
quinta-feira, agosto 26, 2010
Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 5

segunda-feira, agosto 20, 2007
Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 4
“Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bençãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.” Malaquias 2:1-2
Como vimos anteriormente, Deus, começa o tratamento com a nação de Israel a partir dos sacerdotes. Vimos que as ofertas e sacrifícios dos sacerdotes haviam transformado-se em atos desprezíveis perante Deus, visto que não respeitaram os estatutos e normas do Senhor com relação a aliança estabelecida com os descendentes de Levi.
Deus dá uma ordem expressa agora aos sacerdotes, que passem a honrá-Lo com seus sacrifícios e que parem de desviar o povo dos caminhos do Eterno. No verso 8 do mesmo capítulo o Senhor mostra que o pecado dos sacerdotes acaba refletindo no povo, que seguem seu mal exemplo e acabam desviando-se do Seu caminho.
Vemos no verso 7 como a tarefa de um sacerdote é de enorme responsabilidade, pois diz assim “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos”. Que tamanha tarefa os sacerdotes tinham em mãos! Ser mensageiro do Senhor. Observamos que os sacerdotes estavam tratando esta função com desleixo perante o povo, daí a fúria do Senhor contra eles.
O castigo desses sacerdotes, caso não arrependam-se dos maus caminhos que tem trilhado, é a vergonha. Tanto eles quanto seus sacrifícios, e até mesmo sua descendência seriam feitos como excremento perante o Senhor. É, para nós, até difícil imaginar quão irado o Senhor estava com essa situação a ponto de considerar tudo quanto os sacerdotes porventura fizessem como excremento.
Porém, por amor ao seu servo Levi, que foi reto em todos os seus caminhos, o Senhor dá ainda uma chance de arrependimento aos sacerdotes. Nisso o Senhor como no princípio da profecia de Malaquias mostra o seu amor para com o povo.
Para nós, como igreja, tiramos algumas lições importantes desse castigo que o Senhor promete aos sacerdotes. Como vimos no texto anterior, o Senhor nos fez sacerdotes, todos os salvos, e o sacrifício a ser oferecido somos nós mesmos. Obviamente não vivemos a aliança de Israel, nem a aliança feita com Levi, mas os preceitos do Senhor continuam os mesmos. Precisamos oferecer sacrifícios santos ao Senhor, nossa vida entregue em seu altar todos os dias, carregando nossa cruz – isso é agradável ao Senhor. Ainda sobre nós, sacerdotes, existe o peso de sermos mensageiros do Senhor, que é ao mesmo tempo uma dádiva e uma grande responsabilidade. Dádiva pois os próprios anjos desejam anunciar a Cristo, mas esse presente foi dado a nós, exclusivamente, por Deus. E temos a responsabilidade de ensinar a verdade, para que não nos tornemos indignos e desprezíveis perante os homens.
Atualmente vemos que muitos estão caminhando para esse terrível castigo do Senhor, seus sacrifícios no altar Dele tem sido imundos, porque tem ensinado mentiras como a mensagem de Deus. É claro que o trato é diferente, o próprio julgamento será de outra forma, mas ele vem. Pois naquele grande e terrível dia muitos virão até o Senhor dizendo que profetizaram e fizeram maravilhas em Seu nome, mas serão apartados da presença Dele pois continuamente praticaram a iniquidade sem arrependimento.
Como sacerdotes do Altíssimo necessitamos purificar as nossas vestes, santificar nossos altares, se necessário nos vestirmos com pano-de-saco, jogarmos pó de cinza na cabeça, para que sejamos encontrados santos na presença do Autor e Consumador da nossa fé. Precisamos harmonizar nossos belos discursos com nossos atos. Precisamos ensinar e viver a verdade.
Graças a Deus pela sua maravilhosa graça, pela sua eterna misericórdia, pelo sangue de Cristo que nos purifica e pela justificação que nos torna dignos de entrarmos no Santo dos Santos!
quinta-feira, agosto 02, 2007
Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela igreja - Parte 3
“O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? - diz o Senhor dos exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador, acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? - diz o Senhor dos exércitos. Agora pois suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? - diz o Senhor dos exércitos.” Malaquias 1:6-9
A profecia dada por intermédio de Malaquias à nação de Israel começa a tomar a forma de uma severa repreensão do Senhor. Como vimos no artigo anterior Deus mostra o desprezo do povo ao Seu terno amor, e agora parece começar a abrir o leque de iniquidades da nação.
Interessante notarmos como Deus começa as suas repreensões pelo “clero” dos judeus, Ele bate de frente com os sacerdotes, os que deveriam ser exemplo de devoção e dedicação ao Senhor, visto que só tinham essa tarefa no meio do povo, são os mais desleixados com as ordenanças dadas por Deus. Veremos que até a metade do capítulo 2, o Senhor ainda dedica seu tratamento aos sacerdotes, claramente contrariado por um comportamento vil e mesquinho dos seus obreiros.
As ordens de Deus com relação aos sacrifícios e ofertas foram totalmente claras, e podemos vê-las no Pentateuco, em especial Levítico, que trata minuciosamente das leis cerimoniais exigidas por Deus. Todo sacrifício deveria ser perfeito, com alimentos e animais perfeitos, sem defeito e sem mancha. Isto era requerido do povo para que através disto o Senhor os ensinasse que Ele é santo, que é puro de olhos, que não aceita uma meia aliança. Deus entra com seu infindo amor, porém espera uma contrapartida de comprometimento.
Neste momento fica claro que o problema não está no amor de Deus, como ouvia-se na boca do povo “Em que nos tem amado?”, mas sim no próprio povo, que entregou-se a um sentimento pecaminoso, desprezando o Senhor, suas leis e seus estatutos, preferindo assim viver uma vida da sua maneira e acabando assim por pagar pelo preço dos seus erros.
Embora o sacrifício vicário de Cristo, santo e definitivo, seja totalmente eficaz sobre nós, a Igreja, ainda assim Deus permanece o mesmo. Como pai deseja ser honrado por nós e como Senhor espera nosso profundo respeito e reverência. Não mais precisamos oferecer animais, porém o cristianismo vai muito além, o sacrifício deve ser nós mesmos. “Rogo-vos, pois, irmãos; pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1). E não mais temos um “clero”, isto é, sacerdotes intermediando nossa relação com Deus mas “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz;” (I Pe 2:9).
É fabuloso notar nos textos de Malaquias, Paulo e Pedro que o relacionamento que Deus deseja conosco continua sendo o mesmo. Embora não sejamos a nação de Israel, somos a Igreja de Cristo, não temos sacerdotes, porém nós somos os sacerdotes, não oferecemos sacrifícios de animais, mas oferecemos nós mesmos como sacrifício vivo.
Aqui pausamos a análise desse momento da profecia para nos voltarmos ao assunto original dessa sequência de artigos, a incompreensão da Igreja de Cristo com relação ao profeta Malaquias e as profecias de Deus. Observemos que embora a palavra tenha sido dirigida ao povo de Israel, podemos contextualizá-la com a Igreja, não de qualquer forma, mas embasando os argumentos na relação de verdades bíblicas contidas nos textos do Novo Testamento. Seguidamente as igrejas evangélicas tem experimentado fórmulas bíblicas miraculosas baseando-se única e exclusivamente em promessas e palavras de Deus que originalmente foram direcionadas à nação de Israel. Com isso criamos frustração e jugo sobre as pessoas que acabam seguindo essas interpretações errôneas e deturpadas das Escrituras. Há necessidade de que os líderes cristãos estudem mais a bíblia, desliguem-se de tradições humanas e procurem através do Espírito Santo enxergar a Palavra de Deus para Sua Igreja.
Voltando à nossa análise, e aplicando a repreensão do Senhor à nossa condição de ramo enxertado, vemos que como sacerdotes não podemos nos portar de qualquer maneira perante Ele, e por muitas vezes confundimos isso com estar nos edifícios que chamamos de igreja, confundimos em desempenhar um papel em determinado ministério, ou mesmo confundimos com ordenanças de homens. Assim como Jesus disse que o adultério não consiste no ato sexual em si, mas na concepção mental de tal pecado – uma clara extensão da lei – também nós, sacerdotes de Deus, não podemos viver uma vida devassa, desprezando o Espírito Santo que vivem em nós, agindo feito meninos na Sua presença, mas considerando que o sacrifício que o Senhor exige é contínuo, que a nossa vida deve ser um eterno culto ao Criador, devemos ser impelidos a aproximarmos nossa imagem à de Seu filho, devemos buscar sermos santos como Ele é santo. Do contrário estaremos como os sacerdotes de Israel, por nossos atos mostramos que a mesa do Senhor é imunda e desprezível, cogitando em nossa mente que por que temos a graça Dele podemos torná-lo co-participante de nossas más obras, e por vezes mostrando que o povo que não é igreja tem mais respeito por Deus do que nós.
Até quando ofereceremos nossas vidas como um sacrifício imundo perante Deus? Até quando não o respeitaremos como nossa Pai e Senhor? Precisaremos que Ele mostre o qual terrível é entre todas as nações? Continuaremos oferecendo sacrifícios melhores aos nossos superiores do que a Deus?
Que nosso Pai e Senhor nos corrija para que escapemos da condenação!
terça-feira, julho 31, 2007
Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 2
“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? —disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre. Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o SENHOR também fora dos limites de Israel.” Malaquias 1:2-5
Durante toda a história de Israel, e da humanidade, Deus quer mostrar uma coisa: Ele nos ama. E como um Pai amoroso Deus tanto quer mostrar que provê todas as necessidades do Seu povo, que deve confiar plenamente Nele, quanto mostrar que corrige todo desvio comportamental de Seus filhos.
Vemos que o amor de Deus não é uma moeda de troca, pois conforme o texto Ele simplesmente amou Jacó, a tal ponto de abençoá-lo sobremaneira, dando uma descendência como a areia do mar, e exigindo apenas o comprometimento deste povo.
Porém era um povo de dura cerviz, capazes de depois de tantas maravilhas e tanto cuidado exercido de Deus para com eles perguntarem “Em que nos tem amado?”. Não quero neste ponto transformar Deus em humano, nem atribuir sentimentos humanos a Ele, mas por sermos feitos imagem e semelhança Dele imagino que como Pai amoroso Ele deve ter sofrido. Depois de tanto cuidado e zêlo, tantas revelações miraculosas, tantos prodígios, tantas profecias, tanto amor, receber essa pergunta em troca parece como a traição do próprio Judas.
Porque temos tanta dificuldade em enxergar o amor e cuidado de Deus em nossas vidas? Sabemos apenas exigir e exigir, como crianças mimadas, as bençãos Dele, mas somos incapazes de retribuir seu amor. E o que é retribuir o amor de Deus? Cumprir os seus santos mandamentos. Assim como o povo de Israel recebeu a Lei e deveria cumpri-la por amor, assim nós devemos cumprir a Lei a nós destinada. Não Lei de tábuas de pedra, mas a Lei que Ele mesmo põe em nossos corações. Somos capazes de criar leis que não são de Deus para nós e para a Igreja, mas incapazes de amar o nosso próximo como a nós mesmos.
Infelizmente usamos até a própria profecia de Malaquias para isso, interpretando-a erroneamente, criando jugo desnecessário e deixando de lado a vontade de Deus.
Precisamos parar de perguntar “No que nos tens amado.” e começar a enxergá-Lo em toda nossa vida, em todo cuidado e providência, em toda correção, em toda angústia ou tribulação, na natureza, na vida, nos nossos irmãos.
Ele nos tem amado em tudo, nós é que não correspondemos.
quarta-feira, julho 25, 2007
Uma releitura de Malaquias, o profeta incompreendido pela Igreja - Parte 1
Malaquias, sem sombra de dúvidas, é um dos profetas mais citados por todas as igrejas evangélicas, alguns jocosamente dizem que São Malaquias é o santo dos pastores, devido às cobranças que estes fazem sobre o povo referente às advertências do profeta sobre a negligência do povo de Israel com relação aos dízimos e ofertas.
Infelizmente acabamos por achar que Malaquias profetizou apenas sobre dízimos e ofertas, e desconsiderando todo o contexto do seu livro e todo o contexto da história do povo de Israel tentamos aplicar estas profecias diretamente na Igreja de Cristo, porém, como veremos, existe uma riqueza e profundidade em seus escritos que reduzi-los a esse assunto é simplesmente deturpar a Palavra de Deus, que não consiste em apenas alguns versículos, mas é a Bíblia em sua integralidade.
Nossa análise começa no capítulo 1, versículo 1, e nesse artigo ficaremos apenas nesse verso.
"A palavra do Senhor" - Notamos aqui que existe a preocupação de mostrar que todo o conteúdo do livro é "a palavra" do Senhor, isto é, não são algumas palavras do Senhor e outras do profeta, ou que são recomendações do profeta, mas que a totalidade da revelação profética vem do Senhor, que tudo aquilo que o profeta descreve são ordens expressas do próprio Deus para o bem do povo de Israel, sabemos que por toda a história houveram os falsos profetas, que profetizando mentiras enganaram por muitas vezes povos e reis, inclusive de Israel e Judá, mas Malaquias tem consciência de que esta Palavra que o Senhor lhe confiou é digna de aceitação e que deve ser obedecida imediatamente pelo povo, antes que o Senhor julgue seus pecados.
Prosseguindo no versículo vemos que a Palavra do Senhor tem endereço, e este é Israel. Podemos nos perguntar qual é a importância disso, qual a relevância, afinal é notório para todos que foi uma profecia para a nação de Israel. Porém, na prática, o que vemos hoje é uma total ignorância de líderes religiosos, que teimam em pegar profecias e textos da Velha Aliança, direcionadas ao povo de Israel e aplicá-las na Igreja de Cristo, ipsis litteris. Porque isso acontece? Enxergo apenas duas possibilidades: 1) Ou são totalmente ignorantes no que concerte à interpretação das Escrituras, 2) Ou são mal-intencionados e usam os textos bíblicos à seu bel prazer. Entre as duas muda-se apenas a motivação, mas permanece o erro, permanece o dano causado às pessoas por um ensino errado.
O que faremos então? Devemos ignorar o Velho Testamento? Ele não nos serve pra nada? É claro que não! Como disse no começo a bíblia é a Palavra de Deus revelada na sua integralidade, desde Gênesis ao Apocalipse. O erro consiste em interpretar e aplicar os textos de forma errada, desconsiderar seu contexto, desconsiderar que somos gentilicos e Igreja, não Israelitas, desconsiderar que vivemos a dispensação da Graça, enfim, desconsiderar o sacrifício de Cristo. Veremos que embora não estejamos presos aos preceitos da Lei, como o povo de Israel estava, somos conclamados pelo Senhor a seguir seus princípios, que são imutáveis. Temos uma outra lei que opera em nós, a lei do amor, do Espírito e da Vida, esta lei não está em tábuas de pedra, mas está gravada em nossos corações.
Por fim, o versículo nos diz que essa revelação da Palavra do Senhor foi feita por intermédio de Malaquias, e aqui vemos a humildade do profeta, que não usurpa a autoridade de Deus para si próprio, muito pelo contrário, reconhece que a profecia vem do Autor e Criador de toda existência, reconhece que é apenas um mero instrumento nas mãos do Deus Altíssimo e submete-se à sua vontade, falando Sua palavra.
Que possamos, como Malaquias, ter humildade para receber a Palavra do Senhor e ousadia para anunciá-la, lembrando sempre que somos instrumentos de Sua vontade, não senhores e donos da verdade. Que o Espírito Santo nos auxilie na nossa interpretação da Palavra, que nem mesmo por ignorância sobrecarreguemos nossos irmãos com jugo desnecessário. Que sejamos fiéis ao Criador e sua santa doutrina.
sábado, junho 09, 2007
Santa Ceia
Quase todos os cristãos concordam com a importância da Santa Ceia e celebram-na seja diariamente, semanalmente, mensalmente, etc. Os quatro Evangelhos citam a ceia de Cristo com os Apóstolos durante a páscoa judaica, sendo esta a última que o Senhor tomaria até a sua gloriosa volta, e a ordenança para que os cristãos o façam em memória Dele.
Portanto já estamos acostumados com todo o ritual e embora todos os Evangelhos relatem o acontecido (apenas João dá pouca ênfase) o texto mais usado na celebração é a primeira carta de Paulo aos Coríntios no capítulo 11, talvez pelas advertências do Apóstolo com relação àqueles que a tomam indignamente.
Como o cristianismo é cheio de ramificações e interpretações a respeito das Escrituras, a Santa Ceia não seria uma exceção. Existem igrejas onde apenas os batizados podem tomá-la, em outras qualquer pessoa que confesse ao Senhor Jesus pode recebê-la, e ainda existem aquelas onde uma pessoa com pecados escandalosos são impedidas de participar desse momento.
Faz-se necessário, portanto, voltarmos aos textos das Sagradas Escrituras, pois somente elas são capazes de nos instruir em nossos caminhos.
Não colocarei os textos aqui, mas são eles: Mateus 26:17-30; Marcos 14:22-26; Lucas 22:14-23 e em João no capítulo 13 o momento é apenas citado sem maiores detalhes. Além da primeira epístola de Paulo aos Coríntios no capítulo 11 do verso 17 ao 34.
Desde criança sempre achei que o "tomar indignamente" que Paulo diz estava relacionada aos meus pecados não confessados, mas assim que os confessava tornava-me digno para a Ceia. Hoje tenho convicção de duas coisas, a primeira é que ninguém tem autoridade para impedir quem quer que seja de participar da Ceia, o próprio Jesus não impediu o traidor Judas de tomá-la, e Judas já estava em pecado pois anteriormente já praticava furtos das ofertas aos Apóstolos e já havia combinado com os sacerdotes a traição de Cristo. O filho da perdição não foi impedido de tomar a Ceia pelo próprio Cristo, portanto, quem somos nós para impedir qualquer um por maiores que sejam seus pecados de participar? Segundo as instruções de Paulo cada pessoa deve examinar a si mesmo.
Minha segunda convicção é de que não é nossa condição pecaminosa que deve nos impedir de participar da Mesa do Senhor, visto que todos pecamos e ainda pecaremos até a glorificação de nossos corpos e que por mais que vivamos em Santidade ainda assim somos indignos perante Deus de qualquer coisa, quem nos justifica é Cristo. Isso significa libertinagem para tomar a ceia de qualquer jeito? De forma nenhuma! Um cristão verdadeiro quando peca logo arrepende-se e procura abandonar essa prática, mostrando contrição perante Deus e frutos dignos desse arrependimento, então se a Ceia é o único motivo que nos impulsiona a pedir perdão de nossos pecados, então estamos vivendo uma vida indigna do próprio Cristo!
Portanto o pecado não nos torna indignos da ceia (mas uma vida distante da santidade, sim!), então o que Paulo quer dizer com o "indignamente"? Basta olharmos atentamente o contexto da carta, os versículos antes da instrução de como deve ser a Ceia e o porquê do Apóstolo tê-las escrito. No versículo 18, o primeiro ponto é que Paulo afirma saber haver divisões dentro da igreja e de acordo com o versículo 21 parece ser uma divisão por causa das classes sociais. Aparentemente cada um levava os elementos que ceiariam, porém os pobres não tinham tal recurso, esperando que os irmãos mais ricos compartilhassem o pão e o vinho, mas não era o que estava acontecendo, os mais ricos tomavam sua própria ceia, chegando até a se embriagar enquanto os mais pobres passavam fome. Ora, eis a razão que os tornava indignos de participar da Ceia do Senhor, seu coração estava cheio de egoísmo, glutonaria e bebedice, e não consideravam a importância simbólica da Ceia, que é o anúncio da morte do Senhor até que Ele venha. Para eles a Ceia era apenas uma oportunidade de se empanturrar.
Com isso, concluo que os indignos de tomar a Ceia do Senhor são aqueles que ignoram seu significado, que acham algo banal, que o fazem sem lembrar-se da morte do Salvador e sua gloriosa ressurreição, que desprezam a Sua iminente volta. Também enxergo que qualquer um que tem vivido o Evangelho e que tem o mesmo sentimento que houve em Cristo pode participar da Mesa do Senhor, mesmo que ainda não tenha se batizado nas águas, mas como o ladrão da cruz já foi justificado por Jesus.
Que possamos nos encontrar dignos, não só de tomar a Ceia, mas de sermos chamados Filhos de Deus.
sábado, maio 05, 2007
Alegria em Cristo - Parte 1
Sinto a necessidade e o ardente desejo de escrever sobre as alegrias que tenho tido na minha caminhada cristã, pois apesar das grandes decepções e tristezas em nada pode-se comparar à maravilhosa e doce esperança que repousa sobre Cristo e suas promessas, nas quais tenho me apoiado e confiado plenamente.
Nesta primeira parte do artigo venho falar da alegria de manter-me afastado da corrupção do mundo. Corrupção esta que não está apenas ligada a fatores políticos ou sociais, mas está ligada a todo mal oriundo da desobediência primeira de Adão e Eva no Jardim do Éden, isto é, o pecado, que trouxe todos os tipos de males sobre o homem.
Começando pela morte espiritual, da comunhão plena entre Deus e homem ao total afastamento e separação, tornando o homem incapaz de voltar a relacionar-se com Deus por vontade própria. O ser criado por Deus para desfrutar da terra e viver uma vida perfeita é expulso do jardim, mantido longe da árvore da vida e distante da presença do Pai. É por isso que me rendo em plena alegria perante Deus, pois mesmo com o pecado do homem Ele promete a salvação, o Redentor, o Messias, vindo como descêndencia da mulher, gerado Dele próprio, o Deus que andou entre os homens e redimiu com a sua vida os rebeldes, mandando Seu doce Espírito para habitar em nós e assim nos concedendo vida e vida em abundância. Da morte espiritual para a vida eterna.
As consequências do pecado afetaram todo o mundo criado por Deus, e isso trouxe sérias implicações para a saúde do homem, de seres imortais passamos a mortais, com um ciclo de vida física limitado, e tantas vezes incapazes de combater a morte prematura. Vemos os hospitais, as ruas, as pessoas, cercadas por doenças, por precauções, por medo, medo da morte. Minha alegria não está em falsas promessas de que aceitar a Cristo vai me livrar de todas doenças, de que viverei com plena saúde, Cristo nunca prometeu isso, mas sinto indizível alegria por saber que esse meu corpo destruído pelo pecado, limitado, frágil, será um dia glorificado, se tornará incorruptível e eterno, como originalmente era o plano de Deus para Adão e Eva e toda a humanidade.
O estado pecaminoso do homem tornou-o rebelde para com a própria natureza criada por Deus, que revela e exalta a Sua perfeição. As trasgressões do homem chegaram ao ponto de desconsiderar o Criador por idéias malucas de um universo surgindo espontaneamente. Cada vez mais a mente pecaminosa do homem afasta-o de Deus, e como no jardim a tentação é a mesma, tornar-se igual ou superior ao Criador. Alegro-me em poder enxergar tanta beleza no mundo, desde as singelas flores à imensidão do universo, contemplar as estrelas, os mares, os animais. Posso contemplar a complexidade do homem, os seus complexos sistemas que o mantém vivo, que produzem inteligência, todos eles como planos perfeitos do Grande Arquiteto. Deus criou tudo.
A cada dia nos noticiários vemos os casos mais absurdos, são filhos matando pais, pais abandonando e enterrando filhos, casos de estupros, pedofilia, aborto, sequestros, assaltos. Me alegro porque fui livre de viver em ambientes onde essas coisas sejam incentivadas e naturais, livre da falta de educação, livre do descaso, isso para mim é graça de Deus, pois mesmo antes de confessá-lo Ele já cuidava de mim. Não que me considere livre deste mundo, muito pelo contrário, sei que a próxima bala perdida pode ser encontrada em mim, e não é porque professo o cristianismo que estou livre disso, pois o sol nasce para os justos e injustos, mas eu sei que o meu Redentor vive e mesmo que eu morra nele esperarei e esta é minha maior alegria, a esperança no porvir.
Nossa sociedade está se desfazendo diante de nossos olhos com a frouxidão moral que impera e comanda o mundo. Não há mais respeito com a união sagrada do matrimônio, homens casando-se com homens, mulheres com mulheres, divórcios a granel, os corpos são meros objetos sexuais, a depravação é aceita como uma saudável sexualidade, a ordem é satisfazer os próprios desejos e não preocupar-se com as implicações de tais atos, e isso tudo em nome de uma ilusória felicidade. Passamos por uma crise de valores e conceitos, tudo é justificável em nome dos fins alcançados, trapacear, roubar, mentir, tornaram-se apenas meios de obter sucesso. Cristo verdadeiramente me libertou dessa escravidão mental, posso extrair meus valores de sua imutável Palavra, posso colocá-las em prática, posso ser luz do mundo e sal da terra, alegria por manter (ou pelo menos tentar) minha mente sã.
Os relacionamentos de nossa geração são marcados pela superficialidade, pela falta de comprometimento, pela falta de amor. Desde as amizades, do coleguismo do trabalho até os namoros e casamentos, nos relacionamentos o importante é extrair aquilo que nos agrada, divertir-se nas baladas da vida, conversar, rir, ficar, mas na hora do sofrimento é cada um por si. Pela maravilhosa Palavra de Deus me alegro, pois ela me ensina a amar ao próximo como a mim mesmo, abençoar os que me perseguem, dar a vida pelos amigos. Bendita Palavra.
Experimentamos ainda a corrupção última, aquela que definitivamente não deveria existir, mas existe, que é a corrupção da igreja. Toda a corrupção citada acima, infelizmente, está totalmente presente na igreja cristã (não refiro-me ao Corpo de Cristo). O evangelho foi totalmente deturpado, rasgado e pisoteado para atender essa geração corrupta, tudo para alimentar o egoísmo, egocentrismo e hedonismo da sociedade. A igreja protestante que surgiu como uma luz no meio da corrupção da igreja católica hoje está prostrada perante o deus deste século, professa o evangelho da riqueza e prosperidade, prega uma vida sem sofrimentos, tira o foco da Eternidade e passa-o para o presente século, ensinando seus fiéis a amar o mundo e as coisas que há no mundo, das denominações históricas às igrejas neopentecostais, todas corromperam-se. Criam-se dogmas e doutrinas estranhas, sem embasamento bíblico, moralismo, legalismo, hipocrisia e infelizmente essas são coisas comuns a todas as igrejas. A igreja está cheia de falsos mestres, falsos pastores, falsos apóstolos, e aquelas que consideram-se corretas aceitam tudo isso passivamente, como se realmente essas igrejas fizessem parte do Corpo de Cristo, tudo em nome da "sinceridade" dos seus fiéis, como se sinceridade fosse desculpa para ignorar os princípios divinos, se assim fosse, deveríamos aceitar os islâmicos, os judeus, os católicos, os espíritas, e todas as religiões, pois os fiéis também são sinceros. Enfim, o que me alegra nesse poço de lama? Considerar o Pai, o Filho, o Espírito Santo e a Palavra suficientes para a minha fé, e que apesar desses problemas fui chamado para fazer a diferença, crescer nas dificuldades, pregar a verdade, seja com a minha vida, seja com palavras, e manter-me afastado da corrupção.
Para os mais atentos a esse texto parece contraditório alguem alegrar-se ao enxergar a corrupção do mundo, e realmente é, pois ao mesmo tempo que me alegro, me entristeço, quantas vezes quero chorar ao ver toda essa corrupção, mas a minha alegria não é pela corrupção, mas é devida Àquele que me libertou desse mundo, mesmo com meus pecados, com a minha morte espiritual, Ele, Jesus, me resgatou e me trouxe para o seio do Pai, mesmo sendo merecedor de morte Ele me concedeu a vida eterna por uma profunda e maravilhosa graça e pela sua infinita misericórdia. Todo louvor, honra e glória são pertencentes a Deus.
domingo, abril 22, 2007
Pastor: o "ungido" do Senhor ou não?
Quando o assunto é pastor há uma unanimidade quase insana da parte da massa evangélica ignara, de que o pastor é "o ungido do Senhor" e que sob nenhuma circunstância deve-se questionar a sua autoridade .Mas o que é unção? No Velho Testamento a unção era um ato específico dado por Deus a uma pessoa escolhida para a execução de uma determinada missão, e podia ser retirada a qualquer momento, assim como foi com Saul, quando o Espírito de Deus afastou-se dele, e sobre ele veio um espírito maligno. 1 Sm. 16:14 "Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava." Em Is. 45:1 está escrito: "Assim diz o SENHOR ao seu Ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão".A unção era dada a quem era e a quem não era servo de Deus, conforme vimos no texto de Isaias. Deus ungia quem bem queria para que sua vontade fosse realizada e a história da salvação seguisse seu curso normal. Ciro era um rei pagão e nunca adorou ao Senhor.
Entretanto foi ungido por Deus para libertar o povo de Israel para voltarem para sua terra. Ungir, segundo o Dicionário da Bíblia de Almeida, é: "Pôr azeite na cabeça de uma pessoa. Profetas foram ungidos{#1Rs 19.16},"Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar." Sacerdotes também o foram {#Êx 30.30}"Também ungirás a Arão e seus filhos, e os santificarás para me administrarem o sacerdócio." E reis também tiveram o óleo derramado sobre suas cabeças para serem ungidos {#1Sm 16.1-13}"ENTÃO disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.(1)... (13)Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá." Eram ungidos portanto quem Deus bem queria e entendia. Tanto "o Cristo" (grego) como "o Messias" (hebraico) querem dizer "o Ungido", um dos títulos de Jesus, a quem Deus escolheu para ser o Salvador da humanidade {#Jo 1.41;}" Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). {At 4.26-27}."Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido.
Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;" O Ungido do Senhor não é outro, senão Jesus Cristo o filho de Deus.
O Dicionário da Bíblia de Jonh Davis reafirma que as palavras Messias e Cristo significam "o ungido".No texto de Lucas 4:18 assim está escrito: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos." O texto em epígrafe não se aplica ao pastor e sim exclusivamente a Jesus Cristo conforme citação do Novo Dicionário de teologia do Novo Testamento, vol. IV, pg. 677 onde se lê: "Em passagens como Is 61:1" O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; " e Ez 16:9, "Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo," a unção deve ser entendida metaforicamente, sendo que, em Israel, a unção ritual era apenas disponível para reis e sacerdotes. Is 61:1 deve ser entendido como autoridade. No NovoTestamento (Lc 4:18) este texto é aplicado a Jesus: Ele foi o ungido por Deus para ser o profeta prometido."
Atos 4:26 "Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido;"Comentando este versículo, I. Howard Marshall em seu comentário ao livro de Atos p104, afirma que,"O emprego do termo ungido (i.é Messias) tornou inescapável à aplicação a Jesus". Então como fica o pastor nesta história? A unção de Deus é universal, ou seja, recai sobre todos. Em I João 2:20 lemos:" E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento." No versículo 27 assim escreve o apóstolo:" Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou." O texto é mais do que explícito. Todos somos ungidos e todos nós somos sacerdotes do Senhor conforme está escrito na 1 de Pedro 2:5 "também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." No verso :9: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;" Portanto, Pastor, Bispo, Presbítero e etc, não é unção com a conotação dada pelos reverendíssimos e, sim, dom do Espírito Santo de Deus. É comissionamento, é chamado.
Diante do exposto, não vejo onde está esta unção especial defendida e requerida pela maioria dos pastores, principalmente os da linha pentecostal e neopentecostal. Na carta escrita aos Efésios 4:11 o apóstolo Paulo diz que "ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro."Notaram no início do versículo o "ele mesmo concedeu"? Em Mateus 22:29, Jesus diz: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus." e ainda em Marcos 12:24 "Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?"
Defender portanto esta doutrina esdrúxula de que o pastor é o ungido do Senhor, e que é um ser inatacável, e intocável é induzir o irmão ao erro. Não defendo aqui a desobediência ou rebeldia contra o pastor. Não é esse o objetivo deste artigo, mas sim o de demonstrar que nós os cristãos devemos seguir o exemplo dos crentes de Beréia que conferiam se tudo que lhes estava sendo ensinado, se coadunava com os ensinos bíblicos.
A palavra de Deus nos ensina que qualquer um que comete erro é digno de repreensão. Paulo em sua carta aos Gálatas no capítulo 2:11-14 repreendeu a Pedro publicamente por estar se portando de maneira errada."E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?" O ensino bíblico coloca a todos em pé de igualdade. Ninguém é superior a ninguém. Jesus ensinou que aquele que quisesse ser o maior, fosse o menor.Não permitamos que teologias canhestras venham minar o nosso relacionamento com Deus, a igreja e nossos irmãos.Todo pastor que anda consoante os ensinos neotestamentário é digno de honra bem como qualquer membro comum da igreja. Todos são dignos de honra.
O membro não pode nem deve se colocar contra o pastor por discordar de algum pensamento seu, pois o pensar é livre e direito de todos. De igual modo o pastor não pode e nem deve perseguir o membro de sua congregação, chegando às vezes a expulsa-lo por discordar de um pensamento seu. Somos livres para tomar nossas decisões e libertos por Jesus para sermos realmente livres com o conhecimento da verdade."E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."(Jo 8:32)Há que se ter bom senso, tolerância e acima de tudo amor uns com os outros.Em sua primeira carta aos Coríntios o apóstolo Paulo afirma:"AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine." O amor é a solução para toda sorte de problemas que enfrentamos nas nossas igrejas.
O apóstolo Paulo em sua I carta aos Coríntios 13:13 diz:" Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor." Recomendo a leitura de todo o capítulo 13 desta carta com o firme desejo de que essa leitura surta efeito na vida de , todos nós.Certamente que este assunto não se esgota nestas poucas linhas, mas com certeza servirá para trazer um pouco de luz sobre o assunto. Assim espero!
E Deus me ajude que eu não seja excomungado pelo que escrevi!
Shalom Adonai,
Jesser Medeiros (jessermedeiros@yahoo.com.br)
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Estar no mundo e não ser do mundo
Encontramos no capítulo 17 do Evangelho de João a chamada "Oração intercessória de Jesus", onde Jesus intercede pelos seus discipulos, tanto daquela época, como nós, principalmente rogando ao Pai que nós sejamos um com Ele, assim como Ele é com o Pai. Quero destacar os versos 24 ao 17: "Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade."
Enxergo essa tarefa uma das mais difíceis que temos perante Deus, pois é claramente um paradoxo, estar no mundo e não ser do mundo, mas algo fica muito claro nisso, temos um limite de atuação e de participação nessa terra. Nós nos misturamos às pessoas e às atividades, mas não nos tornamos parte delas. É por isso que a liberdade que temos em Cristo é plena, mas limita nossas atitudes. Alguns tendem a atrelar esse limite às atitudes pecaminosas, isto é, tudo aquilo que não é pecado é passível de ser feito pelo crente. Será isto realmente assim? É nessas horas que me lembro das recomendações do Apóstolo Paulo ao seu discípulo, Timóteo, mostrando que tudo nos é lícito fazer, mas nem tudo convém e nem tudo edifica. Isto é, o limite é maior do que simplesmente os atos pecaminosos.
O crente deve ser a imagem de Cristo Jesus, como Jesus rogou, ser um com Ele, um exemplo prático o próprio Jesus demonstrou no deserto ao ser tentado pelo diabo, quando este tentou provocar Jesus falando para que transformasse as pedras em pães, ora, seria pecado Jesus fazer isso? Não. Mas convinha que Jesus o fizesse naquele momento? Não. Aquilo edificaria? Muito pelo contrário! Outro exemplo do Apóstolo Paulo mostra esse tipo de situação, quando Timóteo sairia com ele pelas sinagogas pregando a Palavra, Paulo o circuncida, para que os judeus não tivessem com o que acusá-lo. Timóteo passaria por um prosélito do judaísmo. Mas neste momento convinha fazer tal obra, para que o evangelho fosse propagado. Em ambas as circunstâncias foi necessário sabedoria e discernimento, não só para o ato naquele momento, mas a sua repercussão dali para frente.
Não devemos viver ignorando os fatos que ocorrem a nossa volta e em dados momentos teremos que fazer coisas que não cremos e até achamos desnecessárias, mas isso em favor da salvação de outros, mas outras vezes teremos que dizer um NÃO bem sonoro.
Agora, como o crente alcançará tal sabedoria? A resposta é simples, relacionamento íntimo e real com Deus. Como chegar a esse relacionamento? As pessoas às vezes me perguntam como ter mais intimidade com Deus e às vezes esperam por "fórmulas mágicas", como um copo d'água em cima da TV, ou troca de anjo, ou até mesmo uma oração fervorosa, imposição de mãos e etc, algumas pessoas realmente tem vendido essas fórmulas mágicas para o povo, mas a verdade é que isso leva a apenas um relacionamento superficial com Deus. Quer um relacionamento profundo com Deus? Eis o que é necessário:
- Ore! Não adianta querer ter um relacionamento com Deus se você passa mais tempo na frente da TV ou do computador conversando do que de joelhos dobrados buscando a presença dEle. E mesmo quando não estiver orando de joelhos dobrados, ORE. Deus espera que você converse com Ele o dia todo, mesmo no carro, no trabalho, na escola. Esteja em espírito de oração o tempo todo.
- Leia a Palavra! Perdemos horas com tantas outras coisas, tantas outras leituras, mas a bíblia fica encostada. Às vezes surgem desculpas, como "ela é muito complicada", "é muito difícil", "já sei muito sobre ela", "ela é muito cansativa" e etc. Quer entender a bíblia? Quer que a leitura dela não seja cansativa? Crie o hábito de lê-la diariamente, orar antes e depois da leitura, peça sabedoria a Deus para entendê-la, procure tesouros nas palavras que às vezes parecem cansativas, lute contra o sono, cansaço e tédio! Jesus no deserto usou da Palavra pra rebater os ataques de Satanás. Que arma você acha que terá as mãos na hora da dificuldade?
- Jejue! Reserve momentos do seu dia para abster-se de alimentos, ou de coisas prazerosas, como Tv e Internet, e use esses momentos para orar e meditar na Palavra. Isso com certeza te levará mais próximo de Deus.
- Ame! Procure enxergar as pessoas a sua volta de outra maneira, pessoas que carecem de salvação, pessoas perdidas, você começará a enxergá-las com amor e não com julgamentos.
Relacionamento real com Deus é manifestado na vertical (você e Deus) e na horizontal (você e o próximo. Não se esqueça disso.
"O verdadeiro crente influencia o mundo com a Palavra de Deus e não se deixa influenciar pelo pensamento mundano"