem mancha. Isto era requerido do povo para que através disto o Senhor os ensinasse que Ele é santo, que é puro de olhos, que não aceita uma meia aliança. Deus entra com seu infindo amor, porém espera uma contrapartida de comprometimento.

Neste momento fica claro que o problema não está no amor de Deus, como ouvia-se na boca do povo “Em que nos tem amado?”, mas sim no próprio povo, que entregou-se a um sentimento pecaminoso, desprezando o Senhor, suas leis e seus estatutos, preferindo assim viver uma vida da sua maneira e acabando assim por pagar pelo preço dos seus erros.

Embora o sacrifício vicário de Cristo, santo e definitivo, seja totalmente eficaz sobre nós, a Igreja, ainda assim Deus permanece o mesmo. Como pai deseja ser honrado por nós e como Senhor espera nosso profundo respeito e reverência. Não mais precisamos oferecer animais, porém o cristianismo vai muito além, o sacrifício deve ser nós mesmos. “Rogo-vos, pois, irmãos; pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1). E não mais temos um “clero”, isto é, sacerdotes intermediando nossa relação com Deus mas “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz;” (I Pe 2:9).

É fabuloso notar nos textos de Malaquias, Paulo e Pedro que o relacionamento que Deus deseja conosco continua sendo o mesmo. Embora não sejamos a nação de Israel, somos a Igreja de Cristo, não temos sacerdotes, porém nós somos os sacerdotes, não oferecemos sacrifícios de animais, mas oferecemos nós mesmos como sacrifício vivo.

Aqui pausamos a análise desse momento da profecia para nos voltarmos ao assunto original dessa sequência de artigos, a incompreensão da Igreja de Cristo com relação ao profeta Malaquias e as profecias de Deus. Observemos que embora a palavra tenha sido dirigida ao povo de Israel, podemos contextualizá-la com a Igreja, não de qualquer forma, mas embasando os argumentos na relação de verdades bíblicas contidas nos textos do Novo Testamento. Seguidamente as igrejas evangélicas tem experimentado fórmulas bíblicas miraculosas baseando-se única e exclusivamente em promessas e palavras de Deus que originalmente foram direcionadas à nação de Israel. Com isso criamos frustração e jugo sobre as pessoas que acabam seguindo essas interpretações errôneas e deturpadas das Escrituras. Há necessidade de que os líderes cristãos estudem mais a bíblia, desliguem-se de tradições humanas e procurem através do Espírito Santo enxergar a Palavra de Deus para Sua Igreja.

Voltando à nossa análise, e aplicando a repreensão do Senhor à nossa condição de ramo enxertado, vemos que como sacerdotes não podemos nos portar de qualquer maneira perante Ele, e por muitas vezes confundimos isso com estar nos edifícios que chamamos de igreja, confundimos em desempenhar um papel em determinado ministério, ou mesmo confundimos com ordenanças de homens. Assim como Jesus disse que o adultério não consiste no ato sexual em si, mas na concepção mental de tal pecado – uma clara extensão da lei – também nós, sacerdotes de Deus, não podemos viver uma vida devassa, desprezando o Espírito Santo que vivem em nós, agindo feito meninos na Sua presença, mas considerando que o sacrifício que o Senhor exige é contínuo, que a nossa vida deve ser um eterno culto ao Criador, devemos ser impelidos a aproximarmos nossa imagem à de Seu filho, devemos buscar sermos santos como Ele é santo. Do contrário estaremos como os sacerdotes de Israel, por nossos atos mostramos que a mesa do Senhor é imunda e desprezível, cogitando em nossa mente que por que temos a graça Dele podemos torná-lo co-participante de nossas más obras, e por vezes mostrando que o povo que não é igreja tem mais respeito por Deus do que nós.

Até quando ofereceremos nossas vidas como um sacrifício imundo perante Deus? Até quando não o respeitaremos como nossa Pai e Senhor? Precisaremos que Ele mostre o qual terrível é entre todas as nações? Continuaremos oferecendo sacrifícios melhores aos nossos superiores do que a Deus?

Que nosso Pai e Senhor nos corrija para que escapemos da condenação!

terça-feira, julho 31, 2007

A honestidade de Pedro e a falsidade da igreja



“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” João 21:15-17

As duas primeiras interrogações de Jesus, no grego, referem o amor a palavra agapao, que é o amor sacrificial exigido por Ele para um verdadeiro relacionamento, o amor que Deus demonstrou ao mundo enviando seu único filho, porém Pedro responde com a palavra grega phileo, que significa simplificadamente gostar de estar junto, apreciar, e pela última vez Jesus pergunta se Pedro apenas gosta de estar junto Dele, no que Pedro responde afirmativamente entristecendo-se e reconhecendo sua atual condição. Esse momento ocorre após a ressurreição de Cristo, e poucos dias antes o mesmo Pedro havia negado Jesus três vezes.

Nestes últimos dias essa pergunta tem ecoado forte em minha mente: “Tu me amas?” e até me pego em momentos falando estas palavras audivelmente. No tocante a essa passagem das Escrituras sou levado a pensar em algumas coisas, tanto da minha vida como da igreja como um todo. Pedro não teve coragem de explodir seu coração em hipocrisia e falar que “agapao” o Senhor, nem cantou uma canção bonita, muito menos fingiu estar bem quando seu estado de espírito estava abalado. Pedro reconhece seu pecado, reconhece sua incapacidade de amar a Jesus como Ele almeja, mas é o próprio Cristo que mostra o “caminho das pedras”. Se é que posso definir o grande ponto desse texto são as respostas de Jesus a sua própria pergunta: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pedro entende o recado e alguns dias após recebe o Espírito Santo e, de fato, apascenta as ovelhas do Senhor, a ponto de dar sua vida por elas e por Cristo.

Cheguei num ponto em minha vida que já não suporto declarações hipócritas, minhas e da igreja, não consigo repetir mantras de “Eu te amo”, “Estou apaixonado por Ti”, “Vivo só pra Ti”, “És o amado da minh'alma”, Jesus nunca exigiu isso de Pedro, Ele não esperava uma resposta eloquente de Pedro, não esperava um romper de lágrimas e emoções, mas tão somente “Apascenta as minhas ovelhas”, Jesus esperava atitudes e ações dignas de quem o ama! Porém hoje somos a igreja das declarações e canções bonitas, porém da falta de atitude. Somos falsos quando declaramos tantas coisas a Deus e não vivemos nem 1% delas. Hoje as ovelhas do Senhor estão entregues a sua própria sorte, “porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me.” (Mt 25:42-43) e “se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (I Jo 4:20).

Até quando me permitirei nutrir minha alma com esse falso cristianismo? Até quando deixarei de ser Igreja de Cristo? Até quando serei assim? Até quando seremos assim?

Considero participar de ministérios, dar aulas, pregar e todo evangelismo por obrigação como esterco porque quero alcançar a Cristo e cumprir os seus mandamentos.

Senhor, Tu sabes que eu gosto de Ti, mas como Pedro sou sincero agora, não consigo amar sacrificialmente, estou preso a minha vidinha medíocre, enredado por trabalho, família, emocionalismos e toda distração, confesso que sou pecador e carente da Tua misericórdia. Sei que o caminho a trilhar é o de pastorear as Tuas ovelhas, portanto, meu Pai, me ajuda porque em mim não habita bem algum, mas tudo é concedido pela Tua graça e misericórdia. Sonda a minha vida, sonda a vida da tua igreja. Corrige meus e nossos erros. Corrige toda hipocrisia e mentira. Corrige todo desvio de comportamento. Que para nós baste conseguirmos ser imitadores de Cristo, que a salvação e vida eterna sejam suficientes para nossas almas, que nos desprendamos do mundo e do que há no mundo. Desejo que todos morramos, que estejamos crucificados com Cristo para assim alcançar a vida eterna. Em nome de Jesus. Amém!

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 2



Do amor de Deus

“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? —disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre. Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o SENHOR também fora dos limites de Israel.” Malaquias 1:2-5

Durante toda a história de Israel, e da humanidade, Deus quer mostrar uma coisa: Ele nos ama. E como um Pai amoroso Deus tanto quer mostrar que provê todas as necessidades do Seu povo, que deve confiar plenamente Nele, quanto mostrar que corrige todo desvio comportamental de Seus filhos.

Vemos que o amor de Deus não é uma moeda de troca, pois conforme o texto Ele simplesmente amou Jacó, a tal ponto de abençoá-lo sobremaneira, dando uma descendência como a areia do mar, e exigindo apenas o comprometimento deste povo.

Porém era um povo de dura cerviz, capazes de depois de tantas maravilhas e tanto cuidado exercido de Deus para com eles perguntarem “Em que nos tem amado?”. Não quero neste ponto transformar Deus em humano, nem atribuir sentimentos humanos a Ele, mas por sermos feitos imagem e semelhança Dele imagino que como Pai amoroso Ele deve ter sofrido. Depois de tanto cuidado e zêlo, tantas revelações miraculosas, tantos prodígios, tantas profecias, tanto amor, receber essa pergunta em troca parece como a traição do próprio Judas.

Porque temos tanta dificuldade em enxergar o amor e cuidado de Deus em nossas vidas? Sabemos apenas exigir e exigir, como crianças mimadas, as bençãos Dele, mas somos incapazes de retribuir seu amor. E o que é retribuir o amor de Deus? Cumprir os seus santos mandamentos. Assim como o povo de Israel recebeu a Lei e deveria cumpri-la por amor, assim nós devemos cumprir a Lei a nós destinada. Não Lei de tábuas de pedra, mas a Lei que Ele mesmo põe em nossos corações. Somos capazes de criar leis que não são de Deus para nós e para a Igreja, mas incapazes de amar o nosso próximo como a nós mesmos.

Infelizmente usamos até a própria profecia de Malaquias para isso, interpretando-a erroneamente, criando jugo desnecessário e deixando de lado a vontade de Deus.

Precisamos parar de perguntar “No que nos tens amado.” e começar a enxergá-Lo em toda nossa vida, em todo cuidado e providência, em toda correção, em toda angústia ou tribulação, na natureza, na vida, nos nossos irmãos.

Ele nos tem amado em tudo, nós é que não correspondemos.

segunda-feira, julho 30, 2007

Uma oração



"Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para a minha boca! Ganho entendimento por meio dos teus preceitos; por isso odeio todo caminho de falsidade. A tua palavra é lâmpada que ilumina meus passos e luz que clareia o meu caminho." Salmo 119:103-105

Senhor, sabes que odeio todo caminho de falsidade e mentira, sabes ainda que tenho procurando manter-me íntegro perante a Tua presença e perante os meus irmãos. Sabes que procuro amar-te não por palavras, mas apascentando o TEU rebanho. Portanto, Pai, abençoa aqueles que me maldizem e mentem a meu respeito, cuida de suas vidas e não lhe impute pecado algum, pois creio que nem sabem o que fazem - Tu sabes o quanto para mim é difícil pedir isso, mas sou impelido pelo teu exemplo. Corrige-me nos meus erros, que a tua vara de correção recaia sobre mim quando peco contra ti e contra meus irmãos, pois sei que o Senhor corrige a todos quanto ama. Não espero que me livre das provações, mas que conforte meu coração, que a tua alegria, de fato, seja a minha força. Em nome de Jesus, o Cristo de Deus, Amém.

quarta-feira, julho 25, 2007

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 1



"A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias." Malaquias 1:1

Malaquias, sem sombra de dúvidas, é um dos profetas mais citados por todas as igrejas evangélicas, alguns jocosamente dizem que São Malaquias é o santo dos pastores, devido às cobranças que estes fazem sobre o povo referente às advertências do profeta sobre a negligência do povo de Israel com relação aos dízimos e ofertas.

Infelizmente acabamos por achar que Malaquias profetizou apenas sobre dízimos e ofertas, e desconsiderando todo o contexto do seu livro e todo o contexto da história do povo de Israel tentamos aplicar estas profecias diretamente na Igreja de Cristo, porém, como veremos, existe uma riqueza e profundidade em seus escritos que reduzi-los a esse assunto é simplesmente deturpar a Palavra de Deus, que não consiste em apenas alguns versículos, mas é a Bíblia em sua integralidade.

Nossa análise começa no capítulo 1, versículo 1, e nesse artigo ficaremos apenas nesse verso.

"A palavra do Senhor" - Notamos aqui que existe a preocupação de mostrar que todo o conteúdo do livro é "a palavra" do Senhor, isto é, não são algumas palavras do Senhor e outras do profeta, ou que são recomendações do profeta, mas que a totalidade da revelação profética vem do Senhor, que tudo aquilo que o profeta descreve são ordens expressas do próprio Deus para o bem do povo de Israel, sabemos que por toda a história houveram os falsos profetas, que profetizando mentiras enganaram por muitas vezes povos e reis, inclusive de Israel e Judá, mas Malaquias tem consciência de que esta Palavra que o Senhor lhe confiou é digna de aceitação e que deve ser obedecida imediatamente pelo povo, antes que o Senhor julgue seus pecados.

Prosseguindo no versículo vemos que a Palavra do Senhor tem endereço, e este é Israel. Podemos nos perguntar qual é a importância disso, qual a relevância, afinal é notório para todos que foi uma profecia para a nação de Israel. Porém, na prática, o que vemos hoje é uma total ignorância de líderes religiosos, que teimam em pegar profecias e textos da Velha Aliança, direcionadas ao povo de Israel e aplicá-las na Igreja de Cristo, ipsis litteris. Porque isso acontece? Enxergo apenas duas possibilidades: 1) Ou são totalmente ignorantes no que concerte à interpretação das Escrituras, 2) Ou são mal-intencionados e usam os textos bíblicos à seu bel prazer. Entre as duas muda-se apenas a motivação, mas permanece o erro, permanece o dano causado às pessoas por um ensino errado.

O que faremos então? Devemos ignorar o Velho Testamento? Ele não nos serve pra nada? É claro que não! Como disse no começo a bíblia é a Palavra de Deus revelada na sua integralidade, desde Gênesis ao Apocalipse. O erro consiste em interpretar e aplicar os textos de forma errada, desconsiderar seu contexto, desconsiderar que somos gentilicos e Igreja, não Israelitas, desconsiderar que vivemos a dispensação da Graça, enfim, desconsiderar o sacrifício de Cristo. Veremos que embora não estejamos presos aos preceitos da Lei, como o povo de Israel estava, somos conclamados pelo Senhor a seguir seus princípios, que são imutáveis. Temos uma outra lei que opera em nós, a lei do amor, do Espírito e da Vida, esta lei não está em tábuas de pedra, mas está gravada em nossos corações.

Por fim, o versículo nos diz que essa revelação da Palavra do Senhor foi feita por intermédio de Malaquias, e aqui vemos a humildade do profeta, que não usurpa a autoridade de Deus para si próprio, muito pelo contrário, reconhece que a profecia vem do Autor e Criador de toda existência, reconhece que é apenas um mero instrumento nas mãos do Deus Altíssimo e submete-se à sua vontade, falando Sua palavra.

Que possamos, como Malaquias, ter humildade para receber a Palavra do Senhor e ousadia para anunciá-la, lembrando sempre que somos instrumentos de Sua vontade, não senhores e donos da verdade. Que o Espírito Santo nos auxilie na nossa interpretação da Palavra, que nem mesmo por ignorância sobrecarreguemos nossos irmãos com jugo desnecessário. Que sejamos fiéis ao Criador e sua santa doutrina.

domingo, julho 22, 2007

O evangelho desumano e o cristianismo das aparências




“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto de anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” Colossenses 2:16-19


Paulo, o apóstolo dos gentios, judeu, cidadão romano, ex-fariseu, ex-perseguidor da Igreja, teria todos os motivos para ser um guardião da lei e seus preceitos, chamado e escolhido por Cristo sobrenaturalmente, agraciado com visões inefáveis, coberto de autoridade a ponto de repreender o apóstolo Pedro, sim, é neste Paulo que Deus coloca um espinho na carne, para que não se achasse superior aos demais e para revelar que o Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza do homem.

Hoje vemos muitos que por muito menos já acham-se em posição superior aos irmãos a ponto de inventar regras e doutrinas humanas para satisfazer seu egocentrismo, dizem-se com tamanho relacionamento com Deus que este lhes entrega visões particulares, modelos maravilhosos, conhecimento nunca dantes alcançado.

Pensamos que nossas igrejas supostamente pregam a verdade, mas a verdade é que estamos longe da Verdade. Criamos leis e cerimonialismos sem fim, usamos os textos bíblicos a nossa própria vontade e interpretação, encaixamos esses textos em pensamentos contrários aos de Deus e ainda atribuímos isso a Ele. Nossas orações revelam uma espiritualidade fraca, são tão automáticas e vazias que são facilmente repetidas por toda a congregação, nossas músicas mostram nossa pobreza em todos os sentidos, pobreza teológica, pobreza rítmica, pobreza espiritual, pobreza da alma. Parece que ninguém é mais capaz de criar nada novo, vivemos das inspirações norte-americanas, ou de nossos conterrâneos que já se desvirtuaram do evangelho de Cristo. Nossas pregações são nutridas pelo humanismo e pela auto-ajuda. Ninguém mais quer reconhecer sua fraqueza diante de Deus, ninguém mais quer depender Dele, ninguém mais quer esperar. Os pastores precisam encher as igrejas, precisam agradar o povo e supostamente devem dar um “alimento” todo domingo. A verdade é que desde os líderes até as humildes ovelhas o compromisso com Deus é vago. Não oramos, não jejuamos, não lemos e meditamos na bíblia como deveríamos. Somos clones de religiosos e com isso carregamos o peso da vã religião.

No afoito de mostrar a presença de Deus criamos os maiores absurdos, forjamos os super-crentes, aqueles que entram na igreja sorrindo, que levantam as mãos no louvor, que soltam a voz a plenos pulmões, que se emociona, que sente-se alimentado por pregações vazias. No seu íntimo ele sabe que vive atrás de uma máscara, que sua vida é miserável e faltosa da graça de Deus, que precisa de ajuda, do Pai e dos seus irmãos na fé, mas demonstrar isso na igreja é sinal de fraqueza, sendo assim ele continua disfarçando por quanto tempo conseguir.

Perdemos o senso da humanidade das pessoas, desvalorizamos seus sentimentos, pisamos na sua pequena fé, exigimos o cristianismo de aparências. Não toque, não coma, não beba, não ouça, faça isso, faça aquilo, participe deste ministério, participe daquele outro. Nos sentimos aprisionados num cárcere que é a igreja. Perdemos a nossa liberdade cristã, perdemos o amor dos irmãos, e alguns chegam ao ponto de perder a fé.

A solução para tudo isso é tão simples, mas penosa para ser executada. É necessário abnegação, compromisso, amor a Deus e amor ao próximo. É como Paulo escreve na carta aos colossenses, retendo a cabeça, que é Cristo, cresceremos o crescimento que vem de Deus. Não o crescimento pregado por métodos e modelos, por músicas, por pregações, mas do próprio Cristo nos ensinando, o próprio Caminho, Verdade e Vida atuando em nossas vidas, através do Espírito Santo, poderoso, santo e imaculado, que com gemidos inexprimíveis leva nos necessidades ao Pai, nos convence da nossa miserabilidade e da grandeza de Deus.

Quero uma carreira cristã longe dos modismos, regras e leis evangélicas, distante do disfarce de cristão, longe da desumanidade. Quero falar e cantar aquilo que sinto, expressar aquilo que penso, adorar a Deus como Ele quer que eu adore – e não como querem que eu o faça – quero viver a graça, quero sentir a misericórdia, quero provar do amor do Pai. Quero mostrar que também sou humano aos irmãos, mas quero ter ousadia para dizer que sejam meus imitadores como eu sou de Cristo. Quero viver uma vida santa, mas santa segundo Deus não segundo os homens. Quero servir, não ser servido, quero me humilhar e não me exaltar.

Sei que a porta é estreita e o caminho apertado que conduz a salvação, mas creio que a graça e misericórdia de Deus são suficientes para conduzir a mim e a sua Igreja por ela. Precisamos que Ele mesmo nos aumente a fé.

quarta-feira, julho 18, 2007

Perfeição



Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Inc. "O Bêbado e a Equilibrista" (A. Blanc/J. Bosco)

1

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladroes

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade

2

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos

Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo

Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã


3

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão


4

Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção


5

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição

terça-feira, julho 17, 2007

Quando desprezamos a vontade de Deus somos entregues ao nosso próprio engano



"Então disse o rei de Israel a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor - Micaías, filho de Inlá; porém eu o odeio, porque nunca profetiza o bem a meu respeito, mas somente o mal. Ao que disse Jeosafá: Não fale o rei assim." I Reis 22:8

O cenário é a necessidade do rei de Judá de retomar a terra de Ramote-Gileade dos Sírios, e para tanto é proposta uma aliança ao rei de Israel, este ajunta 400 profetas e todos à uma declaram que o Senhor dará vitória, Porém Josafá, rei de Judá, percebe que esses profetas não valem nada e pede a palavra de outro profeta de Israel no que Acabe a contra-gosto manda chamar Micaías, que segundo ele nunca profetiza nada de bom a seu respeito.

Quando Micaías chega a sua palavra é favorável ao rei, e apesar disso Acabe insiste para que Micaías fale toda a verdade, talvez apenas para provar sua teoria de que Micaías só faz aborrecer-lhe, e assim o profeta diz "Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa.", com isso fica enfurecido Acabe, mas Micaías prossegue "Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. E o Senhor perguntou: Quem induzirá Acabe a subir, para que caia em Ramote-Gileade? E um respondia de um modo, e outro de outro. Então saiu um espírito, apresentou-se diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe perguntou: De que modo? Respondeu ele: Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Ao que disse o Senhor: Tu o induzirás, e prevalecerás; sai, e faze assim.". A fúria de Acabe é tão grande que ele manda que o profeta seja preso até que ele volte furioso - o que não aconteceria. Acabe morre em batalha e a profecia cumpre-se.

Quantas e quantas vezes procuramos a Deus com a nossa própria vontade em punhos, totalmente indispostos para ouvir a verdade. Como o rei Acabe ficamos aborrecidos quando Deus quer nos falar coisas desagradáveis e assim procuramos qualquer ou qualquer um que nos diga boas palavras. Cercamo-nos de profetas e, segundo a nova moda, ministros de louvor que só fazem falar coisas boas e bonitas, que não tem compromisso em pregar a palavra, apenas em inflar nosso ego e satisfazer o nosso prazer. Ainda nós mesmos, quantas vezes teimamos em nos enganar, usando textos bíblicos de acordo com nossa vã interpretação, orando para "mudar" a vontade de Deus ao invés de Ele nos mudar. Corremos atrás de qualquer show da fé e sessão de descarrego porque como Acabe não queremos ouvir a verdadeira Palavra de Deus, queremos apenas ouvir a nossa própria vontade.

Em contrapartida Deus permite nosso engano, e, pasmem, Ele mesmo promove um espírito a sair e enganar aquele que está predisposto a isso. Para estes Deus tem reservada a ruína e o cálice da sua ira, visto que tem comichão nos ouvidos e afastam-se da verdade em favor da mentira.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós, que possamos aprender a nos submeter a sua santa vontade, mesmo quando essa é totalmente oposta a nossa. Que ouçamos a verdadeira voz do Pai e que Ele nos poupe dos espíritos que pregam enganos.

segunda-feira, julho 16, 2007

Os subterfúgios da igreja descompromissada




Onde será o próximo congresso? E acampamento? Ainda há vaga pra ir naquele show? Venha pro Encontro, é uma benção! Anunciamos que daqui 2 meses teremos o tão esperando encontro de casais, faça sua inscrição!

São frases extremamente comuns em nossas comunidades. Vivemos, inspiramos e transpiramos mega-eventos, são tantas as atividades que ficamos até sufocados. Todos querem ir no show da melhor banda gospel de todos os tempos da última semana. Organizamos retiros espirituais visando resolver todos os problemas das pessoas da igreja, almejamos que a transformação das vidas seja tão mais rápida quanto ir a um fast-food. Segmentamos a igreja em terceira idade, casais, jovens, adolescentes, pré-adolescentes, crianças, como se vivessemos cada um na sua idade isoladamente e como se um não tivesse o que adicionar ou aprender com a vida do outro.

Qual a causa desse frenesi todo? Seriam os novos métodos de Deus revelados para os líderes de nosso tempo? Ou é uma visão dada por Deus e que deve ser seguida por todos? Talvez novas formas descobertas pela pedagogia para aprimorar o ensino? Não. Vivemos pura e simplismente a época onde a igreja é totalmente descompromissada com a forma primitiva de cristianismo: o discipulado. O modelo de Jesus e dos apóstolos era puro e simples, fazer discípulos, conviver com eles, ensiná-los aos seus pés. Então se é o modelo bíblico, porque inventamos tanta novidade para substitui-lo? Porque o discipulado exige compromisso de cada um com seu próximo, compromisso de preocupar-se com todos os aspectos de sua vida, compromisso de abrir a porta de sua casa e assim, a sua vida, para que os novos na fé possam ser ensinados aos seus pés, e além de tudo exige uma vida cristã legítima, longe do cristianismo de aparências dos séculos XX e XXI, aquilo que se prega fora será observado dentro de sua própria casa por um "elemento estranho".

Infelizmente são poucos aqueles dispostos a discipular, a prover o genuíno leite espiritual do Senhor, são poucos os que tem coragem de expor a sua vida, são poucos os que realmente amam ao próximo como a si mesmo, e se não amam ao próximo, como ousam dizer que amam a Deus?

Daí surgem essas fórmulas mirabolantes, tentando suprir a falta da igreja em ser... igreja. A igreja anseia em ser templo, em ser música, em ser serviço social, ansei em ser grande... mas não anseia ser igreja. Despreza o conceito de comunidade, despreza a herança apostólica, despreza as palavras do Bom Mestre.

Quando acordaremos para as verdades essenciais do Reino de Deus?

Talvez daqui a pouco seja tarde, e o próprio Senhor separá os bodes das ovelhas.

domingo, julho 15, 2007

Meu chamado



Antes mesmo de converter-me eu já sabia que Deus me chamara para o pastorado, sim, serei um pastor. Essa certeza cresceu com o passar dos anos, mas a visão sobre como isso se dará mudou drasticamente, esse texto é quase que uma declaração de compromisso com relação ao chamado divino para o desenvolvimento dessa função no Corpo de Cristo.

Fui chamado para ser pastor, não conferencista, nem exímio pregador da palavra, não almejo arrebatar multidões com belas e inefáveis coisas.
Fui chamado para ser pastor, isto é, cuidar do rebanho, visitar os irmãos em suas casas, gastar tempo ligando e conversando com eles, desenvolver relacionamentos sólidos em amor.
Fui chamado para ser pastor, não para ser funcionário de uma denominação, visto que tenho o exemplo de Paulo, homem cheio do Espírito Santo e dotado de maravilhosos dons, não julgava-se superior a ninguem, trabalhava para não ser pesado aos irmãos, a carreira que cumpriu na fé não era uma mera carreira eclesiástica - isso é o que almejo.
Fui chamado para ser pastor, não um administrador de imóveis, nem administrador de uma organização, não me gastarei em contas intermináveis de coisas materiais, nem com a distribuição das cestas básicas, mas me cercarei de homens cheios do Espírito Santo, para que assim eu possa me dedicar a oração, à Palavra e à comunhão.
Fui chamado para ser pastor, não alguém que almeja agradar a todo mundo, não - não sou nada político, as Palavras de Cristo são loucura para o mundo, condenam o pecador, redimem o fraco, eleva aos humildes, é extremamente cortante e eficaz, agrade-se quem se agradar, rejeite-a quem a rejeitar, estou aqui para meramente anunciá-la.
Fui chamado para ser pastor, não para ser porta de entrada para a morte na panela no centro da igreja de Cristo, as heresias, as mentiras, os pensamentos positivistas, os evangelicalismos, os comunidadismos, os sincretismos e todo tipo de mentira devem - e serão - combatidos por mim como quando Davi enfrenta ursos e leões para defender o rebanho.
Fui chamado para ser pastor, não um santo milagreiro, nem o interecessor entre o pecador e Deus, mas sim para instruir que cada membro do corpo tem seu dom, que todos são sacerdotes na Nova Aliança, que todos foram chamados para ser sal e luz do mundo.
Fui chamado para ser pastor, não popstar de um grupo musical, mas para mostrar que a música tem seu lugar dentro do culto a Deus, lugar este que não é melhor, nem aproxima ninguem mais de Deus do que qualquer outra coisa feita para Ele.
Fui chamado para ser pastor, não para ser chamado de "pastor", pastorerar não é exibir um título, é uma mera função dentro do corpo, sou e continuarei sendo o Matheus, e pela misericórdia de Deus, pastor das ovelhas Dele.
Enfim, fui chamado para ser pastor, o menor dos menores no Reino de Deus, simplesmente um servo, que deve estar pronto pra servir, e assim tenho me colocado desde quando me converti, cansado ou não, atarefado ou não, em funções que gosto ou não, em tarefas inexpressivas ou não, sou servo, e Deus me permita que não da boca pra fora, pois hoje é o tempo de muitos pastores dizerem-se servos mas incapazes de servir.

Amo meu chamado, porque Deus me chamou. Mesmo que perante tudo que Ele tem me dado - salvação, justificação, santificação, vida eterna, Espírito Santo - seja quase nada, sinto-me minimamente pagando a dívida que tinha e que Cristo pagou na cruz.

Deus me ouça e me ajude a manter-me firme nesses ideais.

sexta-feira, julho 13, 2007

Temos o governo que merecemos



Diariamente vemos na TV escândalos envolvendo políticos e lideranças do nosso país, é mensaleiro pra cá, sanguessuga pra lá, superfaturamento em obras, estatais servindo interesses pessoais e partidários, o presidente do senado manipulando o próprio processo em que está sendo investigado, o irmão do presidente da república envolvido em escândalos por mera "inocência", senadores dizendo que nem eles próprios tem moral pra falar de ética.
Ainda temos os discursos que não batem, de um lado um ministro dizendo que a carga tributária do país é enorme e que precisamos reduzi-las, do outro o presidente diz que para oferecer bons serviços públicos é necessário taxas de impostos altas, e o engraçado é que somos o país "emergente" com a maior carga de impostos e ironicamente com os piores serviços públicos prestados.
Um tremendo escândalo por causa da "crise aérea", reportagens diárias e estatísticas sobre atrasos de vôos, pessoas berrando nas filas, baderna, o governo com uma reação apática e até cômica pedindo pra "relaxar e gozar". Enquanto isso durante anos idosos passam horas em filas na madrugada esperando pra receber seu direito do INSS, muitos morrem sem receber aquilo que pagaram a vida toda, e devido ao grande número de fraudes dos beneficiários tem que a cada 6 meses se recadastrar, passando sempre pela humilhação e pelo descaso. Diariamente vemos a crise aérea, mas ninguem mostra os pobres trabalhadores desse país que diariamente encaram 4 horas de viagem em ônibus, espremidos, sufocados, apenas para ganhar o pão de cada dia (isso quando o dinheiro dá), o preço do transporte que cresce de forma meteórica. Infelizmente idosos e pobres não tem voz nesse país, por isso só existe a "crise aérea". Os ricos reclamam, e são ouvidos.
No cenário mundial o Brasil é uma grande piada, pisoteado por bolivias da vida, motivo de piada para os grandes, afinal, somos o país do futebol, carnaval e samba. O país do turismo sexual, o país da libertinagem, o país da vergonha.
Os culpados são os governantes? A culpa foi da ditadura? A culpa foi da colonização portuguesa? Não. A culpa é nossa! Somos o grande problema dessa nação naturalmente abençoada por Deus. Fomos nós que criamos o "jeitinho brasileiro", jeitinho de burlar as normas e as regras em benefício próprio. A maioria dos brasileiros quer levar vantagem em tudo, mesmo que seja pra ganhar um lápis, vale a pena deixar de lado valores e moral. Dizem que numa pesquisa 80% das pessoas afirmou que faria a mesma coisa que os políticos atuais, isto é, roubariam.
Pensamos e agimos como as grandes redes de TV nos mandam. Somos facilmente manipuláveis. Preferimos sempre o caminho mais fácil. Dinheiro fácil? Fé de lâmpada mágica? Aqui é o lugar.
Esforçar-se pra que? O próximo feriado tá chegando... vamos curtir uma praia.

quinta-feira, junho 14, 2007

Conflitos



Caminho estreito é me livrar de minhas vaidades
A cada momento meu corpo geme pelo tempo presente
As palavras de arrependimento doem em todo meu ser
O coração tende a endurecer e morrer.

Oh! Quão sofrível é habitar esse tabernáculo imundo
Amarrado a um corpo em putrefação
Cego, surdo, mudo e manco com relação a divindade
Arrasto-me pelas sarjetas da vida.

Difícil tarefa viver como cidadão de outro Reino
Quando penso que estou forte, caio na minha fraqueza
Quando justificado, acusado sou pelo meu passado
"Se prostrado me adorares tudo te darei"

Não! Vivo agora a esperança da glória,
Justificado pelo cordeiro imaculado
Considero tudo como perda por amor ao Eterno
Neste pobre pecador habita o Deus vivo.

sábado, junho 09, 2007

Santa Ceia




Quase todos os cristãos concordam com a importância da Santa Ceia e celebram-na seja diariamente, semanalmente, mensalmente, etc. Os quatro Evangelhos citam a ceia de Cristo com os Apóstolos durante a páscoa judaica, sendo esta a última que o Senhor tomaria até a sua gloriosa volta, e a ordenança para que os cristãos o façam em memória Dele.

Portanto já estamos acostumados com todo o ritual e embora todos os Evangelhos relatem o acontecido (apenas João dá pouca ênfase) o texto mais usado na celebração é a primeira carta de Paulo aos Coríntios no capítulo 11, talvez pelas advertências do Apóstolo com relação àqueles que a tomam indignamente.

Como o cristianismo é cheio de ramificações e interpretações a respeito das Escrituras, a Santa Ceia não seria uma exceção. Existem igrejas onde apenas os batizados podem tomá-la, em outras qualquer pessoa que confesse ao Senhor Jesus pode recebê-la, e ainda existem aquelas onde uma pessoa com pecados escandalosos são impedidas de participar desse momento.

Faz-se necessário, portanto, voltarmos aos textos das Sagradas Escrituras, pois somente elas são capazes de nos instruir em nossos caminhos.

Não colocarei os textos aqui, mas são eles: Mateus 26:17-30; Marcos 14:22-26; Lucas 22:14-23 e em João no capítulo 13 o momento é apenas citado sem maiores detalhes. Além da primeira epístola de Paulo aos Coríntios no capítulo 11 do verso 17 ao 34.

Desde criança sempre achei que o "tomar indignamente" que Paulo diz estava relacionada aos meus pecados não confessados, mas assim que os confessava tornava-me digno para a Ceia. Hoje tenho convicção de duas coisas, a primeira é que ninguém tem autoridade para impedir quem quer que seja de participar da Ceia, o próprio Jesus não impediu o traidor Judas de tomá-la, e Judas já estava em pecado pois anteriormente já praticava furtos das ofertas aos Apóstolos e já havia combinado com os sacerdotes a traição de Cristo. O filho da perdição não foi impedido de tomar a Ceia pelo próprio Cristo, portanto, quem somos nós para impedir qualquer um por maiores que sejam seus pecados de participar? Segundo as instruções de Paulo cada pessoa deve examinar a si mesmo.

Minha segunda convicção é de que não é nossa condição pecaminosa que deve nos impedir de participar da Mesa do Senhor, visto que todos pecamos e ainda pecaremos até a glorificação de nossos corpos e que por mais que vivamos em Santidade ainda assim somos indignos perante Deus de qualquer coisa, quem nos justifica é Cristo. Isso significa libertinagem para tomar a ceia de qualquer jeito? De forma nenhuma! Um cristão verdadeiro quando peca logo arrepende-se e procura abandonar essa prática, mostrando contrição perante Deus e frutos dignos desse arrependimento, então se a Ceia é o único motivo que nos impulsiona a pedir perdão de nossos pecados, então estamos vivendo uma vida indigna do próprio Cristo!

Portanto o pecado não nos torna indignos da ceia (mas uma vida distante da santidade, sim!), então o que Paulo quer dizer com o "indignamente"? Basta olharmos atentamente o contexto da carta, os versículos antes da instrução de como deve ser a Ceia e o porquê do Apóstolo tê-las escrito. No versículo 18, o primeiro ponto é que Paulo afirma saber haver divisões dentro da igreja e de acordo com o versículo 21 parece ser uma divisão por causa das classes sociais. Aparentemente cada um levava os elementos que ceiariam, porém os pobres não tinham tal recurso, esperando que os irmãos mais ricos compartilhassem o pão e o vinho, mas não era o que estava acontecendo, os mais ricos tomavam sua própria ceia, chegando até a se embriagar enquanto os mais pobres passavam fome. Ora, eis a razão que os tornava indignos de participar da Ceia do Senhor, seu coração estava cheio de egoísmo, glutonaria e bebedice, e não consideravam a importância simbólica da Ceia, que é o anúncio da morte do Senhor até que Ele venha. Para eles a Ceia era apenas uma oportunidade de se empanturrar.

Com isso, concluo que os indignos de tomar a Ceia do Senhor são aqueles que ignoram seu significado, que acham algo banal, que o fazem sem lembrar-se da morte do Salvador e sua gloriosa ressurreição, que desprezam a Sua iminente volta. Também enxergo que qualquer um que tem vivido o Evangelho e que tem o mesmo sentimento que houve em Cristo pode participar da Mesa do Senhor, mesmo que ainda não tenha se batizado nas águas, mas como o ladrão da cruz já foi justificado por Jesus.

Que possamos nos encontrar dignos, não só de tomar a Ceia, mas de sermos chamados Filhos de Deus.

sexta-feira, maio 25, 2007

A reforma de nós mesmos




Não enxergo uma nova reforma no Cristianismo como foi com Lutero, mas enxergo uma reforma localizada, das pequenas congregações, pessoas e grupos unindo-se em prol de uma vida verdadeiramente cristã, embasada nas Escrituras e livre dos preceitos religiosos.

Essa reforma é baseada em três pilares:

1) Centralidade na Graça, Pessoa e Obra de Jesus, o Cristo;
2) Retorno às Escrituras;
3) Desprezo a toda tradição religiosa.

Alguns podem argumentar que os evangélicos tem a centralidade em Jesus, que não existe adoração a santos, imagens ou pessoas, que não existe um Papa. Para mim isso não passa de mero discurso e uma grande distorção da verdade, pois o que se pratica hoje nas igrejas evangélicas é um histerismo baseado num certo poder mágico que o nome Jesus pode provocar, não naquilo que Ele fez, naquilo que Ele pregou e naquilo que Ele É. Simplesmente escolhemos as passagens mais bonitas e deleitosas de ler na bíblia a respeito Dele e acabamos por deixar de lado aquilo que nos confronta.

Outros dirão que nas igrejas evangélicas as Escrituras são a nossa regra de fé e prática, mas a verdade é que consideramos qualquer um que tem acesso à um microfone como digno de expor aquilo que acha a respeito das Escrituras como verdade inquestionável, os exemplos são abundantes quando pegamos as sofríveis letras da música cristã contemporânea.

Muitos acharão que desprezar as tradições religiosas é algo muito radical, pois mesmo em meio a um lamaçal e distorção do Evangelho ainda temos coisas boas e grande herança dos líderes históricos. Não deixo de concordar com isso, mas acredito firmemente que o desprezo as tradições e um retorno as Escrituras nos levará novamente aquilo que foi feito de bom, e é claro que toda prática bíblica será sempre mantida, mas se não rompermos imediatamente com o sistema eclesiástico vigente morreremos sufocados pelo espírito do anti-cristo que já opera em nosso meio.

Tudo isso não significa abandonar nossas igrejas e comunidades, muito pelo contrário, deve nos levar a cada vez mais interagirmos com nossos irmãos, nos levando a praticar o amor para com o próximo, nos levar a nos unir para levar a mensagem do Evangelho, para praticar as boas obras, para sermos testemunhas fiéis do Reino.

Deus nos quer como sal e luz do mundo, não como meros instrumentos de uma organização enferrujada e caquética. Nós podemos começar mudando nós mesmos, depois mudando nossas comunidades, e quem sabe conseguir mudar algo mais?

Deus está no controle da sua Igreja, tão somente precisamos estar dispostos a sermos instrumentos em suas mãos.

PS: Estou escrevendo a próxima parte do artigo Alegria em Cristo.

sábado, maio 05, 2007

Alegria em Cristo - Parte 1



Livre da corrupção do mundo

Sinto a necessidade e o ardente desejo de escrever sobre as alegrias que tenho tido na minha caminhada cristã, pois apesar das grandes decepções e tristezas em nada pode-se comparar à maravilhosa e doce esperança que repousa sobre Cristo e suas promessas, nas quais tenho me apoiado e confiado plenamente.

Nesta primeira parte do artigo venho falar da alegria de manter-me afastado da corrupção do mundo. Corrupção esta que não está apenas ligada a fatores políticos ou sociais, mas está ligada a todo mal oriundo da desobediência primeira de Adão e Eva no Jardim do Éden, isto é, o pecado, que trouxe todos os tipos de males sobre o homem.

Começando pela morte espiritual, da comunhão plena entre Deus e homem ao total afastamento e separação, tornando o homem incapaz de voltar a relacionar-se com Deus por vontade própria. O ser criado por Deus para desfrutar da terra e viver uma vida perfeita é expulso do jardim, mantido longe da árvore da vida e distante da presença do Pai. É por isso que me rendo em plena alegria perante Deus, pois mesmo com o pecado do homem Ele promete a salvação, o Redentor, o Messias, vindo como descêndencia da mulher, gerado Dele próprio, o Deus que andou entre os homens e redimiu com a sua vida os rebeldes, mandando Seu doce Espírito para habitar em nós e assim nos concedendo vida e vida em abundância. Da morte espiritual para a vida eterna.

As consequências do pecado afetaram todo o mundo criado por Deus, e isso trouxe sérias implicações para a saúde do homem, de seres imortais passamos a mortais, com um ciclo de vida física limitado, e tantas vezes incapazes de combater a morte prematura. Vemos os hospitais, as ruas, as pessoas, cercadas por doenças, por precauções, por medo, medo da morte. Minha alegria não está em falsas promessas de que aceitar a Cristo vai me livrar de todas doenças, de que viverei com plena saúde, Cristo nunca prometeu isso, mas sinto indizível alegria por saber que esse meu corpo destruído pelo pecado, limitado, frágil, será um dia glorificado, se tornará incorruptível e eterno, como originalmente era o plano de Deus para Adão e Eva e toda a humanidade.

O estado pecaminoso do homem tornou-o rebelde para com a própria natureza criada por Deus, que revela e exalta a Sua perfeição. As trasgressões do homem chegaram ao ponto de desconsiderar o Criador por idéias malucas de um universo surgindo espontaneamente. Cada vez mais a mente pecaminosa do homem afasta-o de Deus, e como no jardim a tentação é a mesma, tornar-se igual ou superior ao Criador. Alegro-me em poder enxergar tanta beleza no mundo, desde as singelas flores à imensidão do universo, contemplar as estrelas, os mares, os animais. Posso contemplar a complexidade do homem, os seus complexos sistemas que o mantém vivo, que produzem inteligência, todos eles como planos perfeitos do Grande Arquiteto. Deus criou tudo.

A cada dia nos noticiários vemos os casos mais absurdos, são filhos matando pais, pais abandonando e enterrando filhos, casos de estupros, pedofilia, aborto, sequestros, assaltos. Me alegro porque fui livre de viver em ambientes onde essas coisas sejam incentivadas e naturais, livre da falta de educação, livre do descaso, isso para mim é graça de Deus, pois mesmo antes de confessá-lo Ele já cuidava de mim. Não que me considere livre deste mundo, muito pelo contrário, sei que a próxima bala perdida pode ser encontrada em mim, e não é porque professo o cristianismo que estou livre disso, pois o sol nasce para os justos e injustos, mas eu sei que o meu Redentor vive e mesmo que eu morra nele esperarei e esta é minha maior alegria, a esperança no porvir.

Nossa sociedade está se desfazendo diante de nossos olhos com a frouxidão moral que impera e comanda o mundo. Não há mais respeito com a união sagrada do matrimônio, homens casando-se com homens, mulheres com mulheres, divórcios a granel, os corpos são meros objetos sexuais, a depravação é aceita como uma saudável sexualidade, a ordem é satisfazer os próprios desejos e não preocupar-se com as implicações de tais atos, e isso tudo em nome de uma ilusória felicidade. Passamos por uma crise de valores e conceitos, tudo é justificável em nome dos fins alcançados, trapacear, roubar, mentir, tornaram-se apenas meios de obter sucesso. Cristo verdadeiramente me libertou dessa escravidão mental, posso extrair meus valores de sua imutável Palavra, posso colocá-las em prática, posso ser luz do mundo e sal da terra, alegria por manter (ou pelo menos tentar) minha mente sã.

Os relacionamentos de nossa geração são marcados pela superficialidade, pela falta de comprometimento, pela falta de amor. Desde as amizades, do coleguismo do trabalho até os namoros e casamentos, nos relacionamentos o importante é extrair aquilo que nos agrada, divertir-se nas baladas da vida, conversar, rir, ficar, mas na hora do sofrimento é cada um por si. Pela maravilhosa Palavra de Deus me alegro, pois ela me ensina a amar ao próximo como a mim mesmo, abençoar os que me perseguem, dar a vida pelos amigos. Bendita Palavra.

Experimentamos ainda a corrupção última, aquela que definitivamente não deveria existir, mas existe, que é a corrupção da igreja. Toda a corrupção citada acima, infelizmente, está totalmente presente na igreja cristã (não refiro-me ao Corpo de Cristo). O evangelho foi totalmente deturpado, rasgado e pisoteado para atender essa geração corrupta, tudo para alimentar o egoísmo, egocentrismo e hedonismo da sociedade. A igreja protestante que surgiu como uma luz no meio da corrupção da igreja católica hoje está prostrada perante o deus deste século, professa o evangelho da riqueza e prosperidade, prega uma vida sem sofrimentos, tira o foco da Eternidade e passa-o para o presente século, ensinando seus fiéis a amar o mundo e as coisas que há no mundo, das denominações históricas às igrejas neopentecostais, todas corromperam-se. Criam-se dogmas e doutrinas estranhas, sem embasamento bíblico, moralismo, legalismo, hipocrisia e infelizmente essas são coisas comuns a todas as igrejas. A igreja está cheia de falsos mestres, falsos pastores, falsos apóstolos, e aquelas que consideram-se corretas aceitam tudo isso passivamente, como se realmente essas igrejas fizessem parte do Corpo de Cristo, tudo em nome da "sinceridade" dos seus fiéis, como se sinceridade fosse desculpa para ignorar os princípios divinos, se assim fosse, deveríamos aceitar os islâmicos, os judeus, os católicos, os espíritas, e todas as religiões, pois os fiéis também são sinceros. Enfim, o que me alegra nesse poço de lama? Considerar o Pai, o Filho, o Espírito Santo e a Palavra suficientes para a minha fé, e que apesar desses problemas fui chamado para fazer a diferença, crescer nas dificuldades, pregar a verdade, seja com a minha vida, seja com palavras, e manter-me afastado da corrupção.

Para os mais atentos a esse texto parece contraditório alguem alegrar-se ao enxergar a corrupção do mundo, e realmente é, pois ao mesmo tempo que me alegro, me entristeço, quantas vezes quero chorar ao ver toda essa corrupção, mas a minha alegria não é pela corrupção, mas é devida Àquele que me libertou desse mundo, mesmo com meus pecados, com a minha morte espiritual, Ele, Jesus, me resgatou e me trouxe para o seio do Pai, mesmo sendo merecedor de morte Ele me concedeu a vida eterna por uma profunda e maravilhosa graça e pela sua infinita misericórdia. Todo louvor, honra e glória são pertencentes a Deus.

quarta-feira, maio 02, 2007

O pior ainda está por vir!




Sei que essa afirmação está na contra-mão dos triunfalistas líderes evangélicos, mas se aplicada no sentido que eles almejam quando dizem que "o melhor ainda está por vir" é totalmente válida, visto que essa pregação medonha de prosperidade terrena nada tem a ver com a bíblia ou o propósito da vida de um crente.

A bíblia afirma que no fim dos tempos (e não se enganem, rumamos para o fim desde que Cristo subiu aos céus) haverá sofrimento, injustiças, falsos líderes, falsas promessas, falso evangelho, angústias, tristezas e multiplicação da iniquidade, portanto, considerando nossa vida aqui na terra concluimos que o pior ainda está por vir.

Não se enganem (nem deixem-se ser enganados), nós NÃO ganharemos o Brasil pra Cristo, NÃO ganharemos o mundo todo pra Cristo, NÃO seremos todos ricos, NÃO teremos sempre saúde, NÃO estaremos nas melhores posições sociais, enfim, aos olhos humanos não seremos vencedores, isto digo para os fiéis em Cristo, não os que se venderam ao espírito do anti-cristo que atua no mundo, esses embora professem o nome de Jesus, naquele Dia Ele mesmo dirá que nunca os conheceu. Seremos, sim, considerados a escória da humanidade, perseguidos, afligidos e até mortos (como acontece com nossos irmãos em países onde o Evangelho é proibido).

Porém, se considerarmos que o melhor não é uma vida terrena abundante em bençãos materiais, mas que o melhor que está por vir é a vida eterna, é o viver com Cristo, ter o corpo glorificado, estar definitivamente liberto do pecado, ter toda lágrima enxugada pelo Pai, então aí eu concordarei: o melhor ainda está por vir.

Maranata!
Related Posts with Thumbnails