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quarta-feira, julho 25, 2007

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 1



"A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias." Malaquias 1:1

Malaquias, sem sombra de dúvidas, é um dos profetas mais citados por todas as igrejas evangélicas, alguns jocosamente dizem que São Malaquias é o santo dos pastores, devido às cobranças que estes fazem sobre o povo referente às advertências do profeta sobre a negligência do povo de Israel com relação aos dízimos e ofertas.

Infelizmente acabamos por achar que Malaquias profetizou apenas sobre dízimos e ofertas, e desconsiderando todo o contexto do seu livro e todo o contexto da história do povo de Israel tentamos aplicar estas profecias diretamente na Igreja de Cristo, porém, como veremos, existe uma riqueza e profundidade em seus escritos que reduzi-los a esse assunto é simplesmente deturpar a Palavra de Deus, que não consiste em apenas alguns versículos, mas é a Bíblia em sua integralidade.

Nossa análise começa no capítulo 1, versículo 1, e nesse artigo ficaremos apenas nesse verso.

"A palavra do Senhor" - Notamos aqui que existe a preocupação de mostrar que todo o conteúdo do livro é "a palavra" do Senhor, isto é, não são algumas palavras do Senhor e outras do profeta, ou que são recomendações do profeta, mas que a totalidade da revelação profética vem do Senhor, que tudo aquilo que o profeta descreve são ordens expressas do próprio Deus para o bem do povo de Israel, sabemos que por toda a história houveram os falsos profetas, que profetizando mentiras enganaram por muitas vezes povos e reis, inclusive de Israel e Judá, mas Malaquias tem consciência de que esta Palavra que o Senhor lhe confiou é digna de aceitação e que deve ser obedecida imediatamente pelo povo, antes que o Senhor julgue seus pecados.

Prosseguindo no versículo vemos que a Palavra do Senhor tem endereço, e este é Israel. Podemos nos perguntar qual é a importância disso, qual a relevância, afinal é notório para todos que foi uma profecia para a nação de Israel. Porém, na prática, o que vemos hoje é uma total ignorância de líderes religiosos, que teimam em pegar profecias e textos da Velha Aliança, direcionadas ao povo de Israel e aplicá-las na Igreja de Cristo, ipsis litteris. Porque isso acontece? Enxergo apenas duas possibilidades: 1) Ou são totalmente ignorantes no que concerte à interpretação das Escrituras, 2) Ou são mal-intencionados e usam os textos bíblicos à seu bel prazer. Entre as duas muda-se apenas a motivação, mas permanece o erro, permanece o dano causado às pessoas por um ensino errado.

O que faremos então? Devemos ignorar o Velho Testamento? Ele não nos serve pra nada? É claro que não! Como disse no começo a bíblia é a Palavra de Deus revelada na sua integralidade, desde Gênesis ao Apocalipse. O erro consiste em interpretar e aplicar os textos de forma errada, desconsiderar seu contexto, desconsiderar que somos gentilicos e Igreja, não Israelitas, desconsiderar que vivemos a dispensação da Graça, enfim, desconsiderar o sacrifício de Cristo. Veremos que embora não estejamos presos aos preceitos da Lei, como o povo de Israel estava, somos conclamados pelo Senhor a seguir seus princípios, que são imutáveis. Temos uma outra lei que opera em nós, a lei do amor, do Espírito e da Vida, esta lei não está em tábuas de pedra, mas está gravada em nossos corações.

Por fim, o versículo nos diz que essa revelação da Palavra do Senhor foi feita por intermédio de Malaquias, e aqui vemos a humildade do profeta, que não usurpa a autoridade de Deus para si próprio, muito pelo contrário, reconhece que a profecia vem do Autor e Criador de toda existência, reconhece que é apenas um mero instrumento nas mãos do Deus Altíssimo e submete-se à sua vontade, falando Sua palavra.

Que possamos, como Malaquias, ter humildade para receber a Palavra do Senhor e ousadia para anunciá-la, lembrando sempre que somos instrumentos de Sua vontade, não senhores e donos da verdade. Que o Espírito Santo nos auxilie na nossa interpretação da Palavra, que nem mesmo por ignorância sobrecarreguemos nossos irmãos com jugo desnecessário. Que sejamos fiéis ao Criador e sua santa doutrina.

2 comentários:

farlei souza farias disse...

E ASSIM QUE DEUS FAS AMEN

Pb. Wanderley Santana disse...

Caro irmão, a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Eu li as 5 partes de seu texto e achei-o muito bom. Uma análise concisa e profunda. Apenas gostaria "pacificamente" manifestar uma pequena discordância ao que o irmão relatou no texto de número um (1) acerca de o AT não servir como material doutrinário para os crentes neotestamentários. Se por acaso eu tiver entendido de forma errônea por favor me perdoe. Creio que quando as Escrituras fazem menção ao "término da lei" ela se refere unicamente ao pacto firmado com Israel no Sinai através das leis gravadas em tábuas de pedra (como vc sabiamente se referiu), e as cerimonias e festas que foram ordenadas. Não creio que o livro de Malaquias (e todos os outros do AT) entrem nessa categoria de "coisas que foram abolidas pela graça". Baseio minha argumentação nos seguintes fatos:

1º Jesus disse que quem violar qualquer um dos mandamentos da lei mosaica será considerado "mínimo" no reino dos céus (Mt 5.18).

2º Paulo cita textos da lei mosaica diversas vezes como algo normativo para a igreja: Rm 13.8-10; Ef 6.2; 1 Tm 5.18;etc.

3º Paulo disse que toda a Escritura é útil para o ensino (doutrina), para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça...(2 Tm 3.16) e, certamente ele se referia ao AT quando escreveu isso pois o NT ainda não estava pronto.

Portanto, creio que os textos relacionados com o povo de Deus no AT são dirigidos também a nós (exceto quando se trata a promessas expecíficas para o "Israel nacional", como território, restalração nacional, etc). Israel como nação, foi temporariamente regeitado por Deus, porém, Paulo mostra em Rm 11. 1-5 que embora a nação de israel tenha regeitado a Jesus, há um remanescente que o aceitou, e as promessas estão sendo cumpridas neste remanescente que permaneceu fiel. E nós fazemos parte desse remanescente fiel (Rm 11.7). Portanto, embora os rituais, as festas e as leis de caráter civil tenham sido abolidas na cruz (Cl 2.16-17), o restante da lei e dos profetas devem ser observados por todos nós. e podemos observar a igreja neotestamentária fazendo isso o tempo todo: Tg 2.8-13; At 15.21; etc.

Caro irmão, mais uma vez peço que se eu tiver entendido mal o seu artigo, me perdoe! E se eu tiver entendido bem, que isso não se torne algo que promova um obstáculo em nossa amizade virtual.

Que Deus lhe abençoe!

Com temor e tremor, seu conservo Pb. Wanderley Santana.

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