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quarta-feira, dezembro 29, 2010

"se Deus quer me levar, pode levar a qualquer hora", José Alencar



Alencar luta contra um câncer há 13 anos
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação
SIMONE SARTORI

Direto de São Paulo

O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT-SP), visitou na manhã desta quarta-feira o vice-presidente da República, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ao deixar o hospital, Marinho disse que Alencar está bem, "contando causos" e que falou sobre a morte. "Não preciso morrer por causa do câncer. Se Deus quer me levar, pode me levar a qualquer hora", disse Alencar, segundo o prefeito.
"Ele começou a contar causos de amigos da Lapa, os boêmios... Ele é muito divertido, uma pessoa fantástica. Não é à toa que é admirado pelo nosso povo", contou Marinho. A visita, que durou cerca de 15 minutos, foi acompanhada pelas filhas, um neto e a mulher de Alencar, Mariza Gomes da Silva.
Luiz Marinho contou que Alencar ainda fala em comparecer à posse de Dilma Rousseff no sábado, mas que ele deixará a decisão para os médicos. "É uma possibilidade, mas eu até disse a ele para não se preocupar com isso, que ninguém vai cobrar a presença ou ausência dele na posse. O trabalho está feito e há um reconhecimento do presidente Lula, do povo brasileiro, do trabalho que ele já fez", afirmou o prefeito.
A família de Alencar, segundo Marinho, comentou que o vice-presidente teve uma "grande recuperação" de ontem para hoje, após o procedimento o qual Alencar foi submetido. "Ele estava falante, feliz, sorrindo, em paz e transmitindo confiança. Muita gente no lugar dele, talvez, estaria entregando os pontos, ele está aí transmitindo energia", disse.
Luta contra o câncer
Alencar luta contra o câncer desde 1997, quando, após um check-up, foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago, retirados naquele mesmo ano. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da remoção de outros nódulos no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino.
Ao todo, ele foi submetido a 17 cirurgias nos últimos 13 anos. Em janeiro de 2009, ele enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar chegou a ficar internado 22 dias após a operação. A última cirurgia ocorreu no dia 22 de dezembro, quando Alencar foi internado no Sírio-Libanês em caráter de urgência, com quadro de hemorragia digestiva grave.
Fonte Terra

terça-feira, dezembro 28, 2010

Abstinência antes do casamento melhora vida sexual, diz estudo



Pessoas com abstinência deram notas 22% mais altas para estabilidade. Pesquisa de universidade ligada à igreja ouviu duas mil pessoas.



Da BBC

Casais que esperam para ter relações sexuais depois do casamento acabam tendo relacionamentos mais estáveis e felizes, além de uma vida sexual mais satisfatória, segundo um estudo publicado pela revista científica Journal of Family Psychology, da Associação Americana de Psicologia.

Pessoas que praticaram abstinência até a noite do casamento deram notas 22% mais altas para a estabilidade do relacionamento. As notas para a satisfação com o relacionamento foram 20% mais altas entre casais que esperaram, assim como as questões sobre qualidade da vida sexual (15% mais altas) e comunicação entre os cônjuges (12% maiores).

Para os casais que ficaram no meio do caminho - tiveram relações sexuais após mais tempo de relacionamento, mas antes do casamento - os benefícios foram cerca de metade daqueles observados nos casais que escolheram a castidade até a noite de núpcias.

Mais de duas mil pessoas participaram da pesquisa, preenchendo um questionário de avaliação de casamento online chamado RELATE, que incluía a pergunta 'Quando você se tornou sexualmente ativo neste relacionamento?'.

Apesar de o estudo ter sido feito pela Universidade Brigham Young, financiada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecida como Igreja Mórmon, o pesquisador Dean Busby diz ter controlado a influência do envolvimento religioso na análise do material.

"Independentemente da religiosidade, esperar (para ter relações sexuais) ajuda na formação de melhores processos de comunicação e isso ajuda a melhorar a estabilidade e a satisfação no relacionamento no longo prazo', diz ele. "Há muito mais num relacionamento que sexo, mas descobrimos que aqueles que esperaram mais são mais satisfeitos com o aspecto sexual de seu relacionamento."

O sociólogo Mark Regnerus, da Universidade do Texas, autor do livro Premarital Sex in America, acredita que sexo cedo demais pode realmente atrapalhar o relacionamento. "Casais que chegam à lua de mel cedo demais - isso é, priorizam o sexo logo no início do relacionamento - frequentemente acabam em relacionamentos mal desenvolvidos em aspectos que tornam as relações estáveis e os cônjuges honestos e confiáveis."

Fonte G1

"Valores dos cristãos são os mesmos dos comunistas"



Plínio de Arruda Sampaio
De São Paulo

Muitas pessoas se surpreendem com o fato de alguém declarar-se cristão e comunista. Crendo o primeiro no transcendente e sendo o segundo imanentista, haveria uma contradição insanável entre as duas posições.

No entanto, uma análise objetiva do fato parece levar a uma outra conclusão.

A fé de quem é cristão consiste numa aposta baseada nos valores que o Cristo veio anunciar. Acontece que esses valores são os mesmos que o comunismo proclama: igualdade, liberdade, fraternidade.

O fato de que um os atribua a Deus e outro à História não afeta a identidade entre eles e, portanto, a possibilidade das duas posições sem incidir em incoerência.

A profunda incompatibilidade entre católicos e comunistas, em tempos passados (e de certo modo, até hoje), foi o resultado de um equivoco histórico que os comunistas e católicos sinceros estão procurando consertar. O conflito deu-se na Revolução Francesa, quando a Igreja Católica, aliada à aristocracia, não conseguiu entender a profunda justiça do movimento revolucionário.

A este primeiro choque, sucedeu-se outro: quando a burguesia destronou a aristocracia e passou a perseguir as massas trabalhadoras (antigas aliadas na derrubada da aristocracia), a Igreja passou de armas e bagagens para o lado da burguesia.

Felizmente, contudo, muitos cristãos não aceitaram essa traição ao Cristo e colocaram-se do lado dos trabalhadores.

Há toda uma tradição de cristãos sociais, herdeiros desses primeiros combatentes pela causa do povo.

Recentemente, golpeados pela experiência fracassada da União Soviética, muitos marxistas começaram a rever suas posições anticlericais e dogmáticas. Não se trata de um acordo político, mas de uma revisão teórica.

O alerta pioneiro deve-se a Ernst Bloch. Recentemente Terry Eagleton, Slavoj Zizek e vários outros adotaram a mesma linha.

Em livro admirável, denominado "O Frágil Absoluto", Zizek defende a tese de que o imanentismo marxista explica todos os problemas decorrentes das contradições de classe, mas não tem o que dizer em relação a varias questões que escapam desse conflito. Sendo assim, não há razão para deixar de considerar válida uma explicação que recorre a outros elementos para explicá-las.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Vitória na praça de alimentação



25 de dezembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — À medida que o ano de 2010 estava chegando ao fim, aconteceu algo maravilhoso numa praça de alimentação num shopping center do Canadá. De repente, os clientes despertaram e começaram a cantar, a cantar de forma bela, a cantar o Coro Aleluia de “O Messias” de Handel. O evento “flashmob*”, filmado com múltiplas câmeras escondidas, difundiu-se pelo YouTube, onde foi visto mais que 26 milhões de vezes desde 17 de novembro, tornando-o um dos vídeos mais assistidos da história do YouTube (Assista aqui: http://www.youtube.com/v/SXh7JR9oKVE).


Quando assisti ao vídeo, ponderei a questão do motivo por que eu, um homem crescido que não é conhecido por perder sua compostura, estava chorando como um bebê, e por que muitos outros reagiram da mesma forma, tanto na própria praça de alimentação como entre os usuários que deixaram comentários. Por que é que esse vídeo de uma antiga obra de polifonia cristã estava alcançando e movendo dezenas de milhões de pessoas, uma distinção que normalmente gozam as expressões banais da cultura popular?
A primeira e mais óbvia resposta é que a pura beleza e reverência da peça vêm movendo pessoas às lágrimas desde que foi composta pela primeira vez pelo próprio Handel. De acordo com uma antiga história sobre Handel, seu assistente certa vez o procurou depois de chamá-lo durante vários minutos. Ele encontrou Handel no quarto dele, em lágrimas, enquanto ele estava compondo o Coro Aleluia. “Acho que vi a face de Deus”, disse ele.
Foi comovente ver um povo tão belo, de todas as gerações e procedências raciais, executarem essa grande obra com alegria e reverência, mas ainda mais comovente foi sua capacidade de transformar uma praça de alimentação, um símbolo trivial de nossa cultura consumista cada vez mais degradada, com o louvor glorioso de Deus. Por um momento naquele dia de novembro, o secularismo militante da moderna sociedade emudeceu na face de algo que jamais poderia produzir, nem começar a sondar, uma bela voz de seu passado repudiado, insistindo em verdades que nunca morrerão: e Ele reinará para sempre!
Chorei também pelo mundo perdido da minha infância. Embora a cultura da década de 1970, já cambaleando das agitações da década de 1960, tivesse sido apenas um reflexo pálido da sociedade cristã que a precedeu, muitos elementos dessa civilização perdida estavam ainda intactos. O Coro Aleluia e outras obras semelhantes eram considerados coisas naturais e normais da sociedade, uma defesa do compromisso para com uma cultura cristã que permeou os Estados Unidos, Canadá e boa parte do mundo ocidental. Mas os EUA em que nasci desapareceram, e o Coro Aleluia é agora considerado um ato revolucionário, um gesto de desafio na face de uma sociedade “pós-cristã” cínica.
Mas a cristandade, com Cristo como rei, jamais poderá morrer. Pode ser forçada a se esconder nos subterrâneos por algum tempo, na privacidade dos lares e corações, mas as palavras do Coro Aleluia nos fazem recordar que Jesus Cristo é “o Senhor Deus onipotente”, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” cujo reinado nunca acabará. O reinado de Cristo desabrochará de forma nova milhares de vezes e em mil lugares, em shopping centers e ruas, em lojas e escritórios governamentais. Sua ressurreição, como a do próprio Cristo, é garantida.
“No momento em que os homens reconhecerem, tanto na vida privada quanto pública, que Cristo é Rei, a sociedade em fim receberá as grandes bênçãos de real liberdade, disciplina organizada, paz e harmonia”, escreveu o Papa Pio XI em sua encíclica que estabelece a festa de Cristo Rei. A isso, que toda a cristandade diga: “Amém”.
Nota do tradutor: Um flashmob (traduzido do inglês para “multidão instantânea”) é um evento onde um grupo de pessoas vai de repente a um lugar público, desenhando movimentos pré-coreografados com certas finalidades.
Artigos relacionados:
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/victory-at-the-food-court
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sexta-feira, dezembro 24, 2010

Um conto nada natalino



por Matheus Soares

Carlinhos era um garoto de 10 anos de idade, pele escura, olhos fundos, cabelos engrenhados, magro, muito magro. Sua roupa suja e toda rasgada denunciava a imagem de um garoto como tantos outros nesse país. Olhar de quem já sofreu muito nessa vida, envelhecido mesmo com tão pouco tempo de vida. Seus pés descalços e calejados definitivamente mostravam que esse garoto acostumou-se a longas caminhadas diariamente.

Seu pai, Agenor, homem de apenas 45 anos, mas com a aparência de mais de 60, mostrava em sua face as marcas dos sofrimentos de uma vida inteira. Radicado do nordeste para a cidade de São Paulo, viu seus sonhos desfazerem-se ao longo dos muitos anos. Catador de papelão, passava o dia recolhendo tudo que encontrava na rua, puxando sua velha carroça.

A família de Carlinhos ainda era composta pela sua mãe, dona Eládia e seus dois irmãos: Juvenal de 6 anos e Daniele de apenas 3.

Na véspera de Natal, Carlinhos não tinha mais esperanças de presentes, nem mesmo a crença em Papai Noel foi mantida. Ele sabia que a vida era mais difícil do que as vitrines mostravam. Seus antigos sonhos, de ser jogador de futebol e depois bombeiro já haviam sido apagados da sua memória, não tinha tempo para essas coisas, precisava ajudar diariamente seu pai com a carroça, percorrendo a cidade toda em busca de conseguir alguns poucos trocados para a família.

Seu Agenor estava feliz, pois conseguira um frango para celebrar o Natal com sua família, mas ao mesmo tempo decepcionado porque não podia dar nenhum presente para seus filhos e sua esposa. O sol na véspera de Natal parecia mais quente, o trabalho mais cansativo. Olhar as pessoas passando sorrindo nas ruas com muitas sacolas nas mãos parecia muito mais um castigo divino. Aonde estava esse Jesus de que tanto ouvia falar?

A noite de Natal foi simples, a mãe de Carlinhos fez o franguinho com todo cuidado do mundo, serviu a todos. E por mais absurdo que isso possa parecer, nenhum dos filhos reclamou da falta de presentes, havia um olhar de alívio estampado em seus rostos por compartilhar de tão singela refeição.

Após a "celebração" foram todos dormir, sem praticamente nenhuma conversa, apenas pensando se teriam algo para comer no outro dia.

--
Esse é o fim desse conto, e se você esperava algum tipo de desfecho miraculoso, saiba que ele não aconteceu porque o Jesus que seu Agenor questionava poderia ter sido manifestado através de mim e você, mas preferimos nos preocupar em comprar presentes e preparar uma maravilhosa ceia para agradar apenas aqueles que gostamos e conhecemos.

terça-feira, dezembro 21, 2010

"Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar" diz Bispo



Bispo recusa homenagem do Senado em protesto contra aumento
Dom Manuel Edmilson da Cruz receberia comenda de Direitos Humanos.
"Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar", disse.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

O bispo de Limoeiro do Norte (CE), Dom Manuel Edmilson da Cruz, recusou nesta terça-feira (21) receber uma comenda do Senado Federal. Ele afirmou que sua atitude era para protestar contra o aumento salarial de 61,8% aprovado pelos parlamentares em causa própria. A homenagem recusada por ele é a Comenda dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara.

A recusa do bispo foi feita em um discurso no plenário do próprio Senado. Ele criticou os parlamentares por aprovar o aumento deste montante para o próprio salário. "Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar", disse.
O religioso afirmou que a comenda que lhe foi oferecida não honra a história de Dom Helder Câmara, que teve atuação destacada na luta pelos direitos humanos durante o regime militar.

"A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, à cidadã contribuinte para o bem de todos, com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho", afirmou o bispo.

Ele destacou que o aumento dado aos parlamentares deveria ter como base o reajuste que será concedido ao salário mínimo, de cerca de 6%. "O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo".

O senador José Nery (PSOL-PA) disse compreender a atitude do bispo. "Entendemos o gesto, o grito, a exigência de Dom Edmilson da Cruz". Nery, que foi um dos três senadores a se manifestar na votação de forma contrária ao aumento, deu prosseguimento a sessão após a atitude do religioso.

Dom Manuel Edmilson da Cruz foi indicado para receber a comenda pelo senador Inácio Arruda (PC do B-CE). Além dele, foram indicados para a homenagem Dom Pedro Casaldáliga, Marcelo Freixo, Wagner de La Torre e Antônio Roberto Cardoso. Apenas este último também estava presente e discursou. Ele afirmou estar "incomodado" com a homenagem, mas disse a ter aceitado porque ela se enquadra dentro de um contexto histórico e de um reconhecimento ao trabalho de Dom Helder Câmara.

Fonte G1

quinta-feira, dezembro 09, 2010

E se Jesus tivesse nascido na época da Internet?



Agência portuguesa faz vídeo onde Maria e José usam Facebook, Twitter e Foursquare

por Redação Galileu
Editora Globo
Maria recebe um SMS do Anjo Gabriel e avisa José por email que vai ter um filho. Ele posta no twitter que irá a Belém, procura a rota Nazaré – Belém pelo Google Maps e faz o "check in" do Estábulo no FourSquare. Depois anunciam pelo Facebook o nascimento do menino Jesus, com foto e tudo. Foi assim que a agência portuguesa Excentric imaginou como seria o nascimento de Jesus nos dias de hoje.
O vídeo, produzido pela agência de publicidade portuguesa para desejar boas festas, tem como mote a frase: "Os tempos mudam, o sentimento continua o mesmo". A paródia já foi vista por mais de 43 mil pessoas no YouTube.
Confira o vídeo feito pela Excentric:

Fonte Revista Galileu

sexta-feira, novembro 26, 2010

Pensando como ovelha



por Matheus Soares

Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro"
Romanos 8:36

Aonde estão aqueles que enfrentam a morte todos os dias por amor a Deus? Talvez nos países da janela 10-40 encontremos missionários que vivam essa verdade, nos países da África e da Ásia, quem sabe. O fato é que a morte para a humanidade é o maior sinal de derrota, o fim, a desesperança.

Mas para Deus a morte é preciosa, pois nem a seu próprio Filho poupou da morte e a morte do Primogênito de Deus significou vida para muitos outros que tornaram-se também seus filhos. A morte para Deus é sinal de vitória, porque Cristo venceu a morte na cruz, desbancou o maligno de seu trono, pisou em sua cabeça e colocou-o debaixo de seus pés.

A vitória através da morte conquistada por Cristo continua verdadeira e atual, por isso é mais do que importante que morramos todos os dias para que juntamente com Ele triunfemos sobre o pecado e o diabo.

As ovelhas de Deus não sentem-se mais no matadouro, sentimo-nos mais numa colônia de férias do que enfrentando os lobos devoradores todos os dias, e enquanto não pensarmos como ovelhas não poderemos desfrutar dos cuidados do sumo Pastor, que deseja levar-nos às verdes pastagens e às águas tranquilas.

Ovelhas que reconhecem a voz de seu Pastor, ovelhas que estão todos os dias entregues ao matadouro, ovelhas que fogem dos lobos.

Que possamos ter a mentalidade da ovelha, mansa e humilde. Morrendo com Cristo todos os dias, para desfrutar da vida eterna.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Distantes do Trono



por Matheus Soares

Não é de hoje que um dos grupos mais aclamados no meio gospel tem se distanciado do Trono de Deus e das sãs palavras do Evangelho da cruz. O grupo musical "Diante do Trono" representado por sua líder Ana Paula Valadão é uma das referências no meio evangélico quando tratamos de música, e não é a toa, quatro dos seus cd's já venderam cada um mais de um milhão de cópias. Programas televisivos de grande audiência já abriram suas portas para a estridente cantora, até mesmo a satânica (para alguns) Rede Globo de televisão.

Para alguns amigos, cristãos e conhecedores do meio musical, é inegável que no príncipio da carreira o grupo despontou com canções espirituais embasadas em conceitos bíblicos. Foi um tempo onde houve, de fato, um grande impacto de adoração para os evangélicos. Músicas sendo tocadas em todas as igrejas, e ministras de louvor tentando imitar até mesmo a voz de Ana Paula.

Mas, infelizmente, o pensamento megalomaníaco dessa geração arraigou-se nesse grupo musical. Congressos e shows cada vez maiores, multidões incontáveis, e agora até cruzeiros em transatlânticos são alvos das ambições do grupo.

O leão, a pastora e o guarda-roupa(*)
Há alguns anos atrás essa "ministração" onde Ana Paula anda de quatro no palco simulando um leão caiu como uma bomba na internet e nos meios de comunicação. Discussões ferrenhas da validade do momento de "adoração" e representação foram levantadas, argumentos fervorosos lotaram fórums e blogs. Fato é que a partir dali começariam uma série de atos "extravagantes" da líder e mentora do "Diante do Trono". A cena da representação do leão seria cômica se não fosse totalmente trágica, onde tenta-se atribuir ao Espírito Santo de Deus um ato tão degradante quanto uma pessoa andando de quatro. Aqueles que tem um mínimo conhecimento das religiões afro-brasileiras identificarão que esse tipo de humilhação acontece apenas com possessões demoníacas, onde a criação de Deus é submetida a atos vergonhosos para deleite do inimigo de nossas almas.

Exu boiadeiro
Tem sido comum a pastora utilizar acessórios e/ou roupas que demonstrem autoridade ou algum princípio "espiritual". Alguns dos itens referenciados por ela: Cinto com cara de autoridade, brincos de isral, anel com pedra de ametista. Mas o ápice foi a instrução "divina" a respeito das botas de couro de cobra Python que ela teria que usar numa "ministração" em Barretos, para assim expulsar o demônio "Exu boiadeiro" que segundo ela reina nas cidades onde acontecem rodeios. De fato, Ana Paula valoriza muito a simbologia das coisas, tanto é que em determinado momento presenteou seu pai com um leão de madeira que "ministrava só de olhar" para ele. Nada mais místico e propenso aos brasileiros do que criar coisas palpáveis para uma fé frágil e desprovida de entendimento.

O Titanic gospel
E como os grandes "ministérios" evangélicos vivem de novidades, uma das mais novas no meio evangélico são os cruzeiros em transatlânticos luxuosos, onde pessoas de alto poder aquisitivo podem adorar ao seu deus e de quebra desfrutar das benésses que seu dinheiro pode proporcionar. É pecado pregar para os ricos? De maneira nenhuma, Jesus o fez com muita ousadia em seu tempo. Quem aqui não se lembra do jovem rico? Ou então de Zaqueu, que restituiu quem ele havia roubado. Ou então as palavras de Jesus dizendo que é muito difícil que um rico entre no reino dos céus. Ou mesmo quando Nosso Senhor diz que não devemos acumular tesouros nessa terra, mas nos céus. Quiseramos nós que houvesse em Ana Paula o mesmo anseio de pregar uma vida desprendida das riquezas como houve em Pedro Valdo e os Valdenses na época da reforma. Desnecessário comentar o quanto os evangélicos prezam pessoas ricas, dando-lhes os melhores assentos e acesso irrestrito aos ícones evangelicais.

Há um bálsamo em Gileade
E a fantástica idéia, obviamente vinda de mais uma mensagem "divina", qual é? Fazer uma mega unção nos mares, despejar barris de óleo por onde passarem para declarar que os mares são do Senhor. Depois de expulsar o Exu boiadeiro, nada mais óbvio do que partir contra Iemanjá.

"Seus bobinhos! Seus bobinhos! Unjam os mares! As praias são minhas! As praias são minhas!"
Sinceramente, não consigo imaginar Deus com um acesso histérico como esse, mas segundo a nossa heroína Ana Paula Valadão essa foi a mensagem recebida de Deus, que embasou sua empreitada nos cruzeiros luxuosos, dando autoridade(?) para consagrar mares e praias. Aliás, eu gostaria de saber como ela pretende atracar um transatlântico numa praia para fazer os tais cultos que ela deseja ano que vem. Isso sim só pode ser com milagre divino.

Distantes do Trono
Essa frase da excelente música do João Alexandre ilustra bem o momento em que vivemos. Atos proféticos, adorações extravagantes, novas unções, é ilimitada a imaginação dos líderes evangélicos quando se trata de criar coisas para atrair cada vez mais pessoas. Tudo sempre pautado em suas experiências e revelações divinas individuais. Quando alguém questiona os atos sendo feitos sempre a justificativa é uma direção divina especial, algo que Deus revelou exclusivamente para a pessoa em questão.

É interessante, e ao mesmo tempo triste, notar que qualquer embasamento bíblico contrário é colocado como abaixo da instrução "divina" recebida. Ora, não é justamente esse tipo de coisa que se questiona nas seitas e no catolicismo? O poder dos profetas e papa que vão além do que está nas Escrituras? Não é esse mesmo tipo de loucura que condenamos em Ellen White, a apóstola dos adventistas? Porque os líderes evangélicos teriam carta branca para usar uma instrução supostamente divina para contrariar os preceitos bíblicos?

Será que é realmente proibido pensar? Não, não podemos nos calar ante a feitiçaria gospel dos nossos dias. Não podemos ficar inertes quando vemos líderes cegos conduzindo outros cegos para o abismo. Não podemos permitir que os valores da Palavra de Deus sejam negociados por qualquer alívio de consciência que usem como palavras divinamente inspiradas.

Não estou aqui questionando as motivações de Ana Paula Valadão ou do seu grupo Diante do Trono, mesmo porque a intenção nada vale se não for acompanhada de atos corretos. Tiago nos alerta em sua epístola que precisamos mostrar nossa fé com atos e ações que glorifiquem a Deus. Intenções boas com execuções ruins não podem ser consideradas incriticáveis em nenhuma instância da fé cristã, porque isso pode conduzir muitas pessoas para um caminho errado e enganoso.

Não podemos mais deixar que as pessoas coloquem palavras tolas na boca de Deus, nem que atribuam atos vergonhosos ao Espírito Santo. Os profetas que precisamos não são aqueles que amam estar no meio do poder e da riqueza, nem aqueles que andam com latas de óleo de unção para lambuzar carros, praias ou mares, precisamos sim daqueles profetas audaciosos que apontavam os erros e pecados dos reis e líderes religiosos da sua época.

Infelizmente esse tipo de profeta está cada vez mais escasso.


* Título utilizado em alguns posts no Pavablog referente ao episódio de Anápolis onde Ana Paula Valadão anda de quatro no palco simulando um leão.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Ativista gay: Igrejas têm mãos sujas de sangue



por Ana Cláudia Barros


O espancamento de homossexuais por jovens de classe média alta na Avenida Paulista e a tentativa de homicídio contra um rapaz de 19 anos após a Parada Gay na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, ambos ocorridos no último fim de semana, são, na opinião do antropólogo e historiador Luiz Mott, resultado da intolerância, reforçada por um discurso fundamentalista religioso.
"A maior visibilidade e a conquista de espaços públicos por parte de homossexuais provocam a ira dos mais intolerantes, que estavam acostumados a um complô do silêncio", afirma, completando:
- As igrejas cristãs, em geral, têm as mãos sujas de sangue, pela intolerância que divulgam nos púlpitos e nas televisões. Elas fornecem munição ideológica para aqueles que têm ódio de homossexuais, fazendo com que esse ódio aumente. Vai chegar uma época em que o papa e essas igrejas vão pedir desculpas de joelhos aos homossexuais, como a igreja já pediu desculpas aos judeus, negros e índios.
Para Mott, que é fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), o País trata a questão da homossexualidade de forma contraditória:
- O Brasil tem um lado cor de rosa, que é representado pelas paradas gays, tem mais de 200 paradas e a maior parada gay do mundo; tem a maior associação LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) da América Latina; tem o Programa Brasil Sem Homofobia, ou seja, conquistou muitos avanços, mas tem um lado vermelho sangue. O Brasil é o país líder em assassinatos de homossexuais. Não é o país mais homofóbico do mundo, porque não temos leis, como no Egito ou no Iraque, onde os homossexuais podem ser executados, mas, a cada dois dias, um gay, uma travesti ou, em número muito menor, uma lésbica é vítima de crimes de ódio. São crimes praticados com requintes de crueldade.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - No último fim de semana, houve episódios de violência contra homossexuais, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo...
Luiz Mott - E acrescente três travestis assassinadas no Paraná, também no último fim de semana. A bruxa está solta. A maior visibilidade e a conquista de espaços públicos por parte de homossexuais provocam a ira dos mais intolerantes, que estavam acostumados a um complô do silêncio. Os próprios homossexuais não se expunham para evitar situações de risco. Há anos, na Bahia, quando passavam um gay e os machistas percebiam, eles gritavam: 'Tchibum'. Como dizendo: 'Ali passa o veado, vamos caçar o veado'. Era uma forma de desmascarar.
Hoje, as pessoas partem para a agressão física, como aconteceu (em 2000) com o Edson Neri, na Praça da República (São Paulo), que foi o caso mais emblemático. Ele foi trucidado por um bando de carecas neonazistas. Acho que essa visibilidade incomoda. Há também a intolerância religiosa, que continua pregando como nunca, a ponto do (pastor Silas) Malafaia colocar cartazes na rua, dizendo que Deus criou o homem e a mulher, ou seja, a homossexualidade é uma aberração, um pecado.Tem essas duas coisas, a visibilidade que provoca a intolerância, que é reforçada por um discurso fundamentalista. 
O Brasil tem um lado cor de rosa, que é representado pelas paradas gays, tem mais de 200 paradas e a maior parada gay do mundo; tem a maior associação LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) da América Latina; tem o Programa Brasil Sem Homofobia, ou seja, conquistou muitos avanços, mas tem um lado vermelho sangue. O Brasil é o país líder em assassinatos de homossexuais. Não é o país mais homofóbico do mundo, porque não temos leis, como no Egito ou no Iraque, onde os homossexuais podem ser executados, mas, a cada dois dias, um gay, uma travesti ou, em número muito menor, uma lésbica é vítima de crimes de ódio. São crimes praticados com requintes de crueldade.

A principal justificativa desses assassinatos é o preconceito, a aversão aos homossexuais?
Sim. São crimes em que a vulnerabilidade da vítima é fator fundamental. O assassino parte do pressuposto ou que o gay é frágil, efeminado, não vai reagir, é presa fácil ou que ele não vai ter o apoio dos vizinhos, do zelador do prédio, porque os gays são pessoas, muitas vezes, odiadas. Há casos em que o gay gritou pedindo socorro e a vizinha não foi porque teve medo ou porque não tinha nenhuma solidariedade. 
Há ainda outro fator, que chamamos de homofobia cultural. Por que a travesti está fazendo pista (se prostituindo) e, muitas vezes, está envolvida no crack? Porque ela foi jogada, foi expulsa para a margem da sociedade. Então, mesmo nos crimes em que há envolvimento com droga ou nos casos de latrocínio praticado por rapazes de programa, que transam com o gay e depois matam e roubam a vítima, a homofobia cultural está presente. Partiu-se do princípio de que veado tem mais é que morrer.

Você apontou os paradoxos que há no Brasil (o cor de rosa e o vermelho sangue). Há uma falsa tolerância? 
Na verdade, há essa contradição. Os estrangeiros costumam dizer que, na América Latina, não há lugar mais fácil para paquerar, transar com homens gays, bissexuais do que no Brasil. Ao mesmo tempo, é um País que tem esse componente de agressividade letal. Em 2009, foram 198 assassinatos documentados. Em 2010, até ontem, eram 175 assassinatos. A tendência é que feche o ano ou no mesmo número ou em número maior. A média (sobre vítimas) geralmente é de 70% de gays, 27% de travestis e 3% de lésbicas.

Como essa contradição pode ser explicada?
Considero que o machismo brasileiro e o latino-americano tem raiz histórica no escravismo. Os brancos machos, donos do poder, eram menos de 20% da população. Então, para manter os outros 80% da população submissos, explorados, o macho latino-americano tinha que ser super violento e viril. Qualquer efeminação, medo podiam representar uma possibilidade de os oprimidos tomarem conta. Então, acho que essa violência contra homossexual é uma forma de afirmação da masculinidade. A homofobia e os crimes de morte têm a ver com uma afirmação do machismo, da virilidade e com a ideia de, sobretudo quando o gay é assassinado por rapaz de programa, uma questão de classe.
Há pesquisas que mostram que as pessoas de classes sociais mais baixas são mais homofóbicas, mais intolerantes, mais conservadoras.

Mas o ataque, por exemplo, aos jovens gays na Avenida Paulista foi promovido por estudantes de classe média alta.
Primeiro, tem que ver se é mesmo classe média alta ou simplesmente de classe média. A homofobia está presente em todas as classes sociais, inclusive na classe alta, embora seja predominante nos extratos mais baixos.

A universidade Mackenzie publicou em seu site um manifesto contra a lei que crimiminaliza a homofobia. O que você achou da iniciativa?
Desde o tempo em que eu era estudante da Faculdade Maria Antônia (USP), em frente ao Mackenzie, havia guerras campais. A Maria Antônia era reduto dos comunistas. Eles (Mackenzie) sempre foram reacionários, extremamente conservadores. Eu me admiro porque a intolerância tem sido maior nas igrejas penteconstais, que não são as igrejas protestantes históricas. E eles são presbiterianos, que é uma igreja histórica que, nos Estados Unidos, tem um posicionamento muito mais favorável. Há pastores gays assumidos no presbiterianismo, inclusive no Brasil. Foi muito chocante uma igreja mais aberta, como a presbiteriana, e pelo fato de ser em uma universidade, um lugar onde se deve ensinar a ciência, e não o criacionismo. É uma inversão. A universidade virou um púlpito, mais intolerante do que as próprias igrejas pentecostais, Universal, Assembleia de Deus, que têm como líderes Malafaia, (Marcelo) Crivella e Magno Malta, que são nossos maiores inimigos.

Para você, um posicionamento mais radical em relação à homossexualidade colabora para a ocorrência de crimes contra homossexuais?
Com certeza. As igrejas cristãs, em geral, têm as mãos sujas de sangue, pela intolerância que divulgam nos púlpitos e nas televisões. Elas fornecem munição ideológica para aqueles que têm ódio de homossexuais, fazendo com que esse ódio aumente. Vai chegar uma época em que o papa e essas igrejas vão pedir desculpas de joelhos aos homossexuais, como a igreja já pediu desculpas aos judeus, negros e índios. 
Particularmente, esse papa Bento XVI se distinguiu, desde quando era assessor de João Paulo II, como sendo o mais intolerante dos papas dos últimos séculos. Ele disse: 'O homossexualismo (usando o termo patológico) é intrinsecamente mau'. Então, a partir daí é que as igrejas protestantes, inclusive muçulmanos, impediram que na Organização das Nações Unidas seja incluída a orientação sexual como direito humano fundamental.

Há muita resistência para aprovação do PLC (Projeto de Lei da Câmara) 122. Você acredita que a lei que criminaliza a homofobia vai ser aprovada? Qual sua expectativa?
Faltou vontade política ao Lula. Ele poderia ter pressionado a bancada aliada para que votasse. Há mais de uma dezena de leis no Congresso Nacional dentro da agenda LGBT e nenhuma foi aprovada. Como a Dilma vai ter maioria nas duas Casas, vamos pressionar ao máximo para que ela mobilize seus aliados. 
A senadora eleita Marta Suplicy disse textualmente que a situação dos homossexuais no Brasil piorou. O número de assassinatos aumentou, nenhuma lei foi aprovada e nossos vizinhos conquistaram mais direitos, como a Argentina, que tem o casamento gay. Até o Chile e o Uruguai tiveram legislações contra a homofobia aprovadas, de modo que, infelizmente, na última década, eu digo: Se ficar, a Aids pega, se correr o homófobo mata. Para os homens heterossexuais, a Aids representa 0,8% de infecção. Entre os gays é de 11%. Infelizmente, a esperança de vida para os homossexuais nos últimos anos piorou, diminuiu. É preciso políticas efetivas. Não há nenhum governo que tenha feito tanta mobilização, programas, conferências, coordernadorias, mas nada sai do papel.

Você acha que se o PLC 122 fosse aprovado inibiria de fato a violência contra homossexuais ou seria uma lei inócua? 
Há mais de 20 anos que o Grupo Gay da Bahia pleiteia a equiparação da homofobia ao racismo. Bastava para nós que os mesmos insultos, agressões, discriminações que são categorizados, no caso do racismo, como crime inafiançável, que fossem na mesma extensão para os delitos em relação à orientação sexual. Porém, esse projeto de lei, da Iara Bernardi (PT), que é a autora original do projeto, foi muito detalhado. Inclusive, como aconteceu com a lei de Juiz de Fora (Lei Municipal nº 9791, conhecida por 'Lei rosa'), permitindo afeto em público por homossexuais... 
Não tinha necessidade de colocar isso no PLC 122, porque o que não é proibido é permitido. É isso que tem atraído a ira dos evangélicos. Eles acham que os gays vão se beijar e transar dentro da igreja. Acho que o projeto de lei é importante porque tipifica os delitos de homofobia e, sendo aprovado, vai inibir a prática da homofobia no dia-a-dia, mas não tem nada sobre a violência letal. Falta no projeto uma explicitação sobre isso. 
A aprovação é fundamental, sobretudo, para marcar a presença de 10% da população brasileira constituída por LGBTs, que vão ter o mínimo de proteção legal. Na Constituição de 1988, não incluiu a proibição de discriminar por orientação sexual e isso permite que juizes, delegados, policiais digam que discriminar gay não é crime. Em outros países há leis severas contra a homofobia.

Fonte Terra

sexta-feira, novembro 12, 2010

SBT confirma que negocia venda de horário para evangélicos



Ricardo Feltrin

Colunista do UOL

  • O empresário e apresentador Silvio Santos, quando esteve no Palácio do Planalto, em Brasília (22.out.2010)

    O empresário e apresentador Silvio Santos, quando esteve no Palácio do Planalto, em Brasília (22.out.2010)

O escândalo financeiro de cerca de R$ 2,5 bilhões que envolve o Grupo Silvio Santos fez com que o SBT abrisse negociação para venda de horário para igrejas evangélicas. Três igrejas fizeram ofertas nas últimas 48 horas para comprar fatias ou mesmo toda a madrugada do SBT. São elas: o Ministério Silas Malafaia, a Igreja Internacional da Graça e a Igreja Universal.

Por meio de sua assessoria, a emissora confirmou negociações, recusou-se a dizer nomes, mas disse que "não são novas as ofertas de igrejas que querem comprar horas da madrugada". O SBT acrescentou que, "até o momento, nenhuma proposta interessou".

Depois de se reunir com o pastor Malafaia anteontem, o SBT teria recebido uma nova proposta da Internacional, de R.R.Soares, no valor de R$ 10 milhões mensais (cinco horas diárias, de segunda a domingo). Ninguém confirma.

No primeiro trimestre do ano passado, Soares já havia oferecido R$ 5 milhões por três horas, mas o SBT recusou. Soares é cunhado de Edir Macedo, que também sinalizou ontem ao Grupo SS que estará sempre disposto a comprar horários do SBT.

Pela legislação, como igreja, a Universal tem direito a comprar horário em outras emissoras --o que já faz (Gazeta, Rede TV!).

A assessoria do SBT não quis comentar as negociações e nem os valores citados acima.

Se Silvio Santos vender espaço da grade a uma igreja, seja por curto ou longo prazo, talvez melhore ou até mesmo salve as catastróficas contas do Grupo SS. Só que, nesse caso, o SBT deixará de ser a única TV aberta sem qualquer programação religiosa. O SBT é o único canal laico hoje, já que até a Globo tem a "Santa Missa" católica aos domingos.

A eventual locação da madrugada também pesará porque é o único período em que o SBT disputa ou chega ao 1º lugar no ibope com frequência. Ontem, por exemplo, entre 5h e 6h, o SBT foi líder isolado em São Paulo, com 3,7 pontos --à frente de Globo (2,9) e Record (1,7). Abrir mão disso seria acabar com um dos últimos "orgulhos" do SBT.

Por outro lado, entre 0h e 4h a audiência do SBT é fraca. O canal quase nunca sai do 3º lugar e às vezes até cai para o 4º. Seus seriados hoje perdem da programação religiosa da Record (especialmente do "Fala que eu Te Escuto"). Portanto, vender essa faixa horária (0h e 4h) não significaria grande prejuízo --do ponto de vista do ibope.

Em setembro último, conforme Ooops! revelou, Silvio revelou a um amigo que cogitava se aposentar do vídeo no final deste ano. Aos 80 anos, que se completam no próximo dia 12, Silvio se queixou de cansaço e do desgaste provocado pela guerra do ibope que enfrentou nesta década. Uma guerra que, somente desde 2007, fez o SBT perder não só a vice-liderança, mas inúmeros profissionais para a Record, da área técnica e da artística (como sua mais famosa "cria": Gugu Liberato).

Antes do escândalo financeiro estourar, Silvio pretendia passar três meses de férias em Orlando e comemorar lá seu aniversário. Talvez agora tenha de mudar seus planos.

Fonte UOL

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