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sexta-feira, outubro 05, 2007

Salmo 1



Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.

Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.

Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha.

Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos;
porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à ruína.

Como tudo seria mais fácil...



É quase inevitável imaginar como tudo seria mais fácil se eu fizesse as coisas de forma diferente...

Se eu fosse conformado com a mediocredade...

Se eu fosse uma pessoa política...

Se eu fosse menos exigente...

Se eu fosse mais maleável...

Se eu escrevesse textos de auto-ajuda...

Se eu promovesse as coisas boas que faço (se é que as faço)...

Se eu seguisse a multidão...

Se eu falasse sempre pensando em agradar as pessoas...

Se eu fizesse joguinhos emocionais....

Se eu usasse minha influência para meu próprio benefício...

Se eu me calasse...

Se eu me amoldasse...

Porém, opera em mim algo maior, algo que me impele a ser diferente. Como alguém já disse, os maus dominam quando os justos se calam. Não posso escolher o caminho mais fácil. Isso não quer dizer que eu não erre, mas erro procurando o bem, erro justamente porque procuro evitar o erro e o engano daqueles que amo.

Pago com isso alguns preços. O preço de não agradar todo mundo, talvez até agrade apenas uma minoria, pago com noites pessimamente dormidas, pago com enfermidades oriundas de stress. Tristemente as pessoas são quase incapazes de ver isso.

Mas minha esperança e fé, miraculosamente, são fortalecidas a cada dia. Cada momento é uma experiência nova de êxtase em Deus. Suas maravilhas e seu cuidado me cercam, a ponto de ter paz no meio da guerra.

Hoje, basta-me ter a mente tranquila guardada em Cristo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Os monges de Myanmar



"Nós não somos de nós mesmos; portanto, não façamos nosso alvo a busca daquelas coisas que nos sejam agradáveis; nós não somos de nós mesmos: portanto, até onde nos é possível, esqueçamo-nos, e as coisas que são nossas. Por outro lado, somos de Deus: portanto, que a sua sabedoria e vontade presidam sobre tudo que é nosso. Nós somos de Deus: a Ele, como único legítimo alvo, sejam dirigidas nossas vidas em todos os seus aspectos." João Calvino

Myanmar é um país pobre do Sudeste da Ásia, país este marcado em toda a sua história por guerras e banhos de sangue. A violência parece ser algo comum a história de tão sofrido país. Já enfrentaram do temido Gêngis Khan ao poderoso império britânico. Hoje é um país dominado pela amarga ditadura.

O atrativo a Myanmar foram sempre suas riquezas naturais, e por fim o cobiçado petróleo.

Nesse interim é que novamente na história os monges budistas se levantam contra o dominío totalitário e autoritário de seus governantes, incorporando em si mesmos a frase "sê como o sândalo que perfuma o machado que o fere", pois suas manifestações são pacíficas, mas mesmo assim tornam-se como ovelhas num matadouro, sendo torturados, mortos e presos.

É tempo de deixarmos de lado nossos recalques religiosos, que nos levam a desprezar tudo que é feito em outras religiões, e passarmos a olhar os seres humanos que sofrem. Se não estamos fisicamente lá, precisamos clamar para que Deus intervenha na história dessa gente sofrida, clamar para que haja paz e justiça social, clamar para que seu amor seja derramado sobre tantas vidas que diariamente convivem com o terror.

Sabemos que esse povo precisa mais do que a libertação política, a libertação que Cristo proporciona. Oremos para que Deus abra as portas à pregação do Evangelho, oremos para que Deus use seus servos nesse país, fazendo assim Seu glorioso nome conhecido. Busquemos o favor Daquele que pode todas as coisas.

Esses monges budistas parecem como pedras que clamam, num mundo depravado e corrompido, eles se levantam, com a imagem residual de Deus que resta sobre todo homem, possibilitando, que mesmo mortos em seus pecados, pessoas ainda sejam capazes de obras de justiça.

Que o Deus da paz seja o Deus do povo de Myanmar.

"Deus se compadeça de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós, para que se conheça na terra o seu caminho e entre todas as nações a sua salvação." Salmo 67:1-2

Que sejamos revestidos pelo amor, que é o vínculo da perfeição.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Não quero ser da "Geração que dança"



Tudo bem, sou um ranzinza precoce, chato, etc. Isto é fato, e não me importo com esse rótulo. :)

Mas não posso me calar quando vejo tantas e sucessivas imbecilidades em nome de Deus. Parece que vivemos num meio evangélico anestesiado, conformado e estagnado. Todo mundo aceita tudo e ninguém, ao menos, questiona o meio gospel. Vemos que tudo está no mesmo balaio, coisas boas, ruins, coisas que fazem sentido, coisas que não tem sentido nenhum.

A nova coqueluche é essa música "Geração que dança". Música gostosa para ouvir e boa para o propósito dela, dançar, balançar o esqueleto, pular. Para os jovens e adolescentes é um prato cheio, pois estes são continuamente reprimidos com regras tolas de que somente devem ouvir e apreciar coisas do mundo gospel. Tudo que é feito com o nome de Deus, por evangélicos, é bom, o resto é lixo e obra do diabo. Diante dessa repressão abriu-se um nicho de mercado, focado em criar músicas que fazem o povo pular e dançar sem culpa, sem precisar recorrer para as coisas mundanas.

E qual é o grande problema disso? Simplesmente o fato de que para encaixar essa necessidade nas músicas, a Palavra de Deus é barganhada por um mísero prato de lentilhas. Analisando o caso dessa música, gostaria de saber onde a bíblia diz que seremos a geração que dança, ou de que existe uma geração que dança... Ah, mas Davi dançou perante a Arca, Miriã dançou, fulano dançou. Tudo bem, são fatos bíblicos, o que não quer dizer que sejam regras de culto, mas que simplesmente demonstram a alegria dessas pessoas, além é claro da bagagem cultural judaica, que inclui a dança.

Meu problema não é com a dança, mas com a letra sem sentido da música. Jesus nunca disse que marcaremos uma geração com danças, nem que nossas músicas farão alguma diferença, mas que seríamos conhecidos pelo nosso amor, pela nossa misericórdia, pela nossa fidelidade, pela nossa fé. Que devíamos ser sal da terra e luz do mundo, porque através de nós seria levada a revelação de Deus aos homens. Através da igreja o mundo deveria ser guiado em justiça e retidão. Pregaríamos as palavras de arrependimento e vida eterna - isso marca uma geração.

Porém, o que vemos é que mais temos músicas parecidas com as ivetes sangalos da vida, que os "ministros de louvor" tem mais jeito de gugus e faustões do que de servos de Deus. O que vale é animar o bando.

O povo evangélico, a cada dia que passa, cria mais comichão nos ouvidos para ouvir "mestres" que falam aquilo que eles gostam, que os fazem dançar e cantar, mas que não ousam criticar o seu estilo de vida, que não falem de pecado, que não toquem na palavra arrependimento. Mas querem ser tocados em seus sentimentos, querem achar que sua euforia ou lágrimas são a presença do Espírito Santo. Não devemos nos enganar, no fim, é tudo meramente carnal.

Com tudo isso a verdadeira espiritualidade - expressa através do Fruto do Espírito, das obras de justiça, dos sinais, do testemunho cristão - vai para o ralo, escondida e acuada, não tem espaço perante a mídia evangélica que está focada nos grandes preletores e artistas musicais.

Não, eu não quero ser dessa geração que dança, pois é uma geração que está dançando perante os conglomerados comerciais do meio gospel, dança perante a omissão da Igreja nas causas sociais, dança enquanto em cada esquina uma pessoa pede esmolas, dança enquanto nos becos as mulheres se prostituem, dança ao mesmo tempo em que meninos e meninas entram para o mundo das drogas. Eles dançam para satisfazer suas vontades carnais, para divertir-se, não para servir a Deus.

Eu quero ser da geração que dá a vida pelos seus amigos - não há amor maior - da geração que alimenta os famintos, da geração que visita os enfermos e presos, da geração que demonstra o amor a Deus cuidando de seu rebanho, da geração que combate o pecado, o mundo e o diabo, não com danças e triunfalismo barato, mas com atos de amor.

Infelizmente é muito mais fácil dançar e pular dentro dos templos evangélicos do que fazer diferença num mundo caído e contaminado pelo pecado.

Este é meu apelo: Pregadores, pastores, bispos, padres, cléricos, obreiros, apóstolos, missionários, ministros de louvor, líderes, servos, parem de enganar as ovelhas de Deus! Preguem a Palavra, a tempo e fora de tempo! Preguem o arrependimento! Preguem a fé! Preguem a santidade! Componham músicas que expressem os atributos de Deus e sua imutável Palavra! Levem a mensagem do Evangelho, que é Graça sobre Graça, não leis caducas de homens! Amem a Deus, amem a si mesmos, amem ao próximo.

Jovens e adolescentes, dancem, cantem, pulem, vibrem, mas saibam que isso é bom como entretenimento, não tenham medo de apreciar a arte, seja ela evangélica ou não, mas observem tudo e retenham o que é bom. Porém, saibam que isso não é algo que vai nutrir o seu relacionamento com Deus, o que nutre esse relacionamento é jejum, oração, leitura e meditação da Palavra, fé, esperança, amor.

No lugar de "tirar os pés do chão e dançar" deveríamos nos ajoelhar e clamar pelo mundo que jaz no maligno. Deveríamos nos calçar com a preparação do Evangelho, anunciando o arrependimento e a chegada do Reino.

Que Deus nos ajude.

terça-feira, setembro 25, 2007

O porque do amor



Deus criou tudo, do nada. E criou de forma progressiva. Criou observando que o que era criado era bom, bom não para Ele, mas bom para a coroa da criação, bom para o homem. Toda a criação foi destinada às mãos do objeto do amor de Deus, o homem. Deus entrega o universo nas mãos do homem, porque Ele amou o homem. Deus não ama a criação, Deus ama o homem e porque Ele ama o homem a criação expressa o seu amor, para com o homem. A revelação de Deus passa, obrigatoriamente, pela criação, porque ela foi justamente criada com esse propósito.

A lei, os profetas, o Cristo, a Palavra, o Espírito, tudo demonstra o grande amor de Deus para conosco, a ponto de que até mesmo Seu único filho ter sido entregue por nós. A história da humanidade demonstra que desde o princípio Deus quer apenas relacionar-se de forma sadia com o homem, quer que o homem veja o seu cuidado em todas as coisas, quer que o homem confie Nele.

E porque Deus é amor, e porque ele ama o homem, tão somente ele pede a seus filhos que também amem o objeto de Seu amor, o homem. Se dissermos que O amamos devemos amar aqueles a quem ele ama. E porque para com Deus não há acepção de pessoas, devemos amar os pecadores, os soberbos, os altivos, os homicidas, os roubadores, os estupradores, os homossexuais, os bêbados, os humildes, os bons, os maus, os justos, os injustos. Porque Ele mesmo nos mandou seu filho, ainda quando éramos injustos, e Ele mesmo nos justificou. Nos mandou seu filho, quando éramos naturalmente contrários a Ele, nos tornando filhos. Nos deu o Cristo quando éramos desgraçados, mas agora alcançamos graça.

Por isso o relacionamento com Deus nada tem a ver com um sistema religioso, mas com amor. Paulo diz que podemos fazer coisas grandiosas, ter dons maravilhosos, mas se a essência não for o amor é tudo sem sentido.

Então, resta-nos a fé, a esperança e o amor, porém o maior dos três é o amor.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Deus tem grandes coisas para ti...



Nuno Barreto

Estou um bocado cansado desta frase. É um dos chavões que é lançado ao ar sem se pensar se é verdade ou não. Suspeito que tenha origem nas modernas doutrinas da prosperidade. Na minha opinião, a frase não tem qualquer fundamento bíblico. E se Deus não tiver grandes coisas para mim? Porque não podem ser pequenas? Temos de ser todos grandes? Qual é o mal se tiver pequenas coisas para mim? Tenho menos valor por causa disso?

Depois vêm logo as respostas: Olha a vida de Moisés, Abraão, ou de David. Eles não eram nada, mas Deus tinha grandes planos para eles. OK, isso até é verdade. Mas e os outros milhões que existiram na altura de Moisés e de David? A verdade é que Moisés só havia um, para os outros não havia nenhuma expectativa de serem como Moisés. E por outro lado, se o povo judeu chegou onde chegou, não foi só por causa de Moisés, mas de todas as pessoas que compunham o povo, os que estavam em grande plano, e os que não estavam.

O problema deste tipo de bufas teológicas, é que são criadas falsas expectativas na mente das pessoas, e ainda por cima damos a imagem que a pessoa só tem valor se for como Moisés, ou David, ou outro da família deles.

Deus ama toda a criação (incluíndo animais, plantas, e até calhaus), e isso é suficiente para todos termos valor. Ninguém é menos que o outro só porque os planos de Deus para ele são diferentes dos planos para o outro. Temos de acabar de uma vez por todas com essa ilusão de que só algumas tarefas são importantes. No fim, tudo contribui para o reino de Deus.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento!



"Já por carta vos escrevi que não vos comunicásseis com os que se prostituem; com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem sequer comais. Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós." I Coríntios 5:9-13

Palavras deveras fortes do Apóstolo Paulo, que continuamente são renegadas pela Igreja. Somos, a cada dia mais, complacentes com os lobos que se infiltram no meio das ovelhas, que são cheios de palavras bonitas, cheios de dons e cheios de si mesmos. Esses que entram na casa de mulherezinhas carregadas de pecados para aumentar ainda mais sua desgraça. Os mesmos que são cheios de religiosidade, moralismo, legalismo e toda sorte de leis humanas, que sobrecarregam o povo com um peso que eles mesmos não suportam.

Cristãos medrosos que aceitam tudo porque "não devemos julgar", e dizendo que um exército não pode lutar contra ele mesmo. Esquecem-se de advertências duras e severas quanto àqueles que dissimuladamente procuram fonte de lucro na fé.

Paulo não fala para que os coríntios apenas esperem e orem, mas que tirem estes de seu meio, que nem ao mesmo assentem-se na mesma mesa.

Infelizmente chegamos a um ponto onde é dificílimo até mesmo separar os verdadeiros dos falsos, visto que as igrejas cada dia mais especializam-se em formar crentes estereotipados e não mais pessoas que sejam reconhecidas como cristãs por sua piedade, por sua fé e por sua misericórdia.

Vivemos a época das belas músicas e da hipocrisia.

Ninguém mais quer ser santo como Ele é santo, ninguém mais tem coragem de dizer "sede meus imitadores como eu sou de Cristo", ninguém mais quer ser exemplo de procedimento e se tornar padrão para os fiéis.

Tenho por certo que o amor de Deus e sua maravilhosa graça é capaz de transformar o mais pobre pecador. Sou consciente de que devo amar até mesmo os inimigos. Mas não posso fazer estas coisas e deixar as outras de lado. Tudo faz parte da palavra de Deus e eu simplesmente quero ser simples como a pomba e prudente como a serpente.

Luto contra a mentira, por amor àqueles que não merecem ser enganados.

Senhor, tenha misericórdia tanto de minha vida, quanto da vida de meus amados irmãos. Vivemos tempos difíceis. Somos assolados por todos os lados, até mesmo por perturbadores da tua santa Igreja, mas cremos na tua palavra - as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dá-me continuamente o dom de discernir os espíritos, a sabedoria e acima de tudo o amor. Que meus irmãos me imitem assim como eu imito a Cristo. Em nome de Jesus. Amém.

Teus altares



João Alexandre

Quão amáveis são os Teus tabernáculos,
Senhor dos Exércitos!
A minh'alma suspira e desfalece pelos Teus átrios!

O pardal encontrou casa,
a andorinha ninho para si...
Eu encontrei Teus altares,
Senhor Rei meu e Deus meu...

Bem-aventurados aqueles que habitam em Tua casa...
Pois um só dia, Senhor, nos Teus átrios, vale mais que mil...

Pois o Senhor é sol e escudo, dá graça e glória!
Não negará bem algum aos que vivem corretamente...

domingo, setembro 09, 2007

Santo lugar



Há de ter um lugar, onde o tempo há de parar.
Onde a paz se faz real e o irreal amor não há não.
Sei que há, pois Deus diz e eu não posso duvidar.
Mesmo que eu não possa imaginar,
Espero em ti, assim espero.

Aleluia, Aleluia, no céu eu vou morar...
Aleluia, Aleluia, pois Cristo vem me buscar.

Há de ter um lugar, onde lágrimas não rolarão,
Fracassados os dias maus da vida em caos
Jamais terei, pois.
Num lugar, santo lugar onde o inimigo ausente estará,
Face a face a Cristo verei
e muitos verão por isso eu canto.

Aleluia, Aleluia, no céu eu vou morar...
Aleluia, Aleluia, pois Cristo vem me buscar.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Religiosidade sufocante



Domingo à noite fui religiosamente ao nosso culto, porém, senti-me estranho, demasiadamente afastado daquilo tudo. Lutei para que meus olhos não olhassem mera religiosidade. O som alto demais incomodava minha alma. A grande sequência de músicas emudeceu meu canto. As obrigações de tesoureiro consumiram boa parte de meu tempo - e paciência. Após o culto tivemos uma pequena reunião de jovens em casa, tratamos de assuntos relacionados à juventude da igreja. Me expressei, mas não me sentia no clima. Segunda-feira mais uma reunião, desta vez com líderes da igreja, algumas resoluções, mais palavras, e até que falei bastante. O restante da semana foi mórbido, muito trabalho e muito cansaço.

Deixo claro que meu compromisso com Deus e minha experiência de Deus continuam ótimas, sinto-me descobrindo os mistérios de meu Pai, e Sua alegria tem me fortalecido. O fato é que a vida religiosa tem me consumido, os compromissos, o ambiente, as pessoas, os títulos, os cargos, sinto que tudo isso desvia as pessoas da Verdade, e a mim próprio.

Aquilo que tenho visto na Palavra de Deus como vida cristã soa como uma aberração para o meio evangélico que vivo, e a cada dia que passa sinto-me mais fraco nessa luta por mudanças. Pareço um menino que sonha em ser astronauta, mas que quando cresce e enxerga a realidade cai em si. Alguns teimam em me dizer que luto por coisas que não são importantes, que minhas discussões são vãs, mas o que farei se é isto que vejo quando penso em Deus? O que farei quando a bíblia me revela coisas tão lindas e maravilhosas que não posso mais engolir a falsa espiritualidade de hoje? O que farei se meu desejo é pastorear as ovelhas de Deus, sem me preocupar com os rituais que denominações ou religiões exigem?

Tão somente almejo transmitir uma espiritualidade verdadeira, mostrar que podemos ser sinceros sobre o que somos e como vivemos nossa religião. Porém estou cercado por grades religiosas, onde os bons são aqueles que tem maravilhosos dons e chamados, que gostam de ocupar os primeiros lugares, mas que não tem idéia do que é amar. Estou cansado da soberba espiritual, da falsa modéstia, da ganância. Estou cansado das estruturas religiosas, das justificativas para baixar o padrão de evangelho.

Minha frustração é passageira, como já veio e foi outras vezes. Mas a dor é real.

Senhor, têm misericórdia de mim, pecador. Mantenha minha mente sã perante as frustrações. Minha fé está em ti, e porque o Senhor nunca se abala, ela permanece e permanecerá. Mostra-me o caminho do amor. Que eu possa te amar cuidando das Tuas ovelhas. Amém.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Amor ao próximo ou ao ministério?



É imprescindível que um verdadeiro cristão participe dos ministérios da igreja.

Quem disse isso, o homem ou Deus?

Embora seja algo comum, e consideremos coisas louváveis dentro das nossas comunidades evangélicas, o amor aos ministérios tem se tornado o veneno da espiritualidade cristã.

Calma, explico.

As ocupações nos ministérios, muitas vezes, tem servido como alívio de consciência das pessoas em relação ao seu "compromisso" com Deus. Comparecer a uma ou duas reuniões na igreja durante a semana, participar de um ou dois ministérios, e... é isso. As justificativas são, às vezes, até louváveis. "Deus me chamou para isso", "Esse ministério leva as pessoas à presença de Deus" ou "Estamos alcançando as pessoas com esse ministério". Porém como diz o ditado, "nem tudo que reluz é ouro" e contrariando o pensamento maquiavélico de que "os fins justificam os meios" é necessário alertar a igreja sobre esse ativismo, que nada tem a ver com espiritualidade genuína, mas com um modelo de igreja que não é bíblico e está gradativamente levando as pessoas a uma robotização de comportamento.

O evangelho do Reino de Deus nunca foi relacionado a uma instituição física, mas tinha - e tem - a sua base no amor. Amor a quem? A Deus e ao próximo. Alguns afirmarão que os vários ministérios de nossas comunidades estão demonstrando o amor das pessoas. De fato, demonstram isso mesmo, mas a cada dia que passa estão mais longe do amor a Deus e ao próximo. As pessoas tem amado seus ministérios, tem amado seus dons, talentos e chamados, tem amado o sucesso que alcançam.

A constatação de que isso tem se tornado um veneno para a espiritualidade é que cada vez menos as pessoas tem dado importância para suas práticas - que deveriam ser diárias - como ler a bíblia, orar, meditar na Palavra, jejuar, mas em compensação são fiéis com seus compromissos igrejísticos. Não são poucas as pessoas, que tem atividades na igreja e com as quais já conversei, que lamentam-se de que tem encontrado dificuldade nas suas práticas devocionais. Mas apesar disso precisam mostrar-se sólidos como rocha perante os outros, acabando por exprimir uma espiritualidade que não vivem e colocando um jugo sobre as pessoas para que busquem o mesmo "brilho".

Esse amor aos ministérios tem envenenado de tal forma o cristianismo, que muitas vezes pessoas ocupam cargos e tarefas nas igrejas mas de forma alguma relacionam-se com seus irmãos. E isso acontece desde as maiores igrejas até as menores. Acabamos tornando-nos profissionais da fé. Pastores, professores, obreiros, tesoureiros, secretários, ministros, cada um com seu título, mas poucos alegrando-se com os que se alegram e chorando com os que choram. São poucos os que visitam seus irmãos informalmente, são poucos os que "perdem" horas conversando com pessoas que compartilham a mesma fé e que adoram a Deus no mesmo lugar, são pouquíssimos os que estendem a mão quando alguém está precisando. Enfim, são poucos os que verdadeiramente amam.

Não foi assim que Cristo nos ensinou, ao contrário, ele quebrou o sistema religioso caduco e arcaico dos judeus, quebrou paradigmas e preconceitos para estar próximo dos doentes, reprimiu e esbravejou contra os religiosos, anunciou a mensagem do arrependimento e do Reino. Desgastou-se ensinando num monte, na beira de um poço, num barco, nas sinagogas, nas casas, nas catacumbas. Ele verdadeiramente amou.

E esse mesmo Cristo nos ensina que não há amor maior do que dar a vida pelos seus amigos.

Precisamos acabar com o pensamento de carreira ministerial passarmos a enxergar as pessoas com a compaixão do Mestre.

sábado, agosto 25, 2007

Enquanto isso os idiotas marcham



O que uma marcha pode representar de bom? Se considerarmos a história houveram marchas pelos motivos mais absurdos possíveis. Basta lembrarmos de Hitler e a grande mobilização da Alemanha em favor do movimento nazista. O que dizer das marchas religiosas? Desde que o mundo é mundo as pessoas marcham pelos seus ideais religiosos, porém nem sempre racionalmente. As marchas religiosas muitas vezes envolveram guerra e sangue, mortes e ódio. A bíblia descreve algumas marchas, aquela feita contra o sacerdócio de Arão - quando seu bordão floresce e os que se levantaram contra são exterminados por Deus, a que foi feita pelos mesmos descendentes de Arão contra Jesus, o Cristo, as sucessivas marchas feitas contra os cristãos até o século IV, as marchas contra o domínio do catolicismo, que com a Reforma levou muitos à morte, e hoje ainda vemos marchas, algumas que servem ao propósito de dividir igrejas, como recentemente fizeram na igreja Betesda no nordeste, que externamente tinha aparência de santidade por uma sã doutrina, mas que sem dúvida ocorreu por motivos excusos de interesse político e conquista de poder, e as marchas que são ditas em nome de Jesus patrocinadas pela igreja do apóstolo e da bispa contraventores.

Isso nos leva a pensar... qual a marcha que Jesus esperaria de nós? A resposta, obviamente está na bíblia. "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois Meus discípulos" (Jo 13, 34-35) e "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me." Mateus 25:34-36.

Certamente Jesus não espera que saiamos as ruas com faixas na cabeça, nem com gritos de ordem, nem com shows, mas sim demonstrando o amor de Deus para com todos. A fé que Deus espera do homem nunca foi apenas de aparência, mas de atos de amor. Tiago em sua epístola deixa muito clara a mensagem da fé através das obras.

A verdade é que as marchas, com objetivos distorcidos ou legítimos, sempre tem seus orquestradores, e na maioria das vezes são apenas baderneiros que querem mostrar um certo grau de poder e domínio sobre o povo, assim como o apóstolo contraventor tenta demonstrar com essas sucessivas marchas.

O mundo está sofrendo, a nação é assolada por escândalos - até mesmo dos ditos evangélicos - fome, violência, morte, corrupção.

Enquanto isso os idiotas marcham.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Buscas



A loucura da pregação me atingiu, me afetou,
percebi que meu pensamento é mutante.
Tento definir o indefinível, tento falar o que não sei.

Corro contra a marcha,
nado contra a maré.

Deus me fez filho, abri mão dos privilégios.
Quero viver como todos vivem, nada mais.
Único privilégio que não abro mão é o da Graça.

Estou buscando a humildade,
isso é alcançável?

Sujeito-me as coisas que já não acredito, nem valorizo.
Justifico isso com o amor, acho bem justificado.
Mas daqui pra frente buscarei coisas mais superiores.

Apesar do que sinto, e penso, e vivo,
devo cumprir o objetivo da minha cruz.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 4



Do castigo

“Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bençãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.”
Malaquias 2:1-2

Como vimos anteriormente, Deus, começa o tratamento com a nação de Israel a partir dos sacerdotes. Vimos que as ofertas e sacrifícios dos sacerdotes haviam transformado-se em atos desprezíveis perante Deus, visto que não respeitaram os estatutos e normas do Senhor com relação a aliança estabelecida com os descendentes de Levi.

Deus dá uma ordem expressa agora aos sacerdotes, que passem a honrá-Lo com seus sacrifícios e que parem de desviar o povo dos caminhos do Eterno. No verso 8 do mesmo capítulo o Senhor mostra que o pecado dos sacerdotes acaba refletindo no povo, que seguem seu mal exemplo e acabam desviando-se do Seu caminho.

Vemos no verso 7 como a tarefa de um sacerdote é de enorme responsabilidade, pois diz assim “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos”. Que tamanha tarefa os sacerdotes tinham em mãos! Ser mensageiro do Senhor. Observamos que os sacerdotes estavam tratando esta função com desleixo perante o povo, daí a fúria do Senhor contra eles.

O castigo desses sacerdotes, caso não arrependam-se dos maus caminhos que tem trilhado, é a vergonha. Tanto eles quanto seus sacrifícios, e até mesmo sua descendência seriam feitos como excremento perante o Senhor. É, para nós, até difícil imaginar quão irado o Senhor estava com essa situação a ponto de considerar tudo quanto os sacerdotes porventura fizessem como excremento.

Porém, por amor ao seu servo Levi, que foi reto em todos os seus caminhos, o Senhor dá ainda uma chance de arrependimento aos sacerdotes. Nisso o Senhor como no princípio da profecia de Malaquias mostra o seu amor para com o povo.

Para nós, como igreja, tiramos algumas lições importantes desse castigo que o Senhor promete aos sacerdotes. Como vimos no texto anterior, o Senhor nos fez sacerdotes, todos os salvos, e o sacrifício a ser oferecido somos nós mesmos. Obviamente não vivemos a aliança de Israel, nem a aliança feita com Levi, mas os preceitos do Senhor continuam os mesmos. Precisamos oferecer sacrifícios santos ao Senhor, nossa vida entregue em seu altar todos os dias, carregando nossa cruz – isso é agradável ao Senhor. Ainda sobre nós, sacerdotes, existe o peso de sermos mensageiros do Senhor, que é ao mesmo tempo uma dádiva e uma grande responsabilidade. Dádiva pois os próprios anjos desejam anunciar a Cristo, mas esse presente foi dado a nós, exclusivamente, por Deus. E temos a responsabilidade de ensinar a verdade, para que não nos tornemos indignos e desprezíveis perante os homens.

Atualmente vemos que muitos estão caminhando para esse terrível castigo do Senhor, seus sacrifícios no altar Dele tem sido imundos, porque tem ensinado mentiras como a mensagem de Deus. É claro que o trato é diferente, o próprio julgamento será de outra forma, mas ele vem. Pois naquele grande e terrível dia muitos virão até o Senhor dizendo que profetizaram e fizeram maravilhas em Seu nome, mas serão apartados da presença Dele pois continuamente praticaram a iniquidade sem arrependimento.

Como sacerdotes do Altíssimo necessitamos purificar as nossas vestes, santificar nossos altares, se necessário nos vestirmos com pano-de-saco, jogarmos pó de cinza na cabeça, para que sejamos encontrados santos na presença do Autor e Consumador da nossa fé. Precisamos harmonizar nossos belos discursos com nossos atos. Precisamos ensinar e viver a verdade.

Graças a Deus pela sua maravilhosa graça, pela sua eterna misericórdia, pelo sangue de Cristo que nos purifica e pela justificação que nos torna dignos de entrarmos no Santo dos Santos!

quarta-feira, agosto 15, 2007

A religião de Deus e a religião dos homens




Estou em crise. Confesso a minha neurose em busca da verdadeira religião. Já não suporto a forma que vivo. Já não suporto diariamente ver valores distorcidos sendo pregados como a religião de Deus. Meus ouvidos doem quando ouço músicas que exaltam as necessidades dos homens e não a Soberania de Deus. Não consigo ficar indiferente às atrocidades cometidas em nome de Deus. Não posso mais conviver com a hipocrisia. Me entrego, não consigo mais dissimular meus sentimentos. Quando estou triste, choro. Quando estou alegre, sorrio. Quando meu irmão chora, eu choro com ele. Quando o mundo pranteia, lá estou derramando lágrimas. Quando se alegram em minha volta, faço desse o meu sorriso. Quando vejo a beleza da criação, meu coração enche-se de gozo.

Mas a religião dos homens proibe tudo isso. Ela demanda um relacionamento desumano com Deus, e ao mesmo tempo é condescendente com os hipócritas e mentirosos. A religião dos homens exalta os soberbos, eleva os altivos, congratula os eloqüentes e carismáticos, dá voz aos mentirosos. A religião dos homens é cercada de regras e leis, criadas pelos próprios homens, e isso transforma-se na religião, ela tem seus templos suntuosos, tem seus sacerdotes, tem seus músicos e seus pregadores. A religião dos homens faz sucesso porque ela promove o sucesso. Os tesouros da religião do homens são acumulados aqui mesmo na terra. Até mesmo suas atividades piedosas são apenas por princípios devassos de causa e efeito em si própria. A religião dos homens elimina Deus.

A religião de Deus é totalmente diferente. Ela dá voz aos Barnabés, que são filhos da consolação, ela exalta os humildes, condena e censura os hipócritas e mentirosos, A religião de Deus nos ensina a controlar nossa língua, pequeno instrumento que contamina todo o corpo. A religião de Deus não é feita de aparências, ela transforma o mais íntimo do ser humano. Ela não tem regras e leis por si só, mas tem a graça de Cristo, ela nos conduz ao leve e suave fardo de Jesus. A religião de Deus não é baseada em construções e organizações humanas, mas tem o Cabeça, que é Cristo, é a religião que não está restrita a um edifício, mas se alastra pelo mundo até as portas do inferno. A religião de Deus não é voltada em nenhum momento para o sucesso terreno, mas acumula tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não chegam. A religião de Deus ensina obras piedosas, onde a motivação é única e simplesmente o amor, e amor sacrificial. A religião de Deus conduz o homem de volta ao Criador.

Anseio estar, o tempo todo, re-ligado a Deus, não viver a falsa ilusão da religião dos homens.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Eu sei, mas não devia.



Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima é mais uma colaboração de Francisco Panizo Beceiro, extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Salmo 139



Senhor, tu me sondas, e me conheces.

Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.

Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.

Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?

Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.

Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!

Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim, homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal.

Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam? e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?

Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Estou do lado.



Estou do lado dos que defendem a verdade, e que estão dispostos a pagar qualquer preço por ela.
Estou do lado dos que não se contaminam com a própria língua, mas usam-na para verter águas cristalinas.
Estou do lado dos honestos, daqueles que mesmo num mundo caído preferem o que é correto.
Estou do lado dos sinceros, porque o mundo é cheio de hipócritas e são poucos os que vivem de forma coerente com o que falam.
Estou do lado dos arrependidos, pois estes sabem quem são, quais são os seus defeitos e sabem que precisam melhorar.
Estou do lado dos justos, que agem conforme o proceder de cada um e não são movidos por falsos testemunhos.
Estou do lado dos que jogam limpo, pois estes tem coragem de dizer o que pensam olhando nos meus olhos.
Estou do lado servos, que aprenderam seu humilde lugar e não criam estratégias pra chegar ao topo.
Estou do lado dos que se alegram, porque a sua alegria também é a minha.
Estou do lado dos que choram, porque sinto a sua tristeza.
Estou do lado dos maduros, pois já deixaram o leite de lado e procuram comportar-se de forma digna.
Estou do lado das crianças, porque a sua ingenuidade me ensina - mas não me leva a agir irresponsavelmente.
Estou do lado dos que me amam, pois estes foram os dispostos a pagar um preço pra estar comigo, não são interesseiros.
Estou do lado dos que amam, porque aprenderam a entregar-se de corpo e alma naquilo que devem fazer e possuem o olhar terno com o seu próximo.
Estou do lado dos que são de Deus, assim aprenderei a ter todas as qualdades acima e também ensinarei o que já sei delas.
Estou do lado dos doentes, porque precisam do conforto de Deus.

terça-feira, agosto 07, 2007

Como lidamos com a teologia




Calvino, Arminio, Wesley, Zwinglio, Spurgeon, Agostinho, homens claramente inspirados por Deus que desenvolveram pensamentos teológicos complexos e que hoje ainda nos ajudam a entender as Escrituras. Durante muito tempo do meu cristianismo somente a teologia desses homens me tocava profundamente, e ainda tocam - ainda bebo dessas maravilhosas águas. Porém hoje estou convencido de que, como meros seres humanos, batemos a cabeça na parede tentando entender a Bíblia e a vida com os olhos de Deus. Nos colocamos num patamar deveras alto, supostamente entendedores da ciência divina. Conseguimos chegar a conclusões sobre questões bíblicas complicadas, como se nossa mente fosse exatamente a mesma do Criador. Temos nossas linhas teologicas e acabamos por defendê-las com unhas e dentes. Calvinistas, Arminianos, Wesleyanos, Pré-milenaristas, Pós-milenaristas, dispensacionalistas... e por aí vai.

Hoje tenho aprendido a enxergar a teologia com meus olhos humanos. Não mais me coloco na posição de Deus, sinceramente, cansei de tentar explicar o inexplicável. Não mais explico porque Deus mandava matar mulheres e crianças no Antigo Testamento, nem desejo formatar a cabeça de alguém com um livre-arbítrio que é superior a Soberania de Deus, muito menos digo que Deus já predestinou toda a história da humanidade. Definitivamente não sei como Deus enxerga seu relacionamento com o homem, mas sei plenamente como deve ser meu relacionamento para com Ele - é disso que as Escrituras se encarregam de informar. Sei que sou pecador, carente da graça e misericórdia de Deus, sei que Jesus Cristo pagou por meus pecados na cruz, sei que vou para o céu.

Confesso que depois desse aprendizado a leitura bíblica até me parece mais leve. As pregações e textos fluem com mais naturalidade e meu relacionamento com Deus é mais honesto.

Aqui, publicamente, agradeço aos homens que me tem influenciado para isso: Ricardo Gondim, Caio Fábio, Philip Yancey, Ed René Kivitz e vários outros.

Colocar-me no meu humilde lugar me ajudou a ver a grandeza de Deus.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:33-36

sexta-feira, agosto 03, 2007

Salmo 23



O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.
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